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Os formandos são: Abraão Alencar Miranda, Aurélio Álvaro Veslaco Machado; Délcio Damasceno da Silva, Fernanda Rodrigues Fernandes, Guido Wagner Vilhamor Júnior; Lucas José Lira Borges, Nilton Amorim Mazusy, Renato de Paiva Gomes, Regis Augusto Hashimoto e Sebastiana Vieira de Moraes

Sonho concretizado

Faculdade de Medicina do Acre forma sua primeira turma; movimento liderado por Tião Viana já é um projeto consolidado com capacidade de formação de 40 profissionais por ano a partir de 2008

 


Tião Maia e Flaviano Schneider

O que era sonho de uns poucos visionários e ao mesmo tempo motivo de chacota de céticos e de oposicionistas, o curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) forma sua primeira turma hoje. Ontem, aconteceu a “aula da saudade”, última atividade acadêmica. À noite, houve missa na Igreja Santa Inês. Hoje haverá a colação de grau e amanhã, o baile de formatura. Reconhecido pelo Ministério da Educação através da portaria 1.083, no dia 28 de dezembro de 2007, cinco anos depois da aula inaugural, o curso põe no mercado de trabalho 10 médicos e passa a ser um projeto consolidado com capacidade de formar, a partir de 2009, uma média de 40 profissionais por ano.

No momento, em seis turmas, o curso tem mais de 200 alunos. “Entre outros aspectos, a implantação desse curso médico no Acre vai reduzir, a cada ano, a situação de dependência externa, além de ser um forte estímulo para a formação de outros profissionais da área médica, especialmente dentro do desenvolvimento de programas de educação continuada, de pesquisa, assistência e de extensão voltados para a realidade da Região Norte do país”, diz Suely Melo da Costa, doutora em ciências biológicas pela Universidade Federal de São Carlos (SP), ex-secretária de Saúde e representante do governo do Estado na presidência da comissão encarregada de estudar a implantação do curso de medicina no Acre.

Outro aspecto positivo é que o Acre passa a deter, na área da medicina, um dos maiores índices de profissionais pós-graduados em relação a outras faculdades de medicina do país, segundo apontam dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), uma fundação do Ministério da Educação criada nos anos 50 para acompanhar o desempenho na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os Estados da Federação.

Um exemplo: enquanto na Bahia, onde está a faculdade de medicina mais antiga do país, há um número considerável (32) de professores sem pós-graduação, no Acre a pós-graduação se aplica à quase totalidade dos docentes, graças a convênios que permitiram a especialização e a preparação para o magistério. Um dos grandes parceiros da faculdade de medicina acreana e da formação de seus professores foi o professor PhD José Tavares Neto, da Faculdade Federal da Bahia, um dos primeiros a acreditar no sonho da formação médica no Acre.   

A primeira turma de formandos leva o nome “Professor Sebastião Afonso Macedo Viana das Neves”. É uma homenagem ao médico e senador Tião Viana (PT-AC), professor (licenciado) do curso e um dos principais incentivadores da criação da faculdade, uma espécie de líder daquele movimento de visionários que enfrentou a oposição e a chacota dos céticos que duvidavam da capacidade de formação de médicos em solo acreano.

A principal dificuldade era de fato o ceticismo de vários setores, inclusive da própria comunidade universitária. “Essa incredulidade esvaziava a discussão e dificultava até o trâmite da documentação. Foi uma batalha dura e muito sofrida, mas, em nenhum momento, deixamos de sonhar e de acreditar na luta para vencermos as barreiras e as dificuldades impostas pelos incrédulos. Hoje, podemos dizer: valeu a pena”, conta  Suely Melo

Além de Tião Viana, a turma também presta homenagem a José Tavares Neto como seu patrono e ao mestre Rodrigo Pinheiro Silveira como paraninfo. As homenagens especiais se estendem aos professores Thor Oliveira Dantas Maia e à coordenadora do curso Maria Helena Guimarães. Outros 14 professores, além de uma servidora do curso, também serão homenageados pelos formandos.

O primeiro grupo de formandos é de apenas dez integrantes, como seqüela de um dos mais graves problemas enfrentados para a implantação do curso: a fraude no vestibular, detectada dois anos após o início das aulas. Dos 40 alunos iniciais, 26 foram afastados por decisão judicial por envolvimento na fraude e os demais desistiram ou pediram transferência. A formação desse grupo considerado reduzido não tira o brilho do curso, avalia o professor-doutor Jonas Filho, reitor da Universidade Federal do Acre. “Não tira porque a implantação de um curso desses é realmente muito difícil, muito onerosa. Formar os pioneiros do curso é motivo de satisfação porque mostra que, apesar de todas as barreiras, nós conseguimos vencer as dificuldades”, disse o reitor.                     

