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Maria Regina Canhos Vicentin * |
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Nas teias da paixão (um olhar sobre o caso von Richthofen) Outubro de 2002. O casal Manfred (49) e Marísia (50) von Richthofen dormem tranqüilamente até serem brutalmente assassinados pelo namorado da filha, Daniel Cravinhos, e seu irmão Christian. Os mesmos que há poucos dias conquistaram, após três anos de prisão, a possibilidade de aguardar o julgamento em liberdade. A filha do casal, Suzane, que havia confessado a prática do crime por amor ao namorado, já estava solta há cinco meses. O que mais revolta a população, creio eu, é o fato do homicídio qualificado ter pena estabelecida entre 12 e 30 anos, enquanto que os culpados foram soltos até em menos de três anos, como é o caso da filha do casal. Foi Suzane quem abriu as portas da casa, cuidou de detalhes como desligar alarmes, limpar a cena do crime, esconder provas e simular o roubo. Com a morte dos pais, Suzane planejava receber a herança e passar a viver junto de seu namorado Daniel. Interessante é notar que Suzane era estudante de direito, faixa preta em caratê, fluente em inglês, alemão e espanhol, rica, jovem e bonita. O que a levaria participar de um crime tão bárbaro e, ainda mais, contra seus próprios pais? Ela disse que foi por amor, apesar de recentemente ter declarado que não pretende sequer ver o antigo namorado. Se a gente aguça um pouco o olhar, dá pra perceber que a moça não estava acostumada a receber um “não” como resposta. Na verdade, ela tinha tudo o que o dinheiro podia comprar e não trabalhava para isso, usufruindo o patrimônio que seus pais alcançaram ao longo da vida. Algumas pessoas crescem tendo suas vontades satisfeitas “por amor”. Porque queremos expressar nosso amor pelos filhos, e também porque queremos que nossos filhos nos amem. Se você é um pai ou uma mãe de estômago fraco, sugiro que pare de ler este artigo por aqui. Daqui para frente eu vou repetir algumas palavras que foram escritas, na época do crime, por uma psicopedagoga que não recordo o nome: “Educar dá trabalho. Você tem de dizer “não” a todo momento”. Não, não pode. Não, não quero. Não, ainda é cedo pra você. Não, você ainda não está preparado. Há alguns meses, um cliente de 13 anos queixava-se que sua mãe o proibiu de freqüentar as baladas, enquanto que seus amigos já o fazem. Ele estava se sentindo injustiçado e raivoso. Ora, eu lhe esclareci que sua mãe tinha todo o direito de procurar educa-lo da forma como ela julgava correta, principalmente levando em conta que ele ainda não tinha maturidade suficiente para se defender de possíveis situações que poderiam lhe ocorrer. Ao final de nossa conversa, meu pequeno cliente estava convencido de que sua mãe realmente o amava e queria o seu bem. Facilitando as coisas para o filho, ela somente estaria expondo o adolescente a riscos desnecessários, e antecipando um momento que, com certeza, ocorreria naturalmente dentro de alguns anos, sem queimar etapas importantes em seu amadurecimento. A imposição de limites é fundamental na educação dos filhos. Acostumados a ouvir “não” desde cedo, aprendem o que lhes é conveniente, o que lhes é possível, e acima de tudo, o respeito à autoridade dos pais. Suzane, com certeza, não havia aprendido isso. Psicóloga, Bacharel em Direito, Pós-graduada
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