COTIDIANO

Hortas que transformam vidas

Num terreno emprestado pela vizinha, gari cuida da horta que já o faz sonhar com um novo futuro para a família

Juracy Xangai
Sebastião rega verduras plantadas
no terreno emprestado pela vizinha


Juracy Xangai

Diz o provérbio popular que a necessidade é a mãe da criatividade, no entanto, a grande maioria das pessoas sofre com os mais diversos problemas, mas não reage, não toma uma atitude que a curto, médio ou longo prazo remedeie a situação ou resolva o problema.

Sebastião Nascimento Bezerra, 29 anos, pai de um filho, morador da invasão do Novo Horizonte, no Bairro da Floresta trabalha como gari na TRT e é uma dessas pessoas que ao invés de ficar sentado se lamentando da vida, se mexe e toma atitudes que estão em condições de ser realizadas.

“A gente trabalha bastante, mas o salário não é muito, então é preciso fazer ele render mais. Foi por isso que pedi à vizinha este pedaço de terreno emprestado para fazer uns canteiros de couve, cebolinha para melhorar a comida lá de casa e até vender outra parte. Foi a melhor coisa que eu poderia ter inventado”, garante o gari que gasta suas horas vagas cultivando ou vendendo verduras.

A idéia surgiu a partir das conversas com seu cunhado, o qual sobrevive exclusivamente do plantio de verduras e que, com isso, consegue ter uma renda bem superior à de Sebastião que pegou com ele as primeiras noções de cuidar da horta.

“Moro neste bairro há 14 anos e nunca tinha pensado que valesse a pena cuidar de uma horta. Mas, pensando bem, se fosse só pra comer eu já estaria no lucro, pois comprando couve, cebolinha, pimenta, maxixe e essas coisas, a gente gasta pelo menos um real por dia, isso no final do mês dá uma base de 30 reais, é dez porcento de um salário mínimo, então ajuda bastante”. Avaliou ele.

A segunda vantagem está nas vendas que, embora não sejam muitas, garantem retorno financeiro: “Plantei um pouco mais do que precisava para casa e estou ampliando a horta. Isto porque colho, faço os mós de couve e cebola e saio oferecendo nas casa, vende que é uma beleza, não dá pra quem quer”.

Sonho de vida - Sebastião aprendeu com o cunhado que para produzir verduras de qualidade o que precisa é um pedaço de terra, disposição para trabalhar, água e um pouco de esterco para adubar os canteiros. Mas confessa que embora nunca tivesse pensado em montar uma horta, descobriu nela uma nova vocação de vida.

“A gente vive de salário porque é o jeito, mas tem de dar graças a Deus porque muitos nem isso tem. Sempre quis ter uma colônia, fazer roçado, criar gado, porco, essas coisas, mas descobri queda para viver bem cuidando de horta que é bem menor. O problema é que o dinheiro ainda não dá para comprar um terreno. Hoje meu sonho é ter um pedaço de terra, não precisa ser muito grande, até já pensei em pedir um desses lotes que a prefeitura oferece nos pólos, mas acho que é muito difícil da gente conseguir”.

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
Rio Branco-AC, 17 de setembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A