“Isso não é nenhum demérito para o curso nem para a faculdade. Muito pelo contrário. Haveria demérito se a fraude não tivesse sido descoberta ou acobertada”, também avalia o atual secretário de Saúde do Estado, Osvaldo Leal, um dos professores do curso.  A fraude no vestibular, de acordo com Jonas Filho, só foi descoberta dois anos após o início das aulas porque a universidade fora vítima de uma quadrilha especializada nesse tipo de golpe com atuação em todo o país. “A sociedade compreendeu que fomos vítima de uma quadrilha cuja capacidade criminosa estava além dos nossos métodos tradicionais de vigilância. Dessa forma, não havia como evitar que a fraude ocorresse. Mas o fato é que, com o problema detectado, com a ajuda das instituições e da própria sociedade, soubemos agir, afastar os envolvidos e dar continuidade a um projeto que, além de consolidado, já começa a gerar benefícios ao Acre e ao Brasil”, disse Jonas Filho.

De acordo com o reitor, o fato de o Ministério da Educação ter credenciado o curso de medicina praticamente no mesmo período de formação da primeira turma foi uma feliz coincidência. “Isso significa que o curso foi avaliado, aprovado e recebeu um credenciamento que é, ao mesmo tempo, uma autorização para sua continuidade. É um curso, sem demérito dos demais, que nos orgulha por ter sido implantado sob nossa gestão”, afirmou o reitor.

O curso de medicina da Ufac já consumiu R$ 6 milhões, recursos oriundos de parceria entre o governo federal e o do Acre. “As parcerias foram possíveis graças ao senador Tião Viana e à ajuda do ex-governador Jorge Viana, além do apoio incondicional de seu secretário de Educação e ex-vice-governador Binho Marques, atual governador do Estado”, destaca o reitor Jonas Filho.

A coordenadora do curso, professora Maria Helena, também é lembrada por sua contribuição. “Mas nada disso seria possível se não tivéssemos também o apoio do presidente Lula”, lembrou Tião Viana.

Tião Viana, o líder dos visionários que sonharam com a implantação do curso de medicina na Ufac Binho Marques: apoio incondicional como secretário de Educação e como governador Jorge Viana: o ex-governador que ajudou o senador Tião Viana em todas as etapas Jonas Filho: o reitor que também acreditou no sonho da formação de médicos no Acre Professora Maria Helena: a coordenadora que levou o sonho à realidade

A grande maioria não acreditava  

Do sonho solitário à realidade da formação dos médicos acreanos foi uma caminhada muito difícil. “Utopia”, “fantasia”, “devaneio” foram muitos os substantivos e adjetivos, quase sempre negativos, na tentativa de desqualificar a idéia assim que Tião Viana, médico recém-formado, começou a discutir a criação do curso de medicina, no início dos anos 90. Naquele período, Tião Viana estava de volta ao Acre para exercer a missão de médico. “Percebi, como estudante de medicina, que não era justo que nós, acreanos, tivéssemos que arcar com todas as dificuldades e ônus decorrentes da inexistência de uma Faculdade de Medicina no Acre. Não éramos só nós, alunos, que íamos ao sacrifício. Eram, principalmente, nossas famílias, era o cidadão acreano, que nunca conseguia um serviço de atendimento à saúde à altura de sua dignidade, à altura de sua cidadania”, relata o senador.


Tião Viana e a vice-reitora Olinda Assmar nos primeiros passos

Durante treze anos ininterruptos, Tião Viana clinicou no Acre, quando viveu as dificuldades profissionais para o exercício da medicina. As dificuldades, segundo ele, faziam aumentar sua convicção de que a “utopia”, a “fantasia” ou o “devaneio” da criação de um curso de medicina no Acre deviam se tornar realidade. A busca pelas condições para realizar o sonho foi uma das principais razões que o motivaram a aceitar a candidatura ao Senado, em 1998, mesmo após a derrota na disputa pelo governo do Estado, em 1994, quando ficou em terceiro lugar. Com a posse no mandato de senador, em 1999, a defesa da melhoria do sistema de saúde estadual passou a ser uma das principais bandeiras de seu mandato. A melhoria do sistema passava também pela criação da faculdade de medicina, um dos itens que passou a compor sua proposta de trabalho no Senado.

Mas a concretização precisava de parceiros. E eles existiam. Como o governador eleito em 1998 era ninguém menos que Jorge Viana, irmão e parceiro no sonho de fazer do Acre uma terra digna de sua história e de seu povo, as condições iniciais estavam criadas. O governo do Estado, liderado por Jorge Viana, não mediu esforços na parceria para tornar real o velho sonho de Tião Viana. O curso de medicina começou a se consolidar no Acre ainda em 1999, e em pouco mais de três anos todas as ações necessárias para que o sonho do médico transformado em senador da República se tornasse realidade foram realizadas.

