COLUNAS
   VIA BRASÍLIA
Romerito Aquino  

Olha quem fala I

Repercutiu mal, nos meios políticos acreanos de Brasília, a palhaçada patrocinada pela procuradora do Incra, Othília Melo, ao tocar fogo, em nome de seus antepassados, no projeto de lei de gestão de florestas públicas que o governo Lula dispôs para a sociedade, através do Congresso Nacional, debater, modificar e aprovar para virar algo concreto que torne a floresta da Amazônia sustentavelmente produtiva, dando um fim à grilagem, à biopirataria e ao desmatamento que estão acabando com ela.

Olha quem fala II

O mínimo que se comentou sobre a procuradora do Incra foram as suas razões históricas para ter procedido de forma tão teatral. Primeiro, lembrou-se o que foi dito ontem, muito apropriadamente, no blog do historiador Antônio Alves, de que o seu avô, o coronel Flávio, “era dono de quase toda a cidade de Rio Branco e tinha poder para decidir quem vivia sobre a terra e quem ia morar embaixo dela”.

Olha quem fala III

Segundo, lembrou-se do pai da referida senhora, o ex-deputado Raimundo Melo, que chegou a ser classificado como o político mais assistencialista que já passou pelo Acre, bem aos moldes da secular prática da escravidão, disfarçada de assistencialismo, que a esmagadora maioria dos seringalistas do estado impunha aos seringueiros, de geração em geração. Sem falar naqueles seringalistas do tempo do seu avô que cercavam as aldeias dos índios, pegavam suas mulheres e matavam todos, jogando as criancinhas índias para o alto para serem aparadas na ponta do facão.

Olha quem fala IV

Terceiro, lembrou-se do irmão da referida senhora teatral, o ex-governador Flaviano Melo, aquele que até hoje responde na Justiça Federal pelo maior roubo da história da administração pública da Amazônia Ocidental, a famosa Conta Flávio Nogueira. Neste roubo, foram desviados cerca de R$ 40 milhões dos cofres públicos acreanos através de sete contas fantasmas, numa engenhosidade criminal de fazer inveja até mesmo ao empresário PC Farias, aquele que queria roubar o Brasil todo durante o governo de Fernando Collor de Mello.

Olha quem fala V

Pelo visto, dona Othília teve mesmo muitas razões históricas para queimar o projeto. Como uma pessoa inteligente que é, ela sabe muito bem que se for bem trabalhado e discutido com a sociedade brasileira, em especial com a população amazônica, o projeto em análise pode, sim, se transformar na gota d’água que faltava para nunca mais a seringueirada e o povo acreano cair nas garras afiadas do coronelismo de “seus” antepassados. Isso porque o projeto prevê também a exploração sustentável das riquezas florestais por associações de pequenos produtores, ou seja, pelos seringueiros que vivem hoje em reservas extrativistas, em projetos de assentamento florestal, projetos de desenvolvimento sustentável e outros.

Crítica ao projeto florestal

Se há uma crítica séria para se fazer ao projeto de lei de gestão de florestas públicas do governo Lula é a ausência nele de garantias de que as concessões das florestas da Amazônia não caiam no colo das grandes madeireiras internacionais, como as asiáticas, que já possuem tentáculos na região e são conhecidas no mundo todo como “comedoras vorazes” de floresta. Mas tais garantias podem perfeitamente serem incluídas no projeto pelo Congresso Nacional.

Fim do nepotismo I

A semana em Brasília foi marcada pela aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o emprego de parentes (o nepotismo) em cargos de comissão e de confiança de autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nas esferas federal, estadual e municipal. A PEC despertou interesse de toda a sociedade brasileira, que ainda tem de conviver, de Norte a Sul do país, com essa prática amoral e antiética do passado que atinge em cheio a moralidade pública nacional.

Fim do nepotismo II

Quanto maior for a pressão da sociedade, mais rápido a Câmara e o Senado terão de aprovar o fim do nepotismo. Pelo visto, a pressão tem sido tanta que o próprio presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, um dos maiores nepotistas do país, com sete parentes empregados no serviço público, se viu obrigado a instalar na próxima quarta-feira a comissão especial que vai preparar a emenda constitucional para ser votada em dois turnos no plenário da casa. A mesma coisa vai ocorrer quando a emenda for para o Senado.

Fim do nepotismo III

A expectativa é que o Congresso aprove a emenda do fim do nepotismo até o final deste semestre. Portanto, é bom os parentes de autoridades que estiverem empregados em cargos de confiança e de comissão do serviço público irem logo arranjando outro modo de ganhar a vida.

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 17 de abril de 2005
 COTIDIANO
 COLUNAS
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 CONTATOS
 
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
P E S Q U I S A