POLÍTICA

Setor moveleiro do Juruá ganha novo impulso

 


Sandra Assunção


Nos últimos cinco anos, o setor moveleiro do Juruá vem sendo transformado, passando das dificuldades nas vendas até chegar á exportação. Nesta fase de revitalização o Sebrae e governo do Estado, têm papel fundamental.

Neste novo momento, as 13 indústrias da associação dos moveleiros, fazem móveis e portas para enviar para a Venezuela, vão ganhar um pólo moveleiro dentro do Distrito Industrial de Cruzeiro do Sul, que está sendo erguido pelo governo do Estado e executam um plano de manejo que garante madeira sem problemas ambientais. Receberam ainda do governador Binho Marques, garantias de que os móveis escolares e de repartições públicas da região, serão adquiridos das marcenarias e movelarias do Juruá.

Passos - Para chegar á atual situação, os moveleiros tiveram que “reaprender” a fazer móveis que o mercado queria, mais modernos e com pronta-entrega. Muitas marcenarias de Cruzeiro do Sul perdiam clientes que faziam encomendas e recebiam os móveis somente meses depois.

Por meio dos mais de 30 cursos do Sebrae para o setor, os moveleiros aprenderam novos designes de móveis, que ganharam detalhes em marchetaria. O contraste entre as cores é outro detalhe que diferencia os móveis do Juruá. Os moveleiros da região têm ainda a seu favor, a abundância de madeira de qualidade, que existem em menor escala em outras regiões do Acre, como o angelim , o mulateiro. “Com os cursos do Sebrae a beleza e qualidade dos móveis melhorou muito e seguimos a tendência de mercado. Graças a este novo momento, nossos móveis e portas despertaram interesse de empresários da Venezuela, que querem quase mil portas por mês”, esclarece Hélio Pedroza, presidente da Associação dos Moveleiros do Juruá.

Agora, a parceria com o governo do Estado e Sebrae, deu oportunidade para a Associação dos moveleiros, executar um plano de manejo madeireiro em 16 lotes no Paraná dos Mouras, localidade rural de Rodrigues Alves. A intenção dos moveleiros é retirar madeira da localidade ainda este ano. Até agora os moveleiros utilizam madeira oriunda de restos de desmate autorizados pelos órgãos ambientais. “Com o plano de manejo vamos ter mais facilidade em conseguir a madeira e o mais importante: sem nenhum problema ambiental, esclarece Hélio, lembrando que o plano de manejo beneficia também a comunidade do Paraná dos Mouras”. As movelarias da região utilizam cerca de 700 metros cúbicos de madeira por ano e o metro cúbico da madeira alcança R$ 300,00 o metro.

Recentemente a presidente da Associação das Indústrias de madeira de manejo do Acre, Adelaide Fátima e o gerente de recursos florestais do IMAC, Roberto França, ministraram palestra sobre as facilidades e os benefícios financeiros e ambientais do manejo. Na região há três planos de manejo madeireiro em execução: dois particulares e o dos moveleiros. Depois da palestra, outros empresários do ramo se interessaram pelo plano. “Sabemos que hoje só permanece no mercado de móveis quem trabalha corretamente do ponto de vista ambiental. Então a tendência é que nós trabalhemos não só nos lotes do Paraná dos Mouras, mas em várias outras áreas, fazendo dos móveis do Juruá uma referência com relação á móveis ecologicamente corretos”, esclarece Hélio Pedroza.

Com relação ás compras governamentais de mobiliário escolar e para as demais repartições, Laiz Mappes, gestora do projeto de móveis do Sebrae de Cruzeiro do Sul, diz que é uma forma do governo incentivar ainda mais os moveleiros. “O governo doou o terreno para a instalação do Distrito Industrial, onde o Pólo Moveleiro vai ser instalado e agora auxilia também na busca por recursos junto ao BNDES e outras instituições financeiras”. Em pouco tempo a indústria de móveis de Cruzeiro do Sul poderá concorrer de igual para igual com empresas de qualquer lugar do Brasil, finaliza Lais Mappes.

 
 
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Rio Branco-AC, 17 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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