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A história de Toquinho e Mila |
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Atualmente, o casal trabalha numa colônia no ramal Porto Carlos. Ele recebe R$ 400 por mês, mas não abandonou sua colocação. Deixou no local um outro brasileiro, que divide meio a meio com ele tudo o que é produzido. Na área escolhida dentro do Seringal San Vicente, plantou 4,5 mil covas de mandioca, mamão, arroz, milho, 80 pés de banana, cana-de-açúcar e cria vários animais domésticos. “Vou esperar a situação se tranqüilizar para voltar. O problema é que não temos informações corretas. As que chegam pelo rádio são que iremos ser expulsos”, lamenta Toquinho. Toquinho é como foi registrado Evaldo dos Santos Mesquita. Maria Lusmila Gonçalves Torres é o verdadeiro nome de Mila. Os dois têm histórias diferentes que se cruzaram numa visita que ele fez à colocação dos pais dela, no Seringal Aliança, no Rio Tahuamanu. “Foi amor a primeira vista”, garante Toquinho. Vivendo felizes, cada um teve um motivo para se embrenhar na floresta. Ele fez essa opção porque não conseguia se concentrar nos estudos. Por isso, aos 12 anos, decidiu que seu lugar era na zona rural. Trabalhou anos no Brasil, até optar pela Bolívia. “Se eu tivesse ficado na cidade, nem sei o que seria de mim. Talvez nem vivo estivesse. Aqui, tenho fartura e ainda mando feijão e arroz para minha mãe, que mora em Brasiléia. A floresta é nosso açougue”, revela. Se morar no seringal foi uma opção de Toquinho, o mesmo não se pode dizer de Mila. Casada em Ariquemes, ela cansou de ser maltratada pelo marido. Aconselhada por amigos e por parentes do esposo, abandonou até os três filhos para não morrer. A decisão lhe trouxe a tranqüilidade conjugal, mas veio acompanhada do tormento da saudade. É comum vê-la chorando com saudade dos filhos. Na hora da partida, há quatro anos, seu filho mais velho perguntou para onde ela iria. Mila respondeu que não sabia, mas que voltaria para buscá-los. O menino retrucou: “Sei que nunca mais verei a senhora”. Hoje, Mila acalenta o sonho de reencontrar seus filhos. A idéia é compartilhada por Toquinho. Enquanto esse momento não chega, os dois vão trabalhando no Brasil esperando a hora de retornar para a pequena casa de um cômodo construída dentro da floresta boliviana. “Aqui a gente vive oprimida pelo patrão. Ele põe o preço que quer na castanha. Mas é melhor do que no Brasil, onde não temos direito nem a ter posse.” |
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