COTIDIANO

Campanha contra a leptospirose

Departamento de Controle de Zoonoses realiza programa de orientação da população para evitar a proliferação de ratos

Marcos Vicentti
Tarcísio Teixeira disse que o
objetivo do programa é diminuir
a incidência da doença no Acre


Val Sales

O Departamento de Controle de Zoonoses de Rio Branco (DCZ) reinicia o “Programa de Controle de Roedores” visando inibir o aumento dos casos de leptospirose no período das chuvas. O trabalho é voltado para o combate a disseminação dos ratos por meio da educação e mudança de hábitos da população.

O médico veterinário do DCZ Tarcísio Teixeira frisa que o objetivo do Programa de Controle de Roedores é diminuir a incidência da leptospirose, transmitida para o homem por meio da urina dos ratos. “O combate da leptospirose passa em primeiro lugar pelo controle da população de roedores. É certo que não se consegue eliminar todos, mas temos que lutar para que a população desses animais diminua a ponto de não causar danos à saúde do cidadão”, explica.

Para as equipes do departamento, o grande desafio no combate aos roedores é conscientizar a população quanto à necessidade da mudança de hábitos. “As pessoas criam os roedores sem querer ou sem saber - seja pela desinformação ou pela falta de higiene. Eles só proliferam onde as pessoas dão o alimento, ou seja, mantêm lixo no quintal, mato ou outros entulhos”, ressalta.

O Programa de Controle de Roedores em Rio Branco é feito desde 2006, quando os técnicos passaram a realizar visitas domiciliares com orientação sobre como evitar a doença. Durante esse tempo, as equipes observaram que 99% dos quintais são criadouros de roedores. “As pessoas não limpam o mato, o entulho, o resto de construção ou resto de produtos deixados no quintal para alimentar as galinhas ou cães. Nesse caso, as pessoas criam um ambiente favorável para a proliferação dos roedores”, enfatiza o veterinário.

Segundo ele, é importante frisar que as equipes de técnicos que fazem as visitas domiciliares não são responsáveis pela “desratização” da casa de ninguém, e sim os seus próprios moradores. “Nosso objetivo é orientar quanto aos hábitos que fazem com que haja a proliferação dos roedores e alertar quanto aos perigos da doença”, declara.
O que é preciso saber sobre a leptospirose

A leptospirose é uma doença grave causada pelo contato com a urina do rato, a mesma urina que contamina os esgotos, igarapés e águas de enchentes. Nesse caso, as pessoas ficam doentes quando entram em contato com a lama contaminada. Aos primeiros sinais da doença (febre e dores no corpo, em especial na batata da perna), o cidadão deve procurar uma unidade de saúde e informar sobre o contato com o ambiente contaminado. Os sintomas aparecem após 1 a 30 dias da contaminação.

Quando o lixo cresce, o rato aparece

Os técnicos do Centro de Controle de Zoonoses alertam que o lixo jogado nas ruas, calçadas, igarapé e rios, colabora para a ocorrência das enchentes e serve de alimento para os ratos. Nas áreas urbanas são encontradas três espécies de ratos. A primeira é a ratazana, ou rato de esgoto, sendo esse o maior deles. A ratazana se abriga nas tocas que cavam na terra, em terrenos baldios, nas margens dos igarapés, em lixões, sistemas de esgoto e bueiros.

O segundo da espécie é o rato de telhado ou rato preto. Ele se caracteriza por possuir orelhas grandes e cauda longa. Ele raramente escava tocas e costuma habitar em locais altos como sótãos e forros, mas desce sempre a terra em busca de alimento. O terceiro da espécie é o camundongo. Ele é o menor de todos e tem hábito preferencialmente intradomiciliar. Costuma fazer ninhos dentro de armários, fogões e despensas. O camundongo tem comportamento curioso, sendo presa fácil de ratoeiras.

O que fazer no caso de alagamento

1 – Evitar o máximo possível qualquer contato com a água ou lama de enchentes. Quanto mais tempo dentro da água maior a chance de contrair leptospirose.

2 – Impedir que crianças nadem ou brinquem em águas provenientes de alagamentos.

3 – Lavar chão, parede, objetos caseiros e roupas atingidas pela enchente. Nesse caso, usar água sanitária (hipoclorito de sódio 2,5%). Despejar um copo de 200m do produto em cada balde de 20 litros de água. Usar a proteção de botas e luvas de borracha ou mesmo sacos plásticos duplos presos nos braços e pernas.

4 – Jogar no lixo os alimentos e remédios que foram molhados.

5 – Esvaziar a caixa d’água se ela tiver sido invadida pela enchente. Esfregar suas paredes com escova e pano limpo. Colocar um litro de água sanitária (hipoclorito de sódio 2,5%) para cada mil litros de água. Deixar duas horas e esvaziar.

 

 
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Rio Branco-AC, 17 de janeiro de 2008
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