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Acre pode ter mais R$ 160 milhões do BNDES para investir em programas sociais comunitários mais justos e sustentáveis

Cedida
Gilberto Siqueira (E), governador Binho
Marques (C) e representantes do BNDES
falam dos investimentos


Juracy Xangai

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que liberou mais de R$ 210 milhões para a realização da algumas das principais obras realizadas nos oito anos do governo Jorge Viana, agora pode liberar mais R$ 160 milhões num terceiro financiamento mais focado nos projetos de maior alcance social.

A promessa foi feita ontem pelo presidente do BNDES, Demian Fiocca, ao governador Binho Marques, que, acompanhado pelo secretário estadual de Planejamento, Gilberto Siqueira, foi entregar-lhe carta-consulta solicitando o fianciamento do BNDES 3.

“Os financiamentos liberados através dos BNDES 1 e 2 para o Acre deram muito certo porque sempre foram executados de maneira integrada, de forma a promover o crescimento econômico com o desenvolvimento socialmente justo e sustentável”, declarou Fiocca ao receber a nova proposta de financiamento solicitada pelo Acre. Através do BNDES 1, foram liberados R$ 50 milhões e mais R$ 160 através do BNDES 2.

Dupla comemoração

A boa acolhida foi complementada com a notícia da liberação de R$ 1,36 milhão pelo BNDES para que a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) possa dar continuidade ao desenvolvimento de seus projetos de pesquisas para o uso sustentável dos recursos naturais do Estado. No total, o projeto contará com recursos da ordem de R$ 2,8 milhões, sendo R$ 728 mil da própria Funtac mais R$ 294 mil da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), outros R$ 295 mil do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e R$ 132 mil liberados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

O governo do Estado não precisar dar contrapartida de recursos nem a Funtac precisará reembolsar o dinheiro, que dará um novo impulso aos projetos que ali vêm sendo desenvolvidos há anos. Exemplo disso é ter sido ela uma das primeiras instituições do Brasil a utilizar o sensoriamento remoto para controlar, através de imagens de satélite, os desmates e fazer a proteção de áreas da floresta amazônica no fim da década de 80 do século passado.

Canteiro de obras

Foi com os recursos liberados através dos BNDES 1 e 2 que a Frente Popular realizou em Rio Branco obras como a duplicação e urbanização da Avenida Ceará e Estrada Dias Martins e o Parque Tucumã.

No Segundo Distrito, a recuperação das fachadas do Acre antigo localizadas na rua Eduardo Assmar emoldurou as obras do Calçadão da Gameleira e contenção dos barranco do rio Acre.

Além da duplicação e urbanização da via Chico Mendes. Por ela se tem acesso ao Centro Olímpico com seu complexo comunitário destinado a estimular a prática esportiva entre adolescentes e jovens no complexo de que faz parte o Estádio Arena da Floresta.

Foi também com aqueles recursos que aconteceu a recuperação e ampliação do Mercado Novo. A reurbanização do Mercado Velho complementado com a recuperação das fachadas da rua Epaminondas Jácome no Centro da Capital. As pessoas agora usufruem do conforto promovido pelas obras de recuperação e ampliação do Terminal Urbano.

Já a cultura e a história foram valorizadas com a implantação da Usina de Comunicação e Arte João Donato, com a implantação do Memorial dos Autonomistas, pela recuperação do Teatro Plácido de Castro (Teatrão) e implantação da Biblioteca Especializada em Florestas Tropicais (Biblioteca Marina Silva) às margens do Parque da Maternidade.

Interiorizando investimentos - A exemplo da capital, também os municípios receberam obras que transformaram a paisagem das cidades e melhoraram a qualidade de vida das pessoas. Ações como a ampliação e modernização de ruas e avenidas que melhoraram a circulação de pessoas e veículos em municípios como Senador Guiomard, Plácido de Castro e Sena Madureira. A mais famosa das cidades acreanas, Xapuri, teve sua Rua do Comércio, um dos símbolos do apogeu da borracha, totalmente restaurada.

