| COTIDIANO | |
| Boa cozinha acelera a cura de pacientes Cerca de 280 refeições personalizadas são preparadas pelo menos seis vezes ao dia para pacientes e funcionários |
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A mais bem equipada cozinha de Rio Branco, onde os alimentos são preparados de acordo com as necessidades nutricionais de cada cliente, não pertence a nenhum restaurante, mas ao Hospital da Criança e à Maternidade Bárbara Heliodora. Ela funciona durante 24 horas por dia fornecendo uma média de 280 marmitas personalizadas para funcionários e pacientes pelo menos seis vezes por dia. “A função do alimento não é apenas encher a barriga e nutrir uma pessoa. Aqui no hospital cada refeição é preparada de acordo com a necessidade do paciente para que ele se recupere mais rapidamente. Poucas pessoas entendem que de acordo com o problema de cada paciente a alimentação tem de ser específica para não sobrecarregar o órgãos afetados e com isso atrapalhar seu tratamento e recuperação”, explica Fabíola Gallo, nutricionista-chefe do Serviço de Nutrição Dietética (SND) do Hospital Infantil. Orientação às mães Durante o período em que a criança está internada no hospital, a mãe vai sendo orientada e informada sobre as necessidades básicas de uma criança tanto com relação à higiene quanto à sua alimentação. “A maioria das infecções e diarréias é causada por desconhecimento das regras básicas de higiene. Muitos chegam desnutridos porque não são alimentadas corretamente. Quando uma criança é desmamada muito cedo ela não tem condições de receber a mesma alimentação de um adulto, por isso passa mal”, explica Fabíola As próprias mães recebem orientação sobre como cuidar de si mesmas. Quem está amamentando um bebê deve fazer pelo menos seis refeições diárias, que são café da manhã, lanche das nove, almoço, merenda da tarde, jantar e ceia. Além disso, não devem passar mais de uma hora sem consumir líquidos. Sistema industrial Para garantir que o serviço atinja esse objetivo, foram montados dois sistemas de preparação de alimentos. Uma é a unidade de alimentação coletiva, que fornece a comida consumida pelos enfermeiros, mães que acompanham crianças internadas no hospital e também as mulheres e seus acompanhantes na maternidade. Há também o lactário, onde são preparadas as mamadeiras com leite e mingaus balanceados para cada paciente de acordo com suas necessidades. É ali que são preparados os alimentos fornecidos aos pacientes que não podem alimentar-se pela boca e por isso precisam de atendimento especial e o recebem através de sondas. Esses são casos mais extremos e entre os 63 leitos do hospital apenas três estão com pacientes nessa situação. O trabalho tem de ser rápido e eficiente, embora haja pacientes que exijam dietas específicas porque estão com problemas como diabetes, infecções pulmonares, diarréias ou viroses. “Cada caso exige o fornecimento de uma alimentação específica para que se recupere. Daí por diante vamos adaptando essa dieta à que ele vai receber quando voltar para casa.” Dietas e marmitas Quando atendem seus pacientes os médicos já indicam na ficha de prontuário deles o tipo de dieta que receberão. Estas podem ser geral (come de tudo), branda (tem restrição de alguns produtos), pastosa (mingaus ou pastas) e líquidas, em casos mais graves. “Quando o paciente entra no hospital ele e o acompanhante são entrevistados para que se conheça o hábito de cada um, há quem só come os caroços do feijão, outros apenas o caldo, quem não come fruta ou verduras, tudo é respeitado. O médico então indica a dieta e nós a descrevemos no cartão que é copiado no tampo da marmita de alumínio dizendo que produtos e a quantidade que elas devem ter, elas são enchidas na cozinha e podem ser conferidas pelas mães dos pacientes”. Batalhão das panelas Três turmas de 20 funcionários cada uma trabalhando durante as 24 horas do dia para garantir a alimentação aos pacientes, funcionários e acompanhantes, sempre na forma e hora exigidos. A equipe é composta de nuticionistas, cozinheiras, montadores de refeição, lactaristas, auxiliar de distribuição no refeitório, auxiliar de distribuição nos leitos, auxiliar de nutrição para a elaboração das refeições, supervisores de produção e de distribuição e dispenseiros. Antes que o hospital começasse a funcionar, cada uma dessas pessoas foi submetida a um treinamento de 40 horas com aulas práticas e teóricas sobre cada serviço. O Setor de Nutrição e Dieta é o único que tem uma manual de boas práticas que obedece às normas do Programa de Alimento Seguro (PAS) da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, há um regimento interno, específico do SND, com normas a serem obedecidas pelos que ali trabalham. Alimentos que salvam vidas Internada no Hospital da Criança há nove dias, a menina Karoline de apenas dois meses está acompanhada pela mãe Gleiciane Neves Magalhães, 17, moradora do bairro João Eduardo, que explicou: “De repente ela começou a ter uma diarréia muito forte e o remédio não fazia efeito. Ficou internada no pronto-socorro e continuou piorando. Então mandaram a gente para cá e eles descobriram que além da infecção o leite também estava fazendo mal para ela. Eles mudaram e ela já está ficando boa”. Então fez seu comentário pessoal: “Gosto da alimentação daqui, é a melhor de todos os lugares em que já fiquei internada ou acompanhando algum parente”. Barrados na portaria O costume de levar biscoitos e outros presentes aos pacientes que se encontram internados nos hospitais é extremamente controlado na portaria do Hospital da Criança. Além disso, é proibida a entrada de latas de leite que já estejam abertas, biscoitos recheados, refrigerantes e iogurtes. Coco e outras frutas podem entrar desde que sejam inspecionados e aprovados pela equipe do SND. “Essas medidas fazem com que muitas mães nos achem intransigentes, por não entendermos a boa vontade delas, mas depois quando vêem que seu filho se recupera muito mais rapidamente sendo tratados assim, elas mesmas agradecem”, diz Fabíola. Atendimento maternidade As mulheres que estão sendo atendidas na Maternidade e também seus acompanhantes também recebem alimentação preparada na cozinha do Hospital Infantil. Só os bebês recém nascidos não podem receber nenhum tipo de alimento ou líquido, exceto o leite materno, já que a maternidade é credenciada no programa nacional Amigos do Peito. Além das parturientes a maternidade tem uma enfermaria especialmente dedicada a atender as mulheres que estão e fase terminal por serem vítimas de câncer. Neste caso, elas já não podem receber alimentação comum, mas misturas de produtos hipercalóricos e hiperproteicos concentradas que apesar das pequenas doses são muito nutritivos. |
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