COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
POLÍTICA

Repúdio a Alckmin

Candidato do PSDB culpa o Acre por problemas de segurança no país e é criticado pela classe política local

 


Val Sales e Tião Maia

O candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, vai fazer companhia ao escritor Diogo Mainardi na galeria dos autênticos inimigos do Acre e de seu povo. Assim como o colunista da revista “Veja”, que fez chacota num programa de TV afirmando que o Estado foi trocado com a Bolívia ao preço de um cavalo, o candidato do PSDB disse que parte da droga e das armas que abastecem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e outras facções criminosas que assustam São Paulo e dos problemas de segurança pública no país entraria no país através do Acre por fragilidade na fronteira com a Bolívia e o Peru.

A declaração foi feita por Alckmin no horário eleitoral, na última quarta-feira, e ganhou imediatamente o repúdio da sociedade e dos dirigentes do Estado. O governador Jorge Viana soube da declaração em Rondônia, onde participa de atividades políticas em apoio à candidata do PT ao governo daquele Estado, senadora Fátima Cleide. Ele reagiu assim: “Isso mostra o desespero e o despreparo do candidato do PSDB. Desespero porque, sabendo que será derrotado no primeiro turno, ele faz declarações polêmicas a fim de forçar um segundo turno. E o despreparo fica evidente porque isso mostra que ele não conhece a Amazônia, tampouco o Acre”.

Ainda de acordo com Jorge Viana, se Geraldo Alckmin tivesse de fato vindo ao Acre e não apenas passado algumas horas no aeroporto de Rio Branco saberia que, apesar dos problemas de fronteira, o Governo do Estado, com o apoio do Exército, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, tem dado respostas ao tráfico de drogas e de armas na região. “Temos problemas porque vivemos de fato numa vasta região de fronteira, mas jamais poderíamos ser responsabilizados por um problema de segurança em São Paulo. Os problemas que o povo paulista enfrenta são decorrentes da falta de ação dos governos do PSDB no combate ao crime organizado. Diferentemente do que fizemos aqui no Acre, quando unimos as instituições para desarticular o crime organizado, em São Paulo os criminosos sempre contaram com a divisão das instituições e de seus dirigentes. É isso que acontece quando um problema grave como o da segurança pública é partidarizado”, disse o governador.

O senador Tião Viana, vice-presidente do Senado, disse lamentar que Geraldo Alckmin tenha feito declarações são infelizes. “É uma tentativa de agredir o governo do presidente Lula. Uma declaração infeliz e que não está à altura de um homem que postula a Presidência de um país como o Brasil”, disse o senador Tiao Viana.

O presidente regional do PT, senador Sibá Machado, disse que há muito tempo o candidato do PSDB vem dando demonstrações de destempero e de descontrole. “É o sentimento de derrota. Certo de que não tem chances diante da candidatura do presidente Lula, Alckmin vem se desesperando e agindo de forma inconseqüente”, disse Sibá.

Ex-secretário de Segurança Pública no Estado, o deputado estadual Fernando Melo também se manifestou sobre as declarações de Alckmin e anunciou que vai tentar aprovar na Assembléia Legislativa uma moção de repúdio ao ex-governador paulista. “Esse tipo de declarações serve para ilustrar o que é a oposição no Acre e como ela se comporta. É uma elite que não tem compromisso com o povo acreano e seus valores”, disse Melo. “Esses ataques ao povo acreano devem ser creditados aos aliados de Alckmin no Estado.”

“O Alckmin está muito mal assessorado”, disse a deputada federal Perpétua Almeida, cujo mandato na Câmara tem sido dedicado à Amazônia e à segurança nas fronteiras do país. “É por isso que ele não sabe que o Acre conseguiu desarticular o crime organizado. O Acre é um Estado em que os bandidos não mandam recados ao governo, como o PCC costuma fazer em São Paulo”, disse a deputada.

De acordo com Perpétua Almeida, ao invés de fazer declarações infelizes como a que relacionou o Acre, Geraldo Alckmin deveria reunir seus aliados em São Paulo para fazer cessar as ações do crime organizado naquele Estado. “O governo de São Paulo precisa se afirmar enquanto governo e botar moral no seu sistema de segurança e de administração penitenciária, que é uma bagunça generalizada e onde os bandidos mandam mais que as autoridades”, afirmou.

Ela disse ainda que o presidente Lula já esteve no Acre por diversas vezes e que cada vez mais gosta dos acreanos, sendo que Alckmin passou poucas horas no Estado e saiu falando mal da segurança pública, cuja a atuação ele desconhece. Segundo Perpétua, o presidente Lula já declarou que em todo o país observou apenas dois Estados que cantam o seu hino: o Acre e o Rio Grande do Sul. “O Acre pegou em armas há cem anos para defender sua autonomia e seu povo continua sendo guerreiro na hora de cobrar respeito por parte das pessoas mal intencionadas e que desconhecem os nossos valores”, completou.

Para o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado estadual Edvaldo Magalhães (PC do B), o candidato do PSDB está tentando transferir para a Amazônia e para o Acre um problema - o da segurança pública - que ele não conseguiu resolver em São Paulo. “O Alckmin é o pai do PCC e filho da desorganização que tomou conta do sistema carcerário e de segurança de São Paulo”, afirmou o deputado.

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 17 de setembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A