COTIDIANO
Foto/Orlando Testi/Reprodução/Marcos Vicentti

Uma página virada da história

Exposição fotográfica retrata desenvolvimento do Acre no fim dos anos 60

Foto/Orlando Testi/Reprodução/Marcos Vicentti


Whilley Araújo

Quando chegou ao Estado no mês de maio de 1965, ainda não havia ponte sobre o rio Acre nem postos de gasolina e as ruas do centro da capital eram pavimentadas com tijolos requeimados. Hoje, após 40 anos, o ex-padre da Igreja Santa Inês, o italiano Orlando Testi, retorna e retrata em uma exposição fotográfica o período de três anos em que viveu no Estado, dando destaque para a construção de várias obras, das quais ele participou, incluindo inúmeros outros pontos da cidade. As fotos ficarão expostas no Theatro Hélio Melo até o próximo dia 28.

“Essa exposição, com retratos da época que eu mesmo tirei para os meus familiares na Itália, embora de modesto valor, poderá dar uma idéia da nossa cidade de Rio Branco e seu território, às vésperas do grande desenvolvimento dos anos setenta e sucessivos”, afirma Testi, que confessa ter sido sempre apaixonado por fotografia.

Ele conta com empolgação que participou da construção do hospital Santa Juliana, da Igreja Santa Inês e de uma outra, chamada Nossa Senhora de Fátima, localizada próxima ao aeroporto. “Naquela época o Estado não tinha muitos recursos para investir na infra-estrutura da cidade, sendo assim, a Igreja, com recursos oriundos da realização de carnavais, de paróquias e da Ordem dos Servos de Maria, financiava algumas obras importantes”, revela.

O italiano destaca a construção da Igreja Católica no bairro Custódio Freire, ressaltando que a obra foi concluída em um período de três meses. “Falaram que era um milagre, nem eu acreditava que seria possível terminar a construção daquela igreja em tão poucos dias. Esse feito foi até destaque no jornal Correio do Oeste, no ano de 1968”, lembra Orlando.

Paixão acreana - Pessoas, rios, matas e a fauna chamaram bastante a atenção de Orlando Testi, durante os anos de 65 e 68. Inclusive uma mulher, Marli Mendes, com a qual ele casou e hoje tem três filhos – toda a família mora na Itália. “Parece ontem , mas já se passaram 40 anos. Voltar a Rio Branco é sempre uma grande emoção, amei muito essa terra e continuo amando, embora esteja vivendo tão longe dela. Essa cidade significa uma das páginas mais importantes da minha vida”, enfatiza.

Apesar de ajudar na construção de importantes obras, o ex-padre da Santa Inês não saiu do Estado com boas condições financeiras. “Eu cheguei aqui pobre e sai mais pobre ainda, no entanto, tenho a certeza que cumpri a minha missão de ajudar em parte do desenvolvimento desse Estado”.

A exposição, que está sendo mostrada no Hélio Melo desde o dia 14, é uma ótima oportunidade para alunos de ensino médio e fundamental conhecerem um pouco mais da história acreana, bem como para pessoas de mais idade que viveram no Acre naquele período, para poderem refletir um pouco mais sobre o passado.

Um Acre diferente

Mesmo vindo ao Acre várias vezes nos últimos 40 anos para visitar amigos e familiares de sua esposa, Testi comenta que se surpreendeu com a estrutura da cidade de Rio Branco. “Hoje vejo que o Estado passou por um grande desenvolvimento, completamente diferente do que vi em minhas últimas viagens, até uma minissérie para contar a história acreana já ouvi falar”, pontua.

 

 
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Rio Branco-AC, 17 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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