| ESPECIAL | |
| ALMANACRE | |
| Elson Martins | |
Ameaça na fronteira Brasil-Peru Vera Olinda * O povo Ashaninka do Peru e do Brasil estará reunido entre os dias 24 a 28 de fevereiro na aldeia Sawawo, localizada no departamento de Ucayali (Peru), na fronteira com o estado do Acre, para um evento chamado de Encontro na Fronteira Brasil-Peru Comunidades Indígenas: Terra, Limites Fronteiriços, Convênios e Projetos. O objetivo é discutir o impasse criado pela exploração madeireira na fronteira entre os dois países, os seus impactos socioambientais nas terras e comunidades indígenas e nos territórios dos índios isolados, como também discutir soluções de desenvolvimento não madeireiro. Este encontro é organizado pela Apiwtxa com o apoio da CPI/Acre - Comissão Pró-Índio do Acre, do CTI - Centro de Trabalho Indigenista e da RCA - Rede de Cooperação Alternativa. Estarão presentes também organizações indígenas e indigenistas de ambos os países e contará com a participação do Governo Brasileiro, através da Coordenação Geral de Índios Isolados da Funai – Fundação Nacional do Índio. A política ambiental do Governo Peruano é o que está motivando a realização do encontro. Essa política, através das concessões florestais, tem ameaçado a integridade do território de índios isolados que, fugindo dos desmatamentos, têm se deslocado em direção às Terras Indígenas do estado do Acre situadas na região de fronteira. A presença cada vez mais freqüente de grupos isolados nestas TIs é vista com apreensão pelos povos indígenas do lado brasileiro, cujos territórios delimitam a fronteira Brasil-Peru. A invasão de madeireiros peruanos se intensificou a partir de 2000 com o regime de concessão florestal peruano e a promulgação da Lei Florestal no país. Desde essa época, foram abertos dois concursos de concessão de lotes permitindo aos madeireiros instalar empresas na região. O governo peruano, no entanto, não tem se mostrado capaz de fiscalizar a atividade madeireira dentro das concessões florestais: o Instituto Nacional de Recursos Naturales - INRENA (organismo do governo equivalente ao IBAMA no Brasil) não dispõe de estrutura adequada para realizar tal atividade; além disso, é notada a influência política dos madeireiros na região, seja em âmbito local ou departamental. O que se vê como resultado são quilômetros de floresta devastada e extração ilegal de madeiras nobres. Como, no lado peruano, algumas espécies de maior valor econômico já foram exploradas à exaustão, os madeireiros passaram a invadir a floresta do lado brasileiro. Preocupadas com a situação, as lideranças indígenas e organizações da sociedade civil, brasileiras e peruanas, continuam se reunindo para discutir esses problemas, buscar soluções e exigir medidas governamentais para por fim às ações criminosas que estão destruindo os povos que habitam a região da fronteira Brasil-Peru. Sobre os Ashaninka A maioria dos Ashani1nka vive no Peru. Os grupos situados hoje em território brasileiro são também provenientes do Peru. Eles começaram a migrar para o Brasil pressionados pelos caucheiros peruanos no final do século XIX. Aqui os Ashaninka estão em cinco Terras Indígenas distintas e descontínuas, todas situadas na região do Alto Juruá: 1.TI Kampa do Rio Amônia, contígua ao Parque Nacional da Serra do Divisor, homologada, registrada no CRI e SPU (1992) com 87.205 hectares, no município de Mal. Thaumaturgo; 2. TI Kampa do Igarapé Primavera, homologada, registrada no CRI e SPU (2001) com 21.987 hectares, no município de Tarauacá; 3. -TI Kampa e Isolados do rio Envira, homologada e registrada no CRI e SPU (1998) com 232.795 hectares, no município de Feijó, onde habitam também grupos Amahuaka, inimigos históricos dos Ashaninka e que evitam o contato com indígenas e não-indígenas; 4. TI Kashinawa/Ashaninka do Rio Breu, homologada e registrada no CRI e SPU (2001) com 31.277 