Dois convênios foram assinados entre o governo do Estado e a Ufac. O primeiro, para a construção do bloco destinado ao funcionamento físico do curso e a aquisição dos equipamentos utilizados nos estudos de laboratórios; o segundo, estabelecendo os locais de estágios dos alunos do curso nas unidades de saúde da rede pública hospitalar. Para isso foi necessário criar uma comissão para avaliar e propor a reestruturação das unidades para receber os alunos e estagiários do curso de medicina. A comissão é formada por membros da Ufac e diretores de unidades como o Hospital de Saúde Mental, Maternidade Bárbara Heliodora, Hospital Geral de Clínicas, entre outros.

Paralelamente, graças ao mandato obtido nas urnas, Tião Viana começa a luta pela captação dos recursos necessários à infra-estrutura e à tecnologia. Uma emenda de sua autoria, no valor de R$ 200 mil, liberados dentro do exercício daquele ano, e outra no valor de R$ 1 milhão constantes no Orçamento Geral da União (OGU) permitiram à Ufac atender as exigências estabelecidas pelos órgãos reguladores do funcionamento da educação superior no país.

A luta contra a descrença - “Esse projeto do curso de medicina expressa um momento da cultura política, da visão de mundo que tinha o Acre e da vida cotidiana do Estado. Nós tínhamos uma sociedade acomodada, uma sociedade que não acreditava em si mesma, que tinha muita descrença da vida pública, dos homens públicos e que, ao mesmo tempo, não colocava seus sonhos sobre a mesa, não colocava sua confiança no futuro como um motor motivador das atitudes e hábitos”, diz o senador Tião Viana ao analisar o princípio de seu envolvimento em busca das parcerias necessárias para a implantação do curso de medicina no Acre.

“Quando apresentei, no início dos anos 1990, a defesa da criação de um curso de medicina aqui, meus colegas da área de saúde, de um modo geral diziam: ‘O Tião ou tá delirando ou tá ficando maluco, porque o Acre não tem condições de implantar um curso de medicina’. E fui insistindo naquela utopia realista e ao longo do tempo o assunto foi tomando corpo entre as pessoas, entre as instituições, mas a descrença era a palavra mais forte. Surgiu a oportunidade de eu ser um representante do povo do Acre, o Jorge Viana outro e, ao ocupar o espaço de poder, essa geração pôde mostrar que a política pública poderia ter um curso melhor na vida cotidiana das pessoas e na organização do processo histórico que o Acre teria que viver. Com isso surgiu a oportunidade para o curso de medicina”, contou Tião Viana. “Eu fui para Brasília enfrentando todas as barreiras da burocracia federal, que impediam a criação de novos cursos, encarando todas as descrenças em relação à qualidade de um serviço que pretendíamos formar no Acre. Isso gerou uma pactuação por bons exemplos na saúde pública do Acre. Criamos cursos de especialização que não existiam, cursos de mestrado e doutorado. O resultado disso é que nesse período nós formamos mais de 200 profissionais no Acre, como especialistas, como mestres e como doutores, alcançando já o primeiro lugar na Região Norte na relação entre habitante/pós-graduado na área de saúde.” disse.

“Tudo graças a essa utopia realista que eu tive a felicidade de ser um portador e sair semeando a idéia pelo Acre e Brasília e que encontrou receptividade. Contamos com a ajuda da Universidade de Brasília, a Universidade Federal da Bahia e do governo Jorge Viana. Rompidas as descrenças e o pouco apoio, conseguimos implantar esse curso. Um ano após iniciarmos essa defesa intensa do curso no Acre, o Amapá começou a sua e até hoje não conseguiu implantar o seu curso de medicina. Isso demonstra o que foi uma determinação política”, avaliou o senador.

“A partir daqui serão 40 médicos todos os anos, para sempre. Isso significa que daqui a 100 anos nós teremos os médicos do amanhã formados pela Ufac. O que mais me alegra é que é um curso que não envergonha ninguém. Ele nos orgulha porque o conteúdo pedagógico da proposta curricular é excelente, porque os professores têm um bom nível, porque as condições de infra-estrutura são minimamente razoáveis e a estrutura hospitalar de acolhida ao jovem que começa a entrar na vida hospitalar, nos centros e nas unidades de saúde periféricas é excepcional. Então nós formamos assim bons e grandes profissionais de medicina para o futuro do Acre”, disse  Tião Viana, com o ar feliz dos vencedores.

“Um curso construído junto com o povo acreano”

Muito mais que a criação de um curso, a formação dessa primeira turma é a concretização de um movimento que busca a implantação de mudanças na filosofia e na metodologia do ensino tradicional, focando a comunidade e os problemas de saúde peculiares à região, como é o caso das prevalências de hepatite, malária e hanseníase. Isso significa que, além de novos conceitos, o curso funciona com aplicação do conhecimento da realidade local às pessoas compromissadas com o Acre para a prática da medicina na rede pública de saúde com garantia de um serviço de qualidade.


Osvaldo Leal, secretário de Saúde e um dos professores do curso

Trata-se de um modelo aplicado com sucesso em países como a Inglaterra, Canadá, Holanda e Cuba, segundo os quais a formação médica prevê, já no primeiro ano, que o aluno passe a conhecer a vida da população local para sentir de perto o sofrimento humano, perceber e impregnar-se com a realidade. Com essa vivência, o futuro profissional da saúde passa a conhecer, desde o início de sua formação profissional, a plena consciência do sofrimento humano, algo que visa estimular sua sensibilidade para a construção da cidadania. “A partir dessa formação holística, o Acre terá médicos que conhecem, de fato, o ser humano sabendo distinguir o que é bom e o que é ruim para a sociedade numa visão ética e moral”, diz o médico Osvaldo Leal, que chegou ao Acre no momento em que o movimento que levaria o Estado a criar sua faculdade de medicina estava sendo iniciado. É sobre isso que Osvaldo Leal fala na entrevista a seguir.

Como se deu, no meio da classe médica, esse movimento que levou o Acre a concretizar o sonho de criar sua faculdade de medicina?

Osvaldo Leal - Quando eu cheguei ao Acre, coincidentemente, em fevereiro de 1999, era o início do governo Jorge Viana e foi aquele ano que todos nós conhecemos - um ano atribulado, mas, mesmo assim, naquele início de 99, o recém-empossado senador Tião Viana acenava com a possibilidade de termos um curso de medicina.

Onde o senhor estava?

Osvaldo Leal - Eu era médico do Exército, em Plácido de Castro, e o senador já falava nesse movimento de residência médica e de criação do curso de medicina, que, aliás, sempre foi uma das grandes bandeiras de Tião Viana muito antes de sua entrada na política. Muito antes de sua eleição para o Senado, ele já falava na necessidade de o Acre não ser refém ou dependente de pessoas de fora do Estado, mas ter uma estratégia de formação de pessoas aqui. Isso, eu lembro muito bem, soava como uma grande impossibilidade, uma verdadeira heresia. Muitas pessoas diziam, em tom de deboche: o Acre formando médicos, formando residentes? Os profissionais de saúde, de um modo geral, viam isso com muito ceticismo no início. Eles se perguntavam: como o Acre, um Estado pequeno e pobre, de uma hora para outra pode ter uma faculdade de medicina, pode bancar um programa de residência médica? Esse debate foi realmente muito difícil no início. Tião Viana trazia essa discussão com uma força política muito grande e a maioria das pessoas não acreditava que isso era possível. Essa utopia, esse sonho de ter no Acre uma unidade formadora com a perspectiva de formar pessoas na nossa própria rede fez-me, particularmente, permanecer no Estado. O senador Tião Viana foi uma das pessoas que me convenceram, pelo desafio, a permanecer no Acre para tentar ajudar nesse processo.

Mas, para chegar a isso, houve uma série de dificuldades...

Osvaldo Leal - É   verdade. Particularmente, entrei na primeira turma do mestrado e, antes de concluí-lo, já fiz a prova para o concurso de professor do curso de medicina e entrei como um dos primeiros professores. O curso começou com 12 professores e hoje temos mais de 30. Começamos a trabalhar com um grande desafio: um curso novo num Estado que tinha isso como uma grande proposta de mudanças na educação de profissionais de saúde e trouxe isso para dentro do curso e o formato é completamente inovador porque parte do sistema de saúde para pensar a prática e a formação médica. É o inverso do tradicional. Isso significa pensar o coletivo para formar as pessoas e não formar as pessoas para que elas depois venham a pressionar o sistema de saúde para se adequarem às suas necessidades. A formação foi completamente individual e individualista. A maioria dos cursos de medicina no Brasil ainda hoje forma o indivíduo e a partir daí o indivíduo oferece um determinado serviço à comunidade. A inovação no Acre é que o que pauta a formação dos estudantes é a necessidade do serviço de saúde. Tem uma frase muito interessante que foi forjada já algum tempo na faculdade que diz que a realidade é a nossa prática. Então o curso de medicina trabalha com a realidade da população e de suas necessidades. Nossa prática é baseada na realidade.

Significa então que estamos formando médicos diferentes?

Osvaldo Leal -  Nós vamos formar médicos generalistas com conhecimento em todas as áreas básicas da medicina: atenção básica, pediatria, ginecologia obstetrícia, cirurgia geral e clínica médica. Esse médico generalista sai da faculdade com entendimento do que é uma rede de saúde, dos problemas e das necessidades de saúde e mais preparado para intervir e com mais sensibilidade. Isso é interessante porque o estudante, aquele que desde o primeiro dia do curso trabalha com a comunidade, não larga essa comunidade no decorrer de seis anos e acaba construindo seu conhecimento junto com a comunidade, com as pessoas também ensinando para ele que caminho tem que ser seguido numa relação muito mais próxima das pessoas e não apenas numa relação de atendimento, de alguém que diz: eu tenho o conhecimento e você tem o problema de saúde, e a partir daí se cria uma relação completamente desigual à medida que eu tenho a possibilidade de resolver o problema e você só tem o problema.

