COTIDIANO

Comércio de vale-transporte

Facilidade no troco e preço em conta levam maior parte dos usuários a procurar “ficheiros” para adquirir passagem

Marcos Vicentti
Alguns ficheiros afirmam ganhar
até três salários mínimos por mês


Whilley Araújo

Eles estão diariamente nas imediações do terminal urbano e de outros pontos de ônibus com grande movimentação na cidade. Não são apenas adultos - também fazem parte desse grupo pessoas idosas, adolescentes e até crianças.

Mais conhecidos como “ficheiros”, os revendedores de vale-transporte estão sendo ainda mais procurados por usuários dos transportes coletivos depois do aumento no preço das passagens, quando a falta da moeda de dez centavos para o troco se transformou num grande problema.

Segundo os próprios clientes dos ficheiros, a facilidade de receber o troco e o preço que é cobrado pelas passagens de ônibus são os principais fatores que influenciam para a compra do vale-transporte de revendedores e não do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo do Acre (Sindcol).

“Eu compro vale-transporte dos ficheiros porque eles sempre têm em mãos os centavos de troco, sem contar que a maioria dos revendedores vende a passagem por um preço inferior ao que é cobrado na entrada do Terminal Urbano”, afirma Fátima Carmen Silva, auxiliar de enfermagem.

Ela garante que adquirir o vale-transporte de um ficheiro também reflete em economia de tempo, além de ajudar pessoas carentes a garantirem o sustento de suas famílias. “É bem melhor comprar a passagem de ônibus mais barata de uma pessoa que necessita desse dinheiro do que pagar mais caro para os empresários, que já estão ricos”, enfatiza.

Há mais de 12 anos vivendo do lucro obtido pela comercialização de vale-transporte, João Gomes da Silva revela que vende em média 200 passagens por dia. Ele conta que adquire os vales de funcionários públicos e de empresas privadas que ganham o benefício e deixam de utilizá-lo por possuírem carros, motos e bicicletas.

“Nós compramos essas passagens por determinado valor e revendemos por 10 ou 20 centavos a mais, dependendo de quanto a pessoa está disposta a pagar e ainda da fidelidade do cliente”, explica João Gomes.

Para garantir que não faltem as moedas, que são usadas para dar o troco dos clientes, João diz que compra o dinheiro metálico nas “banquinhas de bombom”. “Se eu estiver precisando de R$ 30, tenho que pagar R$ 33 para que seja feita a troca das cédulas pelas moedas, já que o proprietário da banquinha tem que ganhar pelo menos 10% de lucro”, destaca.

Pai de gêmeas e trabalhando há sete anos como ficheiro, Cleison da Silva Souza assegura que sua atividade rende no fim do mês aproximadamente três salários mínimos. “O bom é que eu sou o meu patrão e faço o meu horário, ganhando uma remuneração razoavelmente satisfatória, porém, também tenho que esquecer férias e outros benefícios”, frisa Cleison.

A fidelidade dos clientes, os quais Cleison já conhece grande parte por nome, faz com que o ficheiro seja um dos revendedores com maior lucratividade nas imediações do terminal urbano. “O preço pelo qual eu vendo o vale-transporte, normalmente 10 ou 20 centavos mais barato que os demais concorrentes, também é fundamental para obter um bom resultado nas vendas, já que isso atrai muito os usuários dos coletivos”, destaca.

 

 
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