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Mariazinha Leitão * |
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Impedimentos à autonomia e às atividades dos idosos A questão da autonomia do idoso é um aspecto fundamental ao seu bem-estar. A autonomia de que falamos é a capacidade de autodeterminação, para resistir às pressões sociais, para pensar e agir de certo modo, e para avaliar o EU através de padrões pessoais. Ao analisar a autonomia necessária se faz que consideramos a questão do paternalismo, uma vez que freqüentemente estes conceitos parecem opostos. Nos conflitos entre autonomia e paternalismo, ocorrem geralmente impedimentos à autonomia ou à escolha da pessoa supostamente para o seu bem. Quando as pessoas tentam defender ou justificar paternalismo em favor do idoso, usualmente é com a intenção de protegê-los do perigo fora deles próprios ou ameaças para o seu bem estar, tais como pobreza, doença, isolamento, injúria e outras formas de danos pessoais e declínio. O paternalismo, na realidade, nega à pessoa o direito de manejar as questões que lhe dizem respeito e colocar em questão o seu status como ser livre, capaz e autônomo. O paternalismo nega que a pessoa idosa tenha capacidade de raciocínio, considerando-a incapaz de escolher qualquer coisa significativa. Desta maneira, exerce-se completo controle sobre ela negando-lhe a oportunidade e o direito de mudar seu estilo de vida e alterar seus padrões de comportamento ou de buscar e viver diferentes valores. A percepção negativa sobre o idoso reflete-se nas oportunidades que lhe são oferecidas: por padrões de produtividade atuais, o investimento no idoso ou para o idoso é subestimado, uma vez que não se acredita na possibilidade de retorno. As oportunidades no mercado de trabalho lhe são reduzidas, os investimentos para a sua reciclagem e atualização são escassos e inexistentes. O estigma da idade limita as suas oportunidades de opção e de decisão por uma atividade. Quando uma instituição lhes abre a porta, a há quem diga: o que esses velhos tem a aprender? Nós respondemos, TUDO o que a escola da vida tiver capacidade de ensinar! A aceleração da História perturbou profundamente a relação do homem idoso com as atividades, imaginava-se que a velhice, com o acúmulo de experiência que representa, seria o mais alto ponto de perfeição do homem. Hoje, a sociedade rechaça o velho ainda vivo, considerando-o como vindo de um passado remoto, ultrapassado, obsoleto, esquecendo-se que o avanço tecnológico pode facultar a ele o desempenho de tarefas outrora difíceis ou impossíveis, bastando que a própria sociedade os deixe pelo menos TENTAR. * Especialista em Gerontologia Social pela PUC do Rio Grande do Sul |
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