É assim que funciona no restante do país?

Osvaldo Leal - Essa é uma relação que ainda perdura no Brasil e é isso que não realizamos nesse curso de medicina. É um curso completamente diferente da maioria dos cursos oferecidos no país. Essas pessoas que vão sair desses cursos vão ter uma visão geral da prática médica inserida numa rede de cuidados e inserida nas necessidades da sociedade e das famílias.

E as críticas dos próprios estudantes durante o curso?

Osvaldo Leal - As críticas têm dois momentos: o primeiro foi o do questionamento forte, que, inclusive, gerou a greve dos estudantes questionando o modelo do curso. Na verdade, o que houve foi um grande embate entre um processo de formação com uma nova proposta num Estado que também estava começando a fazer isso com uma grande corporação que negava esse processo. Eles (os estudantes) vieram para cima dessa faculdade do Acre para, a partir daqui, gerar um movimento que debatesse e se colocasse de forma contrária ao movimento da educação médica que já ocorria no Brasil. Esse movimento de mudança é relativamente novo no país e começa em 1992 na Universidade Federal Fluminense e influencia, durante a década de 90, algumas universidades e em 2002 constrói as novas diretrizes para os cursos de medicina. O que nós fizemos nesse curso também foi seguir a nova normatização, as novas diretrizes nacionais para a construção dos cursos na área de saúde. Isso foi definido e publicado pelo Ministério da Educação, uma ação construída com o Ministério da Saúde em 2002, e o curso da Universidade Federal do Acre já nasce dentro dessas novas diretrizes.

E em relação à qualidade dos profissionais? Já se ouviram críticas de pessoas alegando que não se submeteria a um médico formado no Acre?

Osvaldo Leal - Isso é puro preconceito e ignorância, às vezes até má-fé. Um exemplo da qualidade dos nossos formandos: o recente concurso da prefeitura de Rio Branco aprovou estudantes, no quarto ano de medicina, inclusive com notas superiores à de médicos que já trabalham na rede. Estudantes que ainda não entraram nos dois anos finais, quando há uma intensificação da prática médica, ficaram em segundo ou terceiro lugar na média geral. A formanda Lídia Rodrigues, por exemplo, é uma delas. Como ela, muitos estudantes foram aprovados.  Isso mostra a qualidade do curso. Não sou eu quem estou dizendo que o curso é bom. Quem diz é uma prova feita por um instituto nacional, que aplica provas em concursos públicos e que mostrou a qualidade dos nossos estudantes. Um estudo comparativo feito por um dos nossos professores, Rodrigo Silveira, mostra estatisticamente a média das notas dos nossos estudantes com os profissionais de saúde que já atuam. Esses estudantes estão provando precocemente que são bons.

O que se pode esperar do futuro em relação a esse curso de medicina?

Osvaldo Leal - O curso de medicina já é uma referência, pelo modelo que adotou. Hoje já temos capítulos de livro que falam desse curso. Ele tem uma inserção nacional muito boa, a gente já participa com muita força dos congressos de educação médica, dos congressos de atenção básica. O número de trabalhos publicados e a produção têm sido cada vez maiores. É, historicamente falando, pouco tempo para se dizer que somos de fato uma faculdade absolutamente consolidada. É claro que não. Estamos formando a primeira turma agora, mas somos uma faculdade que nasceu com uma proposta nova, bancou essa proposta, mesmo com todas as dificuldades, com muito sacrifício, e nesse aspecto o senador Tião Viana foi fundamental - e agora se consolida num curso que se credencia sem nenhuma diligência.

O que quer dizer isso?

Osvaldo Leal - Sem nenhuma diligência significa que o curso recebeu a visita do MEC, que veio, fez sua avaliação e aprovou o credenciamento e o reconhecimento do curso sem nenhuma diligência técnica. A diligência funciona assim: quando existem dúvidas em relação ao credenciamento do curso, o MEC entra com a diligência e aí isso vai retardando o processo. No nosso caso, não houve isso: o processo teve fluxo direto, contínuo, com o curso reconhecido antes da formação da primeira turma. Isso significa que a primeira turma já vai receber o certificado com o curso reconhecido pelo Ministério da Educação. Isso para nós é uma vitória muito grande, o que mostra que o curso se preparou para formar essas pessoas. O futuro disso é alentador porque a parte mais difícil, o núcleo, está construído. É um curso que vai se consolidar.

