| CULTURA | |
| Um legítimo representante da música brasileira Acordeonista, tecladista e pianista, o acreano Chiquinho Chagas quer estudar as músicas indígenas e criar um estilo musical para o Estado |
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Aos 6 anos de idade ele tinha a certeza de que sua vocação era ser músico. Com ajuda do pai Chico Arigó, herdou o perfeccionismo e conseguiu uma rápida evolução em seu trabalho. Chiquinho Chagas, 32 anos, tornou seu nome respeitado no mundo da música brasileira como tecladista, acordeonista e pianista. Sempre que visita o Acre, sua terra natal, mostra o que aprendeu acompanhado do seu fiel companheiro, o acordeom. Mas exibe a preocupação com o resgate e valorização da música brasileira. Nos últimos dias de estadia aqui, ele concluiu a gravação do CD do Festival Acreano de Música Popular, que está produzindo e faz sua despedia hoje, na Casa da Gameleira, em uma noite de forró, para então voltar ao Rio de Janeiro. O músico não vê aptidão para outro talento que não seja fazer música, diz que ela é a oitava maravilha do mundo. Chico Chagas começou a tocar com seis anos de idade por incentivo do pai, Chico Arigó, um dos grandes nomes da música acreana. Conta que ele o colocava para estudar todas as noites, em algumas vezes até tentava se esconder, mas era sempre encontrado. Todo o esforço era a vontade de Arigó em ter um filho músico e quando percebeu que Chico tinha aptidão não hesitou em ensiná-lo acordeom, que é seu instrumento. O perfeccionismo com que aprendeu a tocar as melodias, se tornou características dos trabalhos de Chico Chagas. “Foi muito importante porque tudo que faço hoje, me esforço para que seja o melhor, independente do lucro”, diz o músico. Trilhando caminhos Aos 15 anos, Chico Chagas saiu de casa e foi sozinho para Porto Velho, com o objetivo de estudar com o músico Chico Freitas, que hoje é músico de Emílio Santiago. O professor selecionava os alunos que ensinava e Chiquinho foi um dos contemplados em aulas de harmonia e improvisação. Depois de sete meses voltou para casa. Aos 18 anos, o pai o liberou para caminhar sozinho, afirmando que estava preparado. Na segunda aventura, ele retornou à Porto Velho, dessa vez por um ano e três meses. Quando Chico Freitas foi embora para o Rio de Janeiro, Chico Chagas foi convidado a substitui-lo em uma banda chamada Caravela do Madeira. Em visita a cidade, o professor o viu tocando e dessa vez o tirou de Rondônia e o levou para a cidade maravilhosa. No Rio de Janeiro, o acreano tocava na noite para pagar os cursos de harmonia, improvisação e piano erudito, que fazia em três escolas. Daí foi chamado para fazer trabalhos com o cantor Zeca Pagodinho e grupo de humor Casseta e Planeta. Depois do trabalho com pessoas conhecidas nacionalmente não parou mais. Além das participações musicais em diversas novelas da Rede Globo, ele dividiu o palco com cantoras como Cássia Eller, Ivone de Lara e Elza Soares. Ano passado diz ter tido o prazer de gravar um CD com o francês Nicolas Krassik e o grandioso Naná Vasconcelos, com quem tem uma banda. “Jamais deixarei de tocar a música brasileira”, diz. Um talento diferente O reconhecimento veio como tecladista e pianista, mas assim que se aprofundou na musicalidade do acordeom, o músico percebeu que o instrumento era o seu par perfeito. A cumplicidade entre os dois é tamanha que ele usou a imaginação e ousou ao fundir o som em estilos diferentes do forró como o jazz. “O acordeom foi rotulado como instrumento folclórico e de forró, resolvi tocar outra coisa. Ser o precursor desse trabalho é muito bom. Meu sonho é sempre levar o instrumento ao limite.” Resgate da cultura Chico foi convidado para produzir um CD de Marie Sofhie, na França, que deve ser feito em fevereiro. Mas o país parece querer adotar o acreano. Ele foi chamado para morar na Cidade-Luz, Paris, e fazer shows de acordeom. Tentado a ir, o músico só dirá não se a contraproposta envolver o Acre. Ele quer voltar a morar na terrinha com a condição de desenvolver um trabalho de resgate da cultura brasileira e principalmente acreana, fazendo atividades com os artistas locais e até mesmo, ensinar em uma escola de música. “Tivemos grandes músicos aqui como o Bararu, Hélio Melo, Pixuta, Sandoval. Hoje temos o filho Milton Bararu e o André que é, talvez, o último dessa geração de acordeonistas do Acre. Isso me deixa muito triste”. Chico tem o objetivo de estudar os sons e cantos das diversas etnias do Estado e desenvolver um estilo musical para o Acre. “Quero estudar as músicas indígenas e criar um estilo. O Acre não sua música como os outros Estados e não vejo uma outra opção se não os nossos índios, que é o que temos de mais original”. |
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