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Emoção, música e poesia marcam a abertura da Semana Chico Mendes

Solenidade de abertura foi organizada pelo Comitê Chico Mendes, governo e prefeitura

Secom
Poronga usada por seringueiros adornou a cabeça dos participantesda solenidade

A abertura da Semana Chico Mendes, na última quinta-feira, dia 15, na Praça dos Povos da Floresta, foi marcada pela emoção. O governador Jorge Viana, a família de Chico - as filhas Elenira e Ângela e a neta Angélica -, políticos, representantes do Comitê Chico Mendes e de organizações não-governamentais prestaram suas homenagens a Chico Mendes, no espaço que abriga a escultura do líder seringueiro.

A solenidade, organizada pelo Comitê Chico Mendes em parceria com o governo do Estado e Prefeitura de Rio Branco, teve início com os acordes da música “Chico Rei”, de Tião Natureza, interpretada pelos músicos Charles Sampaio (guitarra) e Neemias Maciel (baixo), marcando o acompanhamento de um texto sobre a vida de Chico Mendes, lido pela atriz Karla Martins e o cantor Diogo Soares sobre a vida de Chico Mendes, escrito pelo historiador Marcus Vinicius das Neves.

Para compor o cerimonial foram convidados a subir ao palco o governador Jorge Viana, as filhas Ângela e Elenira, a neta Angélica, as representantes do Comitê - Júlia Feitosa e Raimunda Bezerra -, o ativista Abrahim Farhat (Lhé), a representante do Ministério do Meio Ambiente, Mari Alegretti, os parlamentares Edvaldo Magalhães, Moíses Diniz e Naluh Gouveia, o presidente da Fundação Elias Mansour, Gregório Filho, e o secretário municipal de governo José Fernandes do Rego.

A professora Raimunda Bezerra, amiga de Chico, iniciou as homenagens ao líder seringueiro falando da importância da Semana, que considera “um encontro de amigos”. Para ela, a Semana este ano celebra também a participação de jovens que abraçam seus ideais.

“Conversando sobre a carta do Chico, ‘Jovens do Futuro’, perceberemos que existe um grande número de jovens preocupados com os ideais que o Chico pregava. Esses jovens estão construindo ao seu modo o legado que Chico deixou. Eles estão organizando tudo, está dito na carta de Chico. Quero dedicar esta Semana a esses jovens. E também aos jovens como o governador Jorge Viana e outros companheiros de luta”.

Com sua verve de poeta, Abrahim Farhat, recitou a poesia de sua autoria Amazônica Raízes. Ao final, Lhé estendeu a homenagem aos líderes: Ivair Higino, Wilson Pinheiro, Matias e João Eduardo.

Apesar do pouco convívio com Chico Mendes, o deputado Moises Diniz, falou da simplicidade e humildade do líder seringueiro.

“Não convivi muito com Chico. Foram apenas dois momentos, que serviram para entender que ele não queria muita coisa, apenas escola, comida, dignidade para os povos. Aprendi isso. Parabéns ao Chico e a todas as pessoas que acreditam em seus ideais”.

Para a filha mais velha de Chico, Ângela Mendes, a Semana Chico Mendes todos os anos é uma reflexão em torno dos ideais de Chico.

“Nós nos reunimos para refletir sobre o significado desse momento. Em nome da família quero dizer que todos os anos essa data nos chega carregada de muita emoção. Mas, tenho o prazer em dizer que meu pai nos deixou um legado muito bonito, a nós e ao mundo. O que me conforta é perceber que ao meu lado existe uma adolescente, minha filha Angélica, que pensa muito no social, no meio ambiente, na cultura, que reflete e procura debater os ideais de Chico Mendes”.

O governador Jorge Viana prestou sua homenagem ao amigo de Chico Mendes. Viana e Marina Silva, juntamente com outros companheiros, são os defensores mais engajados na luta dos ideais do líder seringueiro. Para Jorge Viana, a data que celebra a Semana traz um significado de muita dor, pois foi nesse ambiente, próximo ao Natal, que o líder seringueiro foi assassinado.

Jorge Viana anuncia a construção do Memorial Chico Mendes

“Passado todos esses anos, hoje estou no Governo e procuramos fazer desse período um momento de discursos e debates que levem em frente à luta de Chico Mendes. Cercado por esses mognos existe o Chico simbolicamente representado. Essa marca vai ficar para sempre, as lutas e os embates. Os ideais de Chico percorrem o mundo, virou discussão em encontros internacionais sobre o meio ambiente”. Viana, aproveitou para revelar aos presentes à construção do Memorial Chico Mendes, um dos o projetos que conta com o apoio da família Mendes, do governo do Estado, do presidente Lula, da ministra do Meio Ambiente Marina Silva e do Comitê Chico Mendes.