A geografia do atraso

O Acre convive com dificuldades na área de saúde desde o princípio de sua história. A começar pela localização geográfica. Os acreanos estão distante pelo menos mil quilômetros da escola de medicina mais próxima, situada em Manaus, capital do Amazonas. O fator geográfico, que impedia a formação, também não permitia que o Estado cumprisse preceitos internacionalmente recomendados na área de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que a condição ideal para um sistema de saúde aceitável é de um médico para cada grupo de mil habitantes. A defasagem histórica, mesmo nos anos mais recentes, quando a população acreana girava em torno de 600 mil habitantes, era da média de  220 médicos, o que levou o sistema de saúde estadual a adotar a contratação de profissionais formados nos países fronteiriços - Bolívia e Peru. A contratação desses profissionais, no entanto, esbarrava na inexistência de registro profissional ou formação médica admitida pelo Sistema Nacional de Ensino.


Tadeu Moura, um dos acreanos a buscar formação fora do Acre

Paralelamente, o Acre convivia com a falta de pesquisas científicas.

Apaixonado pela medicina desde criança, o estudante Sebastião Afonso Macedo das Neves (Tião Viana) sabia que, para concretizar o sonho, teria que fazer o caminho de muitos acreanos que deixaram a família e a terra onde nasceram para estudar em centros mais avançados. O pioneiro nessa saga foi Augusto Hidalgo de Lima. Embora nascido no Maranhão, José Amorim Barbosa, hoje com 73 anos, também teve que fazer essa saga acreana. Ele chegou ao Acre com seis anos de idade. Em 1961, graças à ajuda do pai, o sapateiro Eloi Barbosa, que sustentava a família fabricando sapatos no Segundo Distrito da cidade, Amorim Barbosa se forma em medicina na Faculdade do Brasil, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, e retorna ao Acre para trabalhar durante o governo José Augusto de Araújo.

“Em agosto de 1986, há quase 22 anos, tive que sair do Acre para Fortaleza, cursar medicina na Universidade Federal do Ceará. Naquela época muitos da minha geração não tinham alternativa, a não ser ter que morar fora. Hoje, observamos o caminho inverso - muitos procuram o Acre para a sua graduação em medicina na Ufac, bem como a pós-graduação na Residência Médica da Fundhacre”, lembra o médico acreano Thadeu Moura, professor do curso de medicina da Ufac. “Os estudantes que procuram o Acre vêm de todo o país, de Manaus a Porto Alegre, de Cuiabá ao Maranhão. Isso significa um real e verdadeiro avanço na medicina do Acre, acima de tudo com qualidade, apesar de ainda termos alguns passos a serem dados. Temos muito de que nos orgulhar, pois acima de tudo “a dedicação, a humildade e a união nos levaram à realização dos nosso objetivos”, destacou.

Mas isso só foi possível graças, principalmente, à inquietação do estudante Sebastião Afonso Viana Macedo das Neves no curso de medicina da Universidade Federal do Pará, no período de 1981 a 1986. Ao completar o curso, o futuro senador Tião Viana fez residência médica e iniciou os anos 90 atuando na saúde pública do Acre. Se, como estudante, enxergara a necessidade de um curso de medicina em sua terra natal, como médico, vivenciando as dificuldades de exercer sua profissão em plenitude e em maior escala, vivendo as dificuldades do cidadão que não tinha um atendimento digno, Tião Viana viu crescer o ímpeto e solidificou o desejo de tentar criar a faculdade de medicina do Acre.

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”

Fernando Pessoa


Cada obra ou conquista tem o valor e a dimensão que o contexto cultural do seu tempo e local lhes confere.

Avaliar o curso de medicina do Acre, no contexto do país inteiro, pode não ser assim tão significante, neste Brasil de tantos brasis.

No entanto, para o Estado do Acre, para o povo acreano, esta realização é de uma magnitude que transcende o entendimento de quem jamais tenha sentido na carne ou presenciado as agruras das carências advindas do isolamento e abandono, historicamente imputados ao Acre, conseqüentes mais da indiferença ou menor valia que das distâncias geográficas.

O Acre, mesmo em sua capital, detém um dos menores índices de relação médico/habitante do país. No interior, esta situação se agrava, pois a maior parte dos municípios sofre com falta crônica de médicos.

A reversão deste quadro não se consegue em passe de mágica.

A consciência de que embora importantes e necessárias, infra-estrutura, equipamentos e assistência, por si só não resolveriam o problema, fez com que ao longo dos últimos dez anos o governo do Estado desenvolvesse um trabalho criterioso de investimentos em capacitação de recursos humanos na área de saúde, iniciados com Serviços de Residência Médica, cursos de Pós-Graduação stricto sensu em Medicina e Saúde em convênio interinstitucional entre a Faculdade de Medicina da UFBA e o Governo do Estado do Acre, de forma modular, de modo a permitir aos profissionais médicos a qualificação de Pós Graduação em Rio Branco sem interrupção dos serviços de atendimento à população. Esta forma inovadora possibilitou a constituição do corpo de professores mestres e doutores, argamassa intelectual necessária para a criação do curso de Medicina.

