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| Fetacre ganha nova sede e centro de formação Jorge Viana inaugura centro de formnação de lideres sindicais e repassa R$ 640 mil para sindicatos de trabalhadores rurais. |
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O movimento de trabalhadores rurais do Acre viu nesta sexta-feira ser realizado um antigo sonho e recebeu das mãos do governador Jorge Viana o prédio do Centro de Formação dos Trabalhadores, que abrigará o novo escritório da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Acre (Fetacre). O centro, localizado na avenida Getúlio Vargas, custou cerca de R$ 350 mil e foi construído em parceria com o governo do Estado. Após o descerramento das placas de inauguração e de homenagem aos pioneiros da luta dos trabalhadores rurais, o governador assinou convênios de R$ 640 mil com 21 sindicatos em todo o Estado. No descerramento, reuniu-se vários dos homenageados, entre eles o ex-advogado da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e ex-deputado João Maia, citado pelo governador como sendo “a própria história do PT e do movimento de trabalhadores no Acre”. Maia perdeu a fala, seqüela de um derrame cerebral, mas com movimentos e gestos fez traduzir sua emoção pela homenagem. “Está aí, João. Você merece”, disse o governador.
A emoção de Maia deu o tom à cerimônia, conduzida de modo muito singelo no simples porém confortável auditório do CFT: mais que uma obra, a garantia da memória daqueles que, em vários casos, deram a vida para que aquele momento fosse propiciado às novas gerações de lideranças –entre elas, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia e Epitaciolândia, Rosildo Freitas, muito aplaudido pela platéia que incluía trabalhadores, parlamentares, técnicos da prefeitura de Rio Branco, do Governo e a presença especial de três representantes do Banco Mundial. “Esta é uma homenagem àqueles que não deixaram o Acre ficar desconectado de sua verdadeira vocação. Hoje, estamos vivendo a fase de tolerância porque amadurecemos. E amadurecemos porque nunca quisemos destruir os outros”, disse o governador, recordando que a primeira medida que tomou dois dias depois de assumir o governo foi convocar a Assembléia Legislativa para apreciar a Lei Chico Mendes, instrumento decisivo para subsidiar os povos da floresta e fixá-los no meio rural, o que retomou a paz nos seringais e melhoria da qualidade de vida nas cidades, antes sofrendo gradativo inchaço populacional por conta das deficiências do campo. “Havia um movimento muito negativo no Acre, que acabou com a paz nos seringais, com o sossego das beiras de rios, com a vida das florestas e também a paz das cidades. Por isso, o que estamos fazendo aqui hoje é algo muito importante”, assegurou Viana. “Porque é um resgate da história e a consolidação do processo de formação do movimento dos trabalhadores”. Grandes mudanças – Sempre lembrando que o Governo da Floresta é a concretização do sonho e do trabalho dos homenageados, o governador ressaltou as grandes mudanças feitas pelo projeto de desenvolvimento econômico e social da atual gestão. A receita do Estado, recordou Viana, era de R$ 40 milhões ao ano quando a Frente Popular do Acre chegou ao governo e hoje é de R$ 400 milhões. Esse incremento só possível, ainda segundo o governador, mediante uma política de austeridade financeira e zelo pela coisa pública. O senador Tião Viana se mostrou impressionado com a profundidade da interpretação do modelo de desenvolvimento implantado no Estado ao ouvir os discursos das novas lideranças. “Foram muitos caminhos na formação do movimento. Há o Legislativo para pensar e fazer as leis, o Judiciário para fazer a Justiça e o Executivo para fazer as coisas. No entanto, para pensar o mundo, a vida das pessoas é o sindicato. E a gente, como agente público, tem de aprender sempre com ele”, observou o senador. “Fico feliz em ver que há uma compreensão muito boa do que está acontecendo no Acre. O governo Jorge Viana é um novo paradigma inclusive para o conceito de política, que para nós era algo pesado”. Viabilizado – Os convênios com os sindicatos serão aplicados a partir de recursos próprios do Tesouro Estadual. Além de citar o grande aumento na receita do Governo, o governador Jorge Viana observou que os oposicionistas estão se engalfinhando para tomar o poder porque o Estado se encontra altamente viabilizado em sua economia e finanças, com um saldo em termos sociais altamente positivo. “É por isso que estão de olho nele (no Governo)”, disse, citando o saldo do crédito junto ao BID que será herdado pelo próximo governador para realizar projetos e construir obras