“Tivemos a oportunidade de ver o projeto que será construído em Xapuri. A idéia é de uma construção na dimensão do Palácio Rio Branco, algo como um palácio dos povos da floresta, com salas, auditório, salão de exposição. Lá irão ficar os restos mortais de Chico Mendes. Tudo vai ser feito em consenso com a família, a Fundação e o Comitê. O Memorial irá receber turistas do mundo inteiro. Eles irão visitar a casinha onde Chico morava, a Fundação, o sindicato e o Memorial. Que Deus e Chico nos ajudem nessa missão, pois é uma tarefa de todos. Que Deus nos ajude na construção de um mundo melhor”.

Para encerrar o primeiro momento de homenagens, Elenira Mendes, filha de Chico, hoje à frente da Fundação foi convidada por Jorge Viana para fazer uso da palavra.

“Para mim é um momento de muita emoção. Essa é a primeira vez que estamos todos juntos, a família. A dor existe, a falta de ter o pai para beijar, para dar um presente. Mas, o que é importante é que ele nos deixou um legado de ideais, que precisam ser semeados pelo mundo. Acredito que cada um de nós precisa ter em mente essa missão. Quero agradecer a todos, aos jovens, ao governador Jorge Viana em especial, que tanto tem ajudado a florescer a luta de meu pai na busca por um mundo melhor”.

Após, a cantora Leila Hoffmann entoou a música “O manhã será novo dia”, de Guilherme Arantes, e todos foram convidados a seguir para o Theatro Hélio Melo, onde iria acontecer o show A Floresta canta: Chico, com a participação de Monteirinho, Alaíde Pinheiro, Sabá Marinho, Cícero Farias, Ivini Ferraz e Aghagildo. Esse foi um dos momentos mais emocionantes. Foram acesas 61 porongas, em alusão ao aniversário de Chico. As pessoas seguiram em caminhada com as porongas postas à cabeça, passando pelo Palácio Rio Branco até o Memorial dos Autonomistas.

Renascer

Gregório Filho

Amigos leitores, peço permissão para falar-lhes com emoção desse dia 15 de dezembro de 2005.

61 porongas acesas – 61 amigos e admiradores e ainda as filhas e as netas. Uma procissão. Uma promessa. Um empate. À subida da rampa do Palácio Rio Branco olhei para traz, fixei o olhar naquela romaria. Voltei a vista para frente. Saíra da Praça dos Povos da Floresta cantando a música “O manhã será novo dia”, canção bastante conhecida e tocada nas rádios (do compositor Guilherme Arantes). Permaneci cantarolando a melodia e a letra até a porta do Memorial dos Autonomistas onde depositamos as porongas iluminadas... e iluminando os rostos dos romeiros: Ângela e Elenira (as filhas); Angélica e ...( as netas); Jorge Viana (Governador); Júlia Feitoza; Raimunda Bezerra; Marí Alegretti; Lúcia Helena (Comitê); o Lhé; o Guma; o Raimundo e o Antonio, o Aníbal e o Élson; a Maria e a Júlia, a Rita e a Rosa, o Francisco e o José, o Moacir... e os outros tantos companheiros. São muitos os que se incluem, até os jovens que são admiradores da história que é narrada, contada e escrita em prosa e poesia falando da trajetória de um homem que até hoje agrega e faz renascer a todo momento a consciência para a luta necessária ininterrupta para o desenvolvimento sustentável da Amazônia que considera os humanos. Melhor dizendo, que respeita a vida – dos humanos, dos vegetais, dos minerais, dos animais e demais seres que integram a cadeia da vida na floresta.

Festejamos dessa forma o aniversário de 61 anos de Chico Mendes. Os cantores e os músicos, os atores, os pintores, os escritores e poetas; os cineastas; os acadêmicos e os populares renderam suas homenagens no palco do Theatro Hélio Melo, num show em que as vozes seringueiras entoaram os bons forrós que os nossos corações guardados de Chico se enterneceram e juntos cantamos acompanhados da sanfona do Monteirinho e das sonoras vozes das crianças presentes com seus pais. Anúncio de que a luta continua.

Grato pelo consentimento e meus abraços fraternos para todos.

* Contador de História

Hino do seringueiro

(interpretado pelo seringueiro Sabá Marinho e por todos os participantes do show “A floresta canta Chico”).

“Vamos dar valor ao seringueiro/vamos dar valor a esta nação/pois é com o trabalho desse povo/que se faz pneu de carro e pneu de avião/pneu de bicicleta não é de requeijão/não é chifre de vaca que apaga a letra não/são produtos da borracha feito pelo nossa mão/fizeram a chinelinha/fizeram o chinelão/inventaram uma botina/que a cobra não morde não/tanta coisa da borracha/que não tem explicação/encontrei pedaço dela na panela de pressão”

 
 
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Rio Branco-AC, 17 de dezembro de 2005
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