| COTIDIANO | |
Doulas: amigas do parto Elas também estão no Acre. Mas quem são essas mulheres que se ocupam do bem-estar físico e emocional da parturiente? |
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É no ambiente mecanizado dos hospitais, cercadas por pessoas desconhecidas, que as mulheres grávidas, ou parturientes, vivem um turbilhão de emoções e sensações, em que a alegria de gerar uma vida convive com o medo, a dor e a ansiedade. Daí a grande importância das Doulas. Mas quem são elas? As Doulas são mulheres experientes com a maternidade, que já passaram pela gestação, enfrentaram a dor, sabem das incertezas sentidas e são conhecedoras de exercícios que ajudam na preparação para “dar à luz”, mas, principalmente, são mulheres dedicadas, simpáticas, e que sabem distribuir carinho. A Maternidade Bárbara Heliodora, na capital acreana, dispõe hoje de sete Doulas voluntárias que se tornaram grandes amigas das mães. Essa nobre função na assistência ao parto apareceu no Brasil nos últimos anos, embora seja usada há muito tempo em países do mundo todo. O nome “doula” vem do grego “mulher que serve” e indica aquela que dá suporte físico e emocional à parturiente. As Doulas de Rio Branco são mulheres aposentadas, com energia e disposição para ajudar, e enfrentam plantões de 12 horas por semana, tendo como único benefício além do prazer em fazer o bem, apenas vale-transporte e uma cesta-básica. O envolvimento emocional delas com as parturientes é grande, e muitas vezes, colocam a cabeça no travesseiro no fim da noite pensando nas mulheres que ficaram na maternidade. Alguns reencontros só ocorrem nas ruas, quando as mães, já com os filhos nos braços, os apresentam extrovertidas ou tímidas, mas não menos orgulhosas, agradecendo as Doulas pela ajuda que tiveram. “Todo dia que estou aqui, é como se ganhasse várias filhas que estão tendo seus filhos. Me faz bem ajudar. Elas falam da vida que tem, desabafam, e a cada dia é um novo aprendizado que tenho. Ser uma Doula é uma grande responsabilidade”, diz Maria das Graças Faria Machado, 56. Histórico – Antigamente era comum a futura mãe ser assistida ao longo do trabalho de parto por outras mulheres mais experientes, vizinhas, parentes, mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo. Conforme o parto foi sendo tratado como assunto médico, eles foram ocorrendo basicamente em hospitais e maternidades, com a assistência de uma equipe especializada, cada um com sua função bastante definida. Ficou uma grande lacuna: quem cuida do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e vem sendo preenchida pela doula. No Acre – Até onde se sabe, o trabalho das Doulas no Acre é recente, surgiu há um ano, por meio do Ministério da Saúde, através do SUS, em que foram convidadas diversas mulheres para participar do treinamento. Maria das Graças que faz parte do grupo da terceira idade do Sesc, decidiu participar junto a uma amiga, mas se surpreendeu. “Não espera algo tão grandioso. Uma equipe de psicóloga, enfermeira, médico e assistente social realizou nosso treinamento das 7 às 17h durante sete dias. Isso mostrou que se tratava de um trabalho sério e responsável”, diz Maria. O dia-a-dia – As Doulas diariamente se apresentam às mulheres nos leitos, e no decorrer do dia as conversas se tornam freqüentes, e são nelas que percebem as dificuldades das mães, sejam psicológicas ou sociais. “Quando uma mãe precisa de psicólogo nós chamamos, e quando tem problema de voltar para casa, acionamos a assistente social. Somos o elo entre as grávidas e o hospital”, comenta Graça. A conquista também faz parte do trabalho das Doulas, pois nem todas as parturientes aceitam sua ajuda, mas aos poucos a barreia vai sendo rompida. Graça explica que só trabalha exercícios quando o médico autoriza a grávida, pois algumas fases do pré-parto não é permitido esforço físico. Além de massagens, exercícios livres, uma bola grande serve de apoio a movimentos feitos com as grávidas. Todos eles servem para aliviar a dor, e até mesmo preparam o corpo para um parto menos doloroso. As grávidas – A maternidade Bárbara Heliodora começa a trabalhar a humanização em seu funcionamento, e a inclusão das Doulas é um passo promissor para que esse novo formato de atendimento se concretize. Uma média de oitenta mulheres buscam atendimento diariamente no local, cerca de 20 delas passam pelas Doulas. Aos olhos das principais interessadas na existência das Doulas, as parturientes, elas são como verdadeira mães. “O tratamento dela com a gente faz diferença na hora do parto. E como se fosse uma mãe, porque o carinho e atenção que ela dá, é o mesmo de uma mãe”, diz Maria Lusivânia, 21, três filhos. Outra mãe, Gecineide de Souza Vidal, 23, diz que o tratamento das Doulas faz grande diferença, e lamenta que só no terceiro parto tenha tido acesso a ajuda dessas mulheres. Em uma realidade da vida ligeira, do contato essencialmente necessário entre médico e paciente, pela pressa e necessidade em atender todos, a humanização do nascimento é resgatado também com o trabalho das Doulas, realizando a devolução do espetáculo que é o parto. Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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