hectares, nos municípios de Marechal Thaumaturgo e Jordão; 5. TI Jaminawá/ Envira homologada e registrada no SPU (2003), nos municípios de Feijó e Santa Rosa do Purus, com 80.618 hectares; onde vivem também grupos Kulina e Jaminawa. Os antropólogos que trabalharam com esse povo apresentam uma grande variação salientam a dificuldade de estabelecer um total populacional desse povo. No Peru os dados variam de 10 mil a mais de 50 mil indivíduos. Não obstante, todos os autores apresentam os Ashaninka como um dos maiores contingentes populacionais nativos da Amazônia peruana e mesmo da bacia amazônica em geral. Os Ashaninka pertencem a família lingüística Aruak (ou Arawak). Eles são o principal componente do conjunto dos Aruak sub-andinos, também composto pelos Matsiguenga, Nomatsiguenga e Yanesha (ou Amuesha). Apesar de existirem diferenças, os Ashaninka apresentam uma grande homogeneidade cultural e lingüística. CORREIO
Viva Jaguaribe! Sujeito simples, professor universitário, o vice-governador do Ceará Francisco José Pinheiro veio a Rio Branco pela segunda vez (a primeira foi em novembro de 2007) como convidado do governo da floresta. Ontem à tarde ele participou da inauguração do novo trecho da Nova Avenida Ceará. E pela manhã, tomou café com conterrâneos de Jaguaribe (CE), cidade onde tudo de bom e do melhor acontece. Participaram do café no Hotel Pinheiro o desembargador aposentado Ciro Facundo, o xará (do vice-governador) Francisco Queiroz, que os acreanos só conhecem por Tiel, Adolfo Almeida (sobrinho do desembargador), a secretária Maria das Graças (Assistência Social), Estébio e a esposa Alcinéia, todos de Jaguaribe, além de Júlia Feitoza e eu.. Queijo, rapadura, cachaça, rede, buchada de carneiro...essas coisinhas saborosas que estão desaparecendo do cotidiano dos cidadãos urbanos fazem a fama de Jaguaribe, bem como o açude Feiticeiro, de onde saem “as melhores curimatãs do mundo”. O vice me presenteou uma garrafa de cachaça “Colonial” que traz no rótulo boa indicação: “novo conceito com velhos costumes”. Língua Kaxinawá Caro Elson: Confesso que dormi pouco esta noite (terça-feira 13), com as idéias em ebulição por causa do curso de hatxa kuin (língua kaxinawá). Ontem, na apresentação dos cursandos, pensei sugerir o seguinte: como os indígenas há tempo saem de suas aldeias para se aperfeiçoarem na Capital, nos cursos da língua pátria (a nossa), por que não o governo do Estado (alô Edgar, Daniel e Cia.) promover, como intercâmbio cultural, a ida, por algum tempo (algumas luas), dos estudantes do curso às aldeias do povo Huni kuin? Assim aperfeiçoariam os conhecimentos da língua, conheceriam mais a cultura, enfim, estreitariam os laços culturais das duas nações e, a partir daí, quem sabe, traçariam metas mais ousadas de interesse mútuo das duas culturas? Já que se teve a idéia e a ousadia de se promover para os não índios um curso de uma língua kaxinawá (hatxa kuin), porque não avançar um pouco na idéia e inserir no currículo do ensino fundamental o ensino de uma das nossas línguas nativas? Quando criança, por força da cultura colonizadora, eu estudei latim (acho que você também, não?) para ajudar os padres nas missas que eram feitas nessa língua. (Raimundo Nonato – Rio Branco) Cultura. Poucos sabem.... Imaginem um site (lugar) onde se pode ler gratuitamente as obras de Machado de Assis ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos. Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci, onde você pudesse escutar (de graça) músicas em MP3 de alta qualidade... Pois esse lugar existe: o Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br Só de literatura portuguesa são 732 obras! Mas estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter isso, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura. (Gabriel – Rio Branco) |
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