Autorizado a funcionar em 2002 e que neste janeiro de 2008 forma sua primeira turma, o, ainda infante, curso de medicina, desde a sua gestação, encontrou em sua trajetória inúmeros empecilhos, dos mais pueris de rejeição e descrédito ao gravíssimo pecado de omissão. Dentre todos, o maior, talvez, foi o de vencer as barreiras da acomodação ao “status quo,” de aceitação de que padrões de vida desassistida e pobreza são condicionantes imutáveis.

Contra isso, na perspectiva de vida melhor, saúde, assistência médica de qualidade para todos, muitos outros sonharam e, com denodo, amor, dedicação, tornaram realidade o curso de medicina.

Para expressar tamanho feito tomo emprestada do poeta português Fernando Pessoa, parte do seu poema ‘Infante’:

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.

E por justiça, reconhecimento e para que agora e no futuro as gerações de médicos formados nesta casa tenham conhecimento dos protagonistas da história do Curso de Medicina da Universidade Federal do Acre e seus papéis, prestamos esta homenagem.

Maria Helena Guimarães, coordenadora do curso de Medicina

“A certeza de que a gente acertou”
 
“Em todas as sociedades a formação de nível superior é uma necessidade. Os cursos na área de saúde são mais que uma necessidade, são a garantia de que a sociedade vai ser assistida. Estou dizendo isto por que durante muitos anos a gente viveu aqui na universidade a expectativa de que éramos uma universidade pequena e dificilmente poderíamos ter um curso de medicina. Não fosse a conjunção de muitos esforços - que nós, da parte da universidade, temos que agradecer para sempre - do governo do estado, das pessoas que naquele momento no governo tinham uma visão clara de que nós precisávamos formar nossos médicos daqui. E apostaram na possibilidade de que essa formação se desse dentro da nossa universidade. Eu falo isso especialmente dos irmãos Viana, do Jorge e do Tião, que naquele momento tinham uma visão muito clara de que era necessário a gente investir no processo de ter na nossa universidade um curso de medicina”.

“Teve o esforço do governo do estado, do senador Tião Viana, a parceria do governo federal e também a administração da universidade, o professor Jonas que se empenhou para a universidade ter seu curso de medicina. Daí veio o trabalho, as primeiras comissões, as pessoas que vieram de fora, o Tavares e outros tantos, pessoas da Unicamp. Então, quando a gente viu o curso ser criado dentro do conselho universitário, viu a primeira aula inaugural com o Adib Jatene, nem nós mesmos, que estávamos na administração superior, estávamos acreditando que o sonho tinha se tornado realidade. Hoje, cinco anos depois, vendo a primeira turma sendo formada, é mais do que a certeza do sonho realizado, é a certeza de que a gente acertou, a universidade acertou em aceitar esse desafio de ter um curso de medicina.”

João Lima, professor do curso de medicina

A  importância da residência médica
 
O médico Renaldo Moreno é o atual coordenador-geral da residência médica e preceptor da disciplina de Clínica Médica. Ele não teve a oportunidade de fazer um curso de medicina no Acre porque à sua época não tinha. Formou-se na Universidade Federal do Pará e também fez a residência médica naquele Estado. Posteriormente, aqui mesmo no Acre fez o mestrado em Medicina e Saúde, resultado de um convênio entre o governo do Estado e a Universidade Federal da Bahia.

Segundo ele, a implantação da residência médica no Estado é muito importante pelo fato de juntar a graduação com a pós-graduação na área de medicina. “Nossa região tinha essa carência da pós-graduação na área médica. Agora está saindo a primeira turma de medicina do Estado do Acre e esses alunos vão ter a oportunidade de se inscrever no curso de pós-graduação, que é a residência médica, e caso aprovados cursarão aqui na região, aqui no Estado. A residência médica oferece hoje oito cursos médicos, uma grande variedade e a oportunidade que os médicos têm de prolongar seus estudos aqui, colaborando com a melhoria do sistema de saúde de atenção aos usuários no Estado do Acre.”

Sobre a turma de formandos ele disse:

“Eu tive muito contato com esses alunos que estão saindo, porque eles desenvolveram seu internato quase todo dentro da residência de Clínica Médica. E a gente vê que é uma turma que, com todas as dificuldades próprias de um curso iniciante, está saindo bem formada. Venceu os obstáculos devido aos esforços pessoais dos estudantes e dos profissionais da Ufac, com ajuda de alguns colaboradores, entre os quais me incluo, para que pudessem tirar as deficiências inerentes a um curso que está começando”.

