| COTIDIANO | |
Município de Jordão vai receber ajuda do governo do Estado Drenagem de igapós deve melhorar a cidade e combater surtos de malária |
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De passagem por Rio Branco, aonde veio solicitar ajuda para resolver alguns dos principais problemas de sua comunidade, o vice-prefeito do município de Jordão, Siã Huni Kuin, volta para sua cidade impressionado com as mudanças na continuidade do governo da Frente Popular de Jorge Viana para Binho Marques. “Cheguei para buscar ajuda do governador, mas ao visitar os secretários fui conseguindo a solução dos problemas, por isso, quando encontrei Binho durante a visita que fez à Biblioteca da Floresta, no sábado, aproveitei para agradecer pelo atendimento que recebi da sua equipe”, explicou Siã. A primeira de suas reuniões foi com o secretário estadual de Obras Públicas (Seop), Eduardo Vieira, a quem solicitou apoio para a melhoria da estrutura de sua cidade. “Aproveitei também para pedir que inclua a reforma e melhoria do Kupixawa no projeto de reforma da praça Thomas Edison, ao lado da biblioteca Pública, no centro de Rio Branco. É que, apesar da distância, esse espaço é muito importante para a divulgação e venda dos artesanatos produzidos pelos povos indígenas do Acre”, declarou. Com Carlos Alberto, “Cacá”, secretário das Cidades, e Marcus Alexandre, diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), Siã discutiu e recebeu a promessa do envio de dois tratores, mais diesel e materiais para concluir os 1,2 mil metros da pista do aeroporto construído no município. “O rio e o aeroporto são os principais meios de acesso a municípios como o nosso, que não têm estradas. Vamos aproveitar as máquinas para melhorar as ruas e drenar a água dos igapós, que vem facilitando o aumento do número de casos de malária na nossa cidade. Com uma boa pista até o preço das passagens vai ficar bem menor.” A saúde continua sendo uma das principais preocupações dos moradores do Jordão. “No dia 15 de fevereiro nós realizamos uma reunião na aldeia Flor da Floresta. Lá elaboramos um documento contendo algumas das principais reivindicações do povo huni kuin que vivem nas terras indígenas do Alto e Baixo Jordão. A falta de pólo de saúde indígena no município fez com que mais de cem índios morressem de hepatite, malária e nesses últimos dois anos porque não tiveram como receber a assistência médica adequada.” Um relatório foi elaborado pelas lideranças indígenas e terá de ser executado de 2007 a 2010. Nele lamentam a desastrada política indigenista que sempre imperou no Brasil com todos considerando que os índios precisam ser tutorados, por isso hoje querem apenas ter seu movimento apoiado pelos governos e ONGs para que possam agir de modo auto-suficiente. “Já é hora de definirmos nosso próprio caminho, sem constrangimento da sociedade em que vivemos. Temos que ser firmes e fortes para dar prosseguimento às atividades relativas ao Programa Indígena Participativo para o Estado do Acre. É necessário um programa que atenda realmente as demandas das 15 etnias do Estado. Os jaminawas, manchineris, madijas, ashaninkas, araras, hunis kuis, poianawas, nukinis, nawas, yawanawas, katuquinas, apurinãs, contanawas e shanenawas”, afirma o documento depois de discorrer sobre o pouco ou nenhum resultado positivo dos programas até agora implantados com a promessa de atender as necessidades das comunidades indígenas acreanas. O documento também enfatiza que o movimento pertence aos povos indígenas e não aos órgãos federais, ONGs ou a partidos políticos que sempre se arvoram como protetores desses povos, sendo assim mais beneficiados do que eles mesmos. “A comunidade indígena tem firmeza e força suficiente para organizar o movimento indígena com segurança e respeito. Não precisamos de gerentes e patrões”, reza o documento. Apelando à Constituição Federal no que tange à igualdade de direitos entre os cidadãos brasileiros, o movimento indígena reclama mais igualdade no repasse de recursos a todas as aldeias indígenas do Acre. Eles consideram que alguns têm sido bastante beneficiados, enquanto a grande maioria das comunidades recebe pouca ou nenhuma ajuda do poder público e mesmo das organizações não-governamentais que se propõem a trabalhar com eles. Destacam os povos jaminawas, madijas e araras como estando entre os mais discriminados por viverem em áreas mais isoladas e terem menor representação política. Na paz e na guerra Siã lembrou que conheceu Binho ainda no início da luta pelos povos da floresta, ao lado de Chico Mendes quando o ex-governador Jorge Viana era ainda estudante e o atual senador Tião Viana um médico em início de carreira. “Somos todos amigos que lutamos juntos por um mesmo ideal. Cada um de nós está buscando o melhor para seu povo. Binho sempre foi uma pessoa bastante rigorosa, mas de coração sensível. Ele saber ouvir as coisas com o coração”. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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