A duplicação e urbanização da avenida Mâncio Lima, principal via pública da capital naua. Ainda reforçando a infra-estrutura econômica do Juruá, foi construído o novo porto fluvial de Cruzeiro do Sul e recuperados os aeroportos de Feijó e Tarauacá.

Instrumentos do desenvolvimento

Para que tudo isso fosse possível, foram os recursos do BNDES 1 e 2 que financiaram a compra de patrulhas mecanizadas utilizadas na abertura, construção e recuperação das estradas e ramais, promovendo o desenvolvimento das atividades agro-florestais e de manejo da floresta. Garantiram a implantação dos silos graneleiros para atender aos produtores rurais de Plácido de Castro e Senador Guiomard.

Recursos que também garantiram a recuperação e modernização de agroindústrias para beneficiar a produção agroflorestal em Rio Branco, Feijó e Brasiléia. Apoiou os investimentos feitos nas áreas de manejo comunitário e permitiu a implantação do Complexo Industrial Florestal de Xapuri com suas indústrias de pisos e decks para beneficiar a produção de mais de 400 famílias manejadoras. Ainda no Alto Acre, a implantação do abatedouro de Aves em Brasiléia.

Fomentou projetos que estimularam a recuperação e a preservação de atividades produtivas e culturais características das comunidades indígenas situadas na faixa de abrangência das BRs 364 e 317, o que levou ao fortalecimento dessas comunidades e de suas organizações representativas.

E para dar publicidade a essas e outras ações realizadas pelo governo do Estado com recursos do BNDES e outras fontes financiadoras, foi constituído o Sistema de Comunicação Estadual - TV Aldeia, com a recuperação da Rádio Difusora e a implantação de rádios FM nos municípios, que agora recebem som e imagem de informações e diversões em tempo real que integra todo o Estado.

Ciência e tecnologia na floresta

A liberação dos recursos não reembolsáveis do BNDES para a Funtac, vem carregado de um caráter simbólico para com uma das primeiras instituições que realizaram uma defesa sistemática do uso sustentável da biodiversidade Amazônica. Sempre baseada no pioneirismo de estudos científicos apoiados no melhor da tecnologia de sua época.

Este R$ 1,36 milhão liberado através do Programa de Investimentos Coletivos Produtivos (Proinco) do banco, só acontece porque todos os projetos estão de alguma forma integrados entre si e voltados diretamente para o uso econômico e ambientalmente sustentável da floresta. Além de estarem claramente focados no desenvolvimento socialmente justo que tem o homem como centro de sua proposta para convivência harmônica com a natureza.

A sustentabilidade socialmente responsável leva dá preferência a projetos que se destinam a melhorar a qualidade de vida das famílias agroflorestais na construção de uma auto-suficiência que garantam segurança alimentar e dignidade com dinheiro no bolso. Por isso, a ciência está sendo usada para viabilizar os pequenos negócios familiares que organizados vão produzir ocupação e riqueza no campo e na cidade.

Diversidade na biodiversidade

A Fundação de Tecnologia do Acre que começou analisando a qualidade e resistência da imensa variedade de madeiras do Acre, hoje testa minerais não metálicos, estruturas de concreto, testa fontes alternativas de energia solar, biodiesel, o aproveitamento de resíduos industriais, como também o desenvolvimento de matérias primas mais baratas e eficientes para a construção de casas populares ou o calçamento de ruas, por exemplo.

Os recursos que agora estão sendo liberados serão investidos nos laboratórios de tecnologia de madeiras, produtos naturais e sementes florestais, pesquisa de produtos fitoterápticos e fitocosméticos, mais controle de qualidade de matérias primas vegetais e no núcleo de design do Pólo Moveleiro. Ainda os serviços de geosensoriamento e geoprocessamento remoto, além dos laboratórios de solos e materiais betuminosos.

 

 

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Rio Branco-AC, 18 de janeiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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