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POLÍTICA

Moisés Diniz envia carta de repúdio ao governador do Mato Grosso

 


Val Sales

O deputado Moisés Diniz (PC do B) enviou uma carta de repúdio ao governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, devido ao suicídio do ambientalista Francisco Anselmo de Barros, ocorrido no último domingo. Franselmo, como era conhecido, ateou fogo no próprio corpo, para protestar contra a instalação de usinas de álcool em torno do Pantanal. Todas as instituições que defendem o meio ambiente e o próprio MMA são contrários à criação dessas usinas.

A carta do parlamentar acreano também foi enviada ao presidente da Assembléia Legislativa daquele Estado e às organizações de meio ambiente, além de jornais e instituições federais, como Ministério do Meio Ambiente, da Justiça, da Agricultura e aos presidentes do Senado e da Câmara Federal.

No texto, Diniz lembra que Francelmo era contra o projeto 170/05, do governo do Mato Grosso do Sul, que vai permitir a instalação de usinas de álcool na Bacia do Alto Paraguai, no Pantanal. A proposta esbarra ainda na resolução 001/85 do Conama, que suspende a concessão de licenças ambientais para usinas nas bacias que se ligam ao Pantanal. A mesma também fere a Lei Nacional de Recursos Hídricos (nº. 9.433/97).

“Francelmo se apaixonou pelo futuro. Ele queria uma Amazônia cuidada, com os seus rios, a sua floresta e a sua beleza. O ambientalista, na verdade, se apaixonou pelas futuras gerações, por nossos filhos”. Ressalta o parlamentar na carta. Segundo ele, aquele governo defende a proposta sob o argumento de que existem tecnologias avançadas para evitar danos ao meio ambiente e que a medida permitirá a geração de emprego e renda para Estado. “Empregos para quem? Renda para quem? a que custo? Foi o que disseram também as petrolíferas quando tentaram extrair petróleo nas regiões geladas. Foi o que disseram os madeireiros de Pedro Álvares Cabral. Foi o que disseram os governantes das capitanias hereditárias. “O povo quer sustentabilidade e preservação”, explica o texto.

Diniz frisou ainda que a morte de rios e de florestas não sensibilizou os governantes e nem as elites econômicas, e que a morte de peixes, de aves e de animais silvestres é música suave nos ouvidos do agronegócio, ou seja, o capital ri e segue em frente. “Fazemos um apelo à consciência humanista de vossa excelência. Viemos pedir em nome dos rios que estão morrendo na Amazônia, das milhares de plantas destruídas, que podiam vir a ser a cura de tantas doenças. Pedimos em nome da floresta que não pode gritar, dos peixes e dos insetos indefesos. Francelmo inaugurou, com a imolação da própria vida, uma nova fase na Amazônia. O povo vai se erguer em defesa da sua terra, da sua floresta, dos seus rios. De pé, exigiremos respeito e cuidados com o nosso presente, com a nossa sobrevivência como espécie e com o nosso futuro”.

 
 
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Rio Branco-AC, 17 de novembro de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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