pelo Estado. “Aí vêm esses políticos Copa do Mundo, que só aparecem de quatro em quatro anos, atacando nosso governo”. Desespero – O presidente da Assembléia Legislativa, Sergio Petecão, pediu envolvimento de todos que acreditam no projeto de sustentabilidade em andamento no Acre para defender esse governo do “desespero dos adversários”, os quais movem sistemático ataque ao governo e à pessoa do governador Jorge Viana. “É preciso que todos arregacem as mangas porque o trabalho vem aí”, disse Petecão. Vários outros políticos, como o deputado Moisés Diniz e Zico Bronzeado, os quais serviram de testemunha aos convênios assinados, se fizeram presentes. Homenagem aos pioneiros da luta dos trabalhadores rurais no Acre Para perpetrar o nome de alguns dos mais reconhecidos ativistas do movimento de trabalhadores rurais, instalou-se uma placa na parede externa do Centro de Formação dos Trabalhadores. O movimento começou na década de 70, teve seu ápice nos anos 80, com a luta de Chico Mendes, e passou por uma fase fraca na década seguinte. Atualmente vem sendo soerguido com o surgimento de jovens lideranças e através do processo de formação e capacitação apoiado pelo Governo da Floresta. “É possível que muita gente tenha ficado de fora. Aqui estão alguns que atuaram em diferentes áreas e pedimos desculpas às falhas”, disse o governador Jorge Viana. Os homenageados - muitos já falecidos - são: - João Maia
A construção de um novo modelo de desenvolvimento sustentável, baseado na utilização racional dos recursos naturais não tem sido tarefa fácil, avaliam líderes dos trabalhadores. De outro lado, os investimentos que o atual governo tem proporcionado ao setor têm sido decisivos no processo de consolidação de um novo tempo para a agricultura e o extrativismo do Acre. O principal exemplo foi evocado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia e Epitaciolândia, Rosildo Freitas: “temos o manejo comunitário, que preserva a floresta, e a mecanização, que aumenta a renda por hectare, e tem gente que diz que não dá certo. Se o manejo e a mecanização não dá certo, o que mais dará certo?”, questionou Freitas, afirmando que essas tecnologias estão levando conforto e qualidade de vida para o interior da floresta. “Ando por todas as comunidades e vejo gente lá no meio da floresta com TV, placa solar”, exemplificou, na busca por traduzir o caráter positivo das políticas implementadas pelo atual Governo. O sindicalista anunciou que o avanço das organizações a partir dessas políticas as tornou autônomas e seus filiados, financeiramente independentes: “em nossa região, o Banco do Brasil não tem inadimplência. Todo mundo pagou seus financiamentos”, garantiu. De seu lado, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Manoel Lima, alertou para a não continuidade do atual modelo. “Temos de ter cuidado para não sofrer retrocesso”. A presidente da Fetacre, Sebastiana Miranda, disse não acreditar em desenvolvimento econômico sem antes promover o desenvolvimento no campo. “O que o Jorge Viana está fazendo é quitar um débito de 100 anos de ausência de políticas públicas para o meio rural”, afirmou ela, entregando em seguida uma cópia do relatório do seminário de reforma agrária encerrado há três dias em Rio Branco. “Coroados por um governo que resistiu em defesa da vida” A história do movimento dos trabalhadores rurais foi contada em grande parte pelo ativismo literário de muitas pessoas. No jornalismo, Élson Martins e Silvio Martinello conseguiram fazer os principais registros de uma fase desse movimento na militância diária do periódico O Varadouro, tido como uma trincheira da resistência contra uma devastação ambiental, social e econômica que se desenhava naquela época. “Graças a Deus que encontramos pessoas em quem confiamos e acreditaram na nossa luta, que é como uma planta que nasceu e está crescendo”, disse um antigo militante, Manoel Saldanha, fundador do STR de Rio Branco. Além dos jornalistas, veja o que dizem trabalhadores que testemunharam aquela fase: “É um privilégio não apenas ter testemunhado como participado dessa história. Tenho o jornalismo como atividade social e quem ensinou isso foram eles, os trabalhadores”. Élson Martins, jornalista “Para entender Chico Mendes, temos de entender
essa história. E não podemos deixar de destacar a importância
da Igreja Católica, que praticamente serviu quase como uma trincheira
da resistência e cujo papel foi fundamental porque se vivia uma
ditadura.” “Estamos sendo coroados por um governo que resistiu
em defesa da vida”. “Ai de qualquer governo que não compreender
o movimento rural do Acre” |
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