“A Ufac é a única que utiliza esse modelo de ensino”
 
“Quando vim para o Acre atuar na cadeira de Medicina e Comunidade, já existia esse processo diferenciado no curso de medicina daqui. Eu venho da Bahia. Lá nós tínhamos - nas universidades estaduais de Feira de Santana e de Ilhéus - um sistema similar, mas a Ufac é a única do país que utiliza esse modelo de ensino. Eu dava aula em termos de suporte tutorial lá nessas universidades. Quando cheguei aqui no Acre para dar aula, observei o quanto já estava funcionando esse sistema dentro da Ufac, o quanto os acadêmicos eram inseridos nesse processo de vivência nas áreas da comunidade já no primeiro período, algo bem diferenciado do que encontrara na Bahia.

Sou professora da universidade há dois anos. Nos primeiros seis meses - com a professora Maria Helena, professor Rodrigo e professor Osvaldo, que são as pessoas que dão suporte em Medicina e Comunidade -, observei o quanto já estavam avançados nesse processo de inserir os alunos na comunidade e fazer com que tenham essa vivência de médicos, de cidadãos e consigam fazer um diagnóstico epidemiológico de área e a partir daí irem para os ambulatórios, irem para os hospitais. Eu sou uma pessoa grata por ser da Ufac no sentido de conviver com esses professores que mantiveram esse curso nesse nível. Estou dando aulas para alunos do segundo período e é impressionante a aquisição e o fortalecimento deles em relação à prevenção, a saúde pública, o cuidado que se deve ter com o medicamento, com o idoso. Já no segundo período eles conseguem ter essa visão da  importância que tem em reunir e falar com a comunidade para que seja feito um tratamento preventivo e depois o curativo.

Não tenho nenhuma dúvida quanto à excelência dos alunos que vão sair na universidade, o quão preparados eles estão para o enfrentamento das condições que existem aí fora. Estamos no Acre, onde há regiões difíceis de ser atingidas, mas está se fazendo um trabalho de levar para lá essas turmas que estão se formando. Isso os instiga a se qualificar, pois todos eles já estão buscando a residência, eles estão se qualificando. Os que permanecerem aqui vão disseminar a cultura da prevenção, do cuidado que se deve ter com o indivíduo de forma integral. Aos formandos, desejo boa sorte e somos colegas a partir de janeiro.”

Professora Sandra Márcia Carvalho de Oliveira

Formandos estão à altura
 
O curso de medicina é muito bom para o Acre. Nós temos dificuldades de trazer profissionais de medicina para cá e o curso de medicina vai ajudar a preencher esse vácuo. A qualidade dos profissionais é muito boa. Não apenas os alunos são excelentes, mas também os professores. Os mestres e doutores que lecionam na faculdade de medicina fizeram suas pós-graduações nos melhores lugares do Brasil e até do exterior. Fico muito feliz por estar entre os primeiros que iniciaram aqui e pude dar minha contribuição. Eu não apenas sonho. Tenho a certeza de que esses alunos e alunas que estão se graduando em medicina atenderão a demanda do mercado, eles estarão à altura. No curso, passamos por problemas de quem está começando. Falta de estrutura, de material didático, tudo isso a gente foi superando na medida do possível. E é importante frisar que, mesmo com as dificuldades, os alunos em momento nenhum tiveram perdas, houve cursos de reforço. O curso de medicina é visto com bons olhos pela sociedade acreana e as expectativas são em relação ao tipo de profissionais que estão se formando. Alguns deles ficarão no Acre e irão melhorar o nível de diagnóstico, de compreensão, de atendimento.

Professor Francisco Glauco de Araújo Santos

Todos são extremamente dedicados 

“O curso de medicina da Ufac tem tudo para melhorar a qualidade dos serviços médicos aqui no Acre. E serve também como referência para os médicos da região. Conheço a turma de formandos. Todos eles são extremamente dedicados, tiveram uma formação básica muito boa. Não tenho dúvida de que serão excelentes médicos. Creio que não só quantitativamente, colocando mais profissionais no Estado, mas qualitativamente. São médicos novos com uma formação e bagagem novas. A gente sabe que a área de medicina está sempre renovando o conhecimento, então os novos médicos vêm trazendo essa bagagem nova para os mais antigos. Isso vai favorecer um intercâmbio de informações técnicas científicas para a área.”

Professor Guilherme Augusto Pulici

E X P E D I E N T E
Encarte Especial “Faculdade de Medicina” é uma publicação do Pagina 20.
Textos e reportagens: Tião Maia e Flaviano Schneider
Fotografias: Flaviano Schneider, Regiclay Saady, Marcos Vicentti e Sérgio Valle.
Coordenação: Gabinete do Senador Tião Viana
Diagramação: Wescley Camelo
Edição: Tião Maia - Registro Profissional 176-Mtb/Ac
 
 
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Rio Branco-AC, 18 de janeiro de 2008
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