| COTIDIANO | |
Porto Acre investe na bacia leiteira Produtores familiares querem tecnologia para melhorar pastagens e o rebanho para aumentar a produção |
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Dar cada passo conforme o tamanho das pernas. Essa é a proposta que está sendo encarada pelos produtores interessados em ampliar em quantidade e qualidade a produção da bacia leiteira no município de Porto Acre. A proposta é elevar a produção de 6.500 para pelo menos 15 mil litros de leite por dia, até 2.010. A proposta pela qual cada produtor receberá o apoio de acordo com o estágio em que esteja sua criação, foi aprovada durante reunião realizada sábado na escola Edmundo Pinto na Vila Humaitá. Dela participaram o senador Sibá Machado, prefeito Ruy Coelho, delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário Zé Maria, representante da Seater, Idaf, Seap, Sebrae e representante do Banco do Brasil. Lembrando que a boa produtividade leiteira está baseada no tripé formado pela boa qualidade genética, alimentação e infra-estrutura, ficou claro que ao lado da garantia de tráfego nos ramais de inverno a verão, fica a necessidade de recuperar o solo e as pastagens degradas, formar capineiras e plantar forrageiras porque as vacas brancas (gir e nelore) que hoje produzem de três a quatro litros de leite por dia, quando melhor alimentadas produzem o dobro. Beneficiando uma média de 6.500 litros de leite por dia, o Lacticínio Buriti é a única industria de leite que está sobrevivendo no município onde os produtores familiares já não podem mais desmatar para ampliar suas lavouras e pastos, nem tem recursos necessários para recuperar as áreas degradadas. “O aumento da produtividade e da qualidade na bacia leiteira de Proto Acre só acontecerá se atuarmos da maneira organizada, planejando ações com metas específicas para serem atingidas em determinado prazo. Dentre os problemas mais graves temos o desgaste das pastage4ns e as péssimas condições de tráfego nos ramais. Durante o inverno temos a maior produção de leite, mas os buracos e a lama impedem que os produtores tragam o leite para a usina”, advertiu o empresário Joafran Nobre que é proprietário do Lacticínio Buriti. Caminho do desenvolvimento Com suas ações voltadas ao desenvolvimento do setor produtivo, o senador Sibá Machado fez questão de que a maior parte da reunião fosse dedicada a ouvir os produtores, aos quais esclareceu que: “Até hoje a política agrícola do Acre tem sido atender a zona rural como um todo sem focar objetivos específicos e desta forma não temos chegado aos resultados que queremos. Por isso, a partir de agora temos de focar ações como esta voltada especificamente para o atendimento à bacia leiteira, pois com dinheiro no bolso é certo que os produtores vão poder investir em outras atividades produtivas que irão melhorar ainda mais sua renda”. Acompanhado por diretores da Cageacre e outros órgãos voltados ao atendimento do produtor, Sibá esclareceu que o Pacto Agrário assinado em setembro do ano passado previa um investimento de R$ 25 milhões no setor, mas graças à atuação de toda a bancada federal esse valor já ultrapassa os 50 milhões. No entanto, esses recursos precisam ser bem aplicados e por isso serão priorizadas as linhas em que houver maior número de produtores ou produção que justifique o investimento tanto no que se refere à melhoria dos ramais, rede elétrica, assistência técnica e crédito. Diante do receio dos produtores em investir, Sibá lembrou que o consumo diário de leite, em Rio Branco e cidades próximas atinge hoje 240 mil litros por dia enquanto a produção mal atinge os 60 mil litros dia, o que dá uma idéia da ampla margem que ainda há para ser ocupada pelos pecuaristas locais. Agente do programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) do Banco do Brasil Geraldo Oliveira que assume nesta semana as ações voltadas para a produção familiar. Ele lembrou que há pouco mais de quatro anos o banco liberava uma média de 400 mil reais ao ano para esse segmento, liberação que vem atingindo a média de 16 milhões pó ano. “Dinheiro existe, principalmente agora que o presidente Lula definiu como prioridade a agricultura familiar. Mas é necessário qu7e as pessoas se organizem e façam bons projetos para conseguir ter acesso a ele em condições facilitadas como o que oferecemos com juros de 3% ao ano e prazo de cinco a dez anos para pagar”. Altos e baixos Apoiando a iniciativa de Sibá e os produtores, o prefeito de Porto Acre, Ruy Coelho fez questão de destacar que desde a criação do projeto de Colonização Humaitá vários empreendedores tentaram instalar ali seus lacticínios e acabaram falindo porque as condições não eram favoráveis ao negócio. “Hoje temos pelo menos 128 famílias vivendo da produção de pelo menos sete mil litros de leite por dia. Além do apoio pessoal, o senador Sibá repassou R$ R$ 100 mil para a prefeitura para que construíssemos o Centro de Difusão de Tecnologia que logo será inaugurado para atender nossos produtores repassando a eles o que há de melhor em tecnologia para melhorar a produção no campo”. Seu secretário Municipal da Agricultura, Manoel Pereira da Silva, que é um dos assentados do projeto Humaitá enviou sua filha Francisca Hélida para participar do curso de cinco meses promovido no ano passado pelo gabinete do senador em parceria com a Embrapa, Seater e Sebrae no ramal da Enco, em Plácido de Castro. Treinamento do qual participaram cinco jovens de Porto Acre com foco no desenvolvimento da bacia leiteira. “Aplicando as lições aprendidas por minha filha durante o treinamento nós já fizemos várias mudanças em minha colônia e outras ainda serão feitas. Isso é bom porque faz com que nossos filhos tenham novas perspectivas e valorizem mais a colônia. Mas um de nossos maiores problemas é o ramal, pois mesmo com as vacas comuns a gente tem condição de tirar pelo menos 50 litros de leite por dia, mas não estamos vendendo nada porque o ramal não condição para escoar a produção”, lamentou. A produtora Ilse Rusch que vive na colônia São João localizada no quilômetro 52 da estrada de Porto Acre até 2003 produzia uma média de 240 litros de leite por dia, mas problemas na coluna e, principalmente o aumento constante no preço dos insumos nunca acompanhado pelo preço pago pelo leite entregue às usinas acabou por desestimulá-la a tal ponto que hoje vende uma média de 60 litros por dia. “Eu tinha 70 vacas selecionadas, hoje estou com 48 e diminuindo cada vez mais o plantel porque desanimei de trabalhar sem ter retorno nem apoio de ninguém. A proposta que estão fazendo agora é bem interessante, mas é preciso que ao invés de apenas falar, nossas autoridades façam as coisas acontecerem”, disse ela antes de fazer um alerta: “Quando chegamos ao Acre as terras eram novas, agora estão ficando velhas e cansadas, em dez anos todos precisarão adubar o pasto ou não haverá produção”. Morador do quilômetro dois da linha seis o produtor José Caetano de Brito, 65 anos, 7 filhos, mais conhecido como Ceará relatou: “Desmatei, fiz lavoura e depois semeei pasto há 25 anos, hoje a terra está fraca, o capim morreu, o gado não tem comida que preste e assim não produz grande coisa. O problema é que eu não tenho dinheiro para pagar os R$ 80 a hora pelo trator pra mecanizar a terra e recuperar a pastagem, mas se financiarem eu também vou querer produzir leite”. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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