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Pequenas ações que podem salvar o mundo

Participação das comunidades em atividades sustentáveis prova aos conferencistas que a humanidade tem o mundo em suas mãos


RENATA BRASILEIRO

Há oito anos, a guatemalteca Ana Pascual (foto à esquerda) começou, com as próprias mãos, a plantar diariamente árvores em áreas isentas de paisagens verdes. O compromisso, que surgiu de um grupo de mulheres da comunidade Santa Eulália, na região norte da Guatemala, não é nenhuma novidade entre os povos daquele país, segundo ela.

A cultura descende dos Maias e durante gerações foi difundida entre seus povos com um único objetivo: preservar para garantir os recursos naturais para a humanidade.

“No meu país muitas pessoas têm a consciência de reflorestar, ao mesmo tempo em que impedem a destruição da floresta. Fazemos isso porque não queremos que o ar, a água, a fauna e a flora desapareçam”, destacou a representante daquele país na conferência sobre Manejo Florestal Comunitário, que acontece em Rio Branco desde domingo.

O grupo é composto por 184 mulheres, que desenvolvem o seu papel de reflorestamento em uma área fronteiriça com o México. A cada dois dias o grupo planta aproximadamente um hectare de floresta. De 1999 para cá, elas plantaram exatos 560 hectares de florestas, sem nenhuma ajuda tecnológica ou de grandes empresas.

São experiências como essas que estão sendo difundidas na Conferência Internacional de Manejo Florestal Comunitário, na capital acreana, envolvendo representantes de 41 países.

O diretor da organização responsável pelo evento (ITTO), Manoel Sobral Filho, disse que esse tipo de iniciativa deve ser considerado um modelo para o mundo todo em combate às explorações ilegais das florestas, que têm feito desaparecer milhões de hectares de áreas verdes por ano.

Durante o encontro, os conferencistas deixaram claro o desejo de incentivar comunidades de todos os continentes a trabalharem com projetos de desenvolvimento sustentável. Isso sem deixar de agregar o projeto de manejo florestal comunitário, o que vem a ser o principal foco de debate no evento.

“O povo é o principal aliado da natureza. Enquanto eles tiverem a consciência de que a floresta em pé traz muito mais benefícios à humanidade do que a floresta derrubada, a preservação é uma garantia”, comentou um dos membros do ITTO.

Hoje, gestores de diversos lugares do mundo presentes à conferência irão a Xapuri visitar o seringal Cachoeira, que assume o manejo comunitário como modelo.

Nos próximos dias, os conferencistas deverão apresentar 20 estudos de casos de sucesso, que garantem a sustentabilidade da floresta. Desses, dois são brasileiros, sendo eles o desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e o projeto de Manicoré, ambos no Amazonas.

Mexicanos produzem chiclete com recursos florestais

Em Oaxaca, no México, as comunidades florestais também sobrevivem de maneira sustentável, explorando aquilo que a natureza oferece sem causar nenhum tipo de dano. Do “Chicle”, uma árvore que possui látex semelhante ao da seringueira, os mexicanos extraem a matéria para a produção da goma de mascar.

“É uma atividade milenar, mas que ganhou organização há pouco tempo, depois que se identificou a importância dela para a sutentabilidade da floresta. Então, hoje temos 40 cooperativas com mais de 1,2 mil famílias que trabalham com a extração do látex, nos Estados de Quinatana Roo e de Campeche”, destacou o membro da comissão nacional florestal do México, Salvador Anta.

O gestor disse que o México é hoje o responsável pela grande produção de chicletes, exportando seu produto final para diversos países, inclusive os Estados Unidos.

“Não é uma atividade que proporciona grandes movimentos para a economia local, mas é incentivada pelo governo por trazer benefícios à natureza”, reforçou.

A extração do látex para a goma de mascar é conciliada com outras atividades desenvolvidas pelas mesmas famílias das 40 cooperativas. O chiclete representa para essas comunidades 30% da economia de tudo que elas produzem a partir de recursos florestais.

“Estamos aqui nesta conferência para aprender muito mais, inclusive com experiências do Acre, pois quanto mais atividades sustentáveis adotarmos em nosso país, melhor será”, completou Anta.

 

 

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Rio Branco-AC, 18 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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