| COTIDIANO | |
Gavião-real será integrado ao zoológico do Parque Chico Mendes |
|
O Parque Ambiental Chico Mendes vai abrigar o gavião-real, capturado nesta quarta-feira, por trabalhadores de uma fazenda na região do Projeto de Assentamento Bonal, no quilômetro 72 da BR-364, sentido Rio Branco Porto Velho. O animal, que pode ser fêmea com idade de dois a três meses, foi trazido para Rio Branco por homens do Pelotão Florestal da Polícia Militar, e recebe cuidados dos técnicos do parque, que vão reservar um local definitivo para a ave. Enquanto roçavam uma área, os trabalhadores derrubaram a árvore que abrigava o pássaro. O gavião-real habita grandes florestas virgens, sobretudo na Amazônia, e embora não esteja ameaçado de extinção, no Acre ele é uma ave rara. Daí a euforia dos biólogos e veterinários do Parque Chico Mendes, que já acionaram um criador de Minas Gerais, que no futuro fornecerá uma outra espécie para procriação. “A fêmea leva seis anos, em média, para atingir a maturidade sexual, enquanto o macho pode levar até oito anos”, explica o médico veterinário do Parque Chico Mendes, Paulo Dias. “Pelo seu grande porte, a ave impressiona e é muito difícil de se ver no Acre”, completa. Quando adulto, ela pode medir até 85 centímetros de altura e dois metros de envergadura - a distância de uma ponta da asa à outra. Apelidado de Mustafá, uma homenagem ao primeiro nome do proprietário da fazenda onde ele foi encontrado, o pássaro poderá ser visto em breve pelos visitantes do parque, que fica na Via Chico Mendes, no km 2, na Vila Acre. No local, a prefeitura de Rio Branco e o Ibama/Acre constroem o primeiro hospital veterinário do Estado. A unidade é construída com recursos de mais de R$ 1 milhão - parte de emendas de bancadas destinadas ao Ibama para a construção dos Centros de Triagens de Animais Silvestres, como são chamados esses hospitais. A unidade prestará auxílio veterinário a animais apreendidos ou que eventualmente forem capturados, como é o caso de Mustafá. Animal teria devorado curumim no Purus Ao saber da captura do animal pelas rádios e pelas tevês, propagavam-se com rapidez ontem as lendas e histórias em torno da ave entre seringueiros e sertanistas de Rio Branco. Entre eles, o de que o gavião-real teria devorado um pequeno índio numa aldeia de índios arredios, próxima ao município de Jordão (800 quilômetros de Rio Branco). O local fica distante seis dias de barco, acima de Manuel Urbano, a 220 quilômetros da capital acreana. “O animal é considerado a onça dos céus e é um alvoroço só quando vemos um por perto”, conta José Quirino dos Santos, ex-seringueiro que morou por mais de 20 anos no rio Moa, próximo à Serra do Divisor, em Cruzeiro do Sul, hoje morando no bairro Sobral. Por ser a mais possante águia conhecida na região amazônica, de grande e majestoso porte, com corpo agigantado, asas grandes, cauda longa, bico negro, forte, robusto curvo, com a maxila em posta aguçada e resistente, não seria de admirar que fosse muito temido pelas comunidades amazônicas. “É mesmo possível ao gavião-real capturar pequenos animais, entre eles filhotes de veados e bezerros. Por isso, existem também relatos de captura de pequenas crianças na região onde ele vive”, endossa Paulo Dias, veterinário do Parque Chico Mendes. Mas entre os mamíferos, o pássaro prefere os macacos, as cotias, as preguiças, os gambás, os coatis, os juparás, o tamanduá e o ouriço de pêlo duro. A caçada que realiza é impressionante, especialmente quando se dispõe a capturar um macaco, pois os membros da família da vítima se apavoram e se abrigam entre os emaranhados cipoais, fazem um vozerio de alarme bastante expressivo, notando-se os galhos das árvores balançarem. |
|
|
|
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |