OPINIÃO
   CRÔNICA DE DOMINGO

Francisco Gregório Filho *

 

CORRESPONDÊNCIA VI - Infância

A professora Maria do Socorro Batista da Escola Menino Jesus escreve solicitando atenção para algumas perguntas formuladas por ela e encaminhadas para alguns ex-alunos desse Jardim de Infância, pioneiro em Rio Branco com a Educação Infantil, e peço a professora o consentimento para compartilhar com os leitores às questões postas em minhas respostas. Claro que estou informado que no Acre, o governo do Estado e dos municípios vêm investindo recursos e esforços para a melhoria de qualidade dos espaços oferecidos à formação dos educadores da primeira e da segunda infância. Mas gostaria de enviar a querida Professora que me escreveu também uma só pergunta: - Como os professores têm aproveitado desta oferta? O meu abraço carinhoso a professora Maria do Socorro e aos educadores comprometidos com nossa infância.

E um bom domingo.

1 – O que a Escola Menino Jesus representou em sua vida?
R: Fui ao jardim de infância Menino Jesus aprender a amar a professora e aos colegas. Participava dessa aprendizagem em minha casa, aprendendo a amar meus pais, avós, irmãos, padrinhos e ainda os vizinhos. Desenvolvi, portanto, no Menino Jesus uma etapa de aprendizado de amar e ser amado. O ser humano conquista a sua humanidade plena nesses aprendizados, especialmente por meio de brincadeiras, cantigas, narrativas e poesias e os gestos amorosos de acolhimento.

2 – Que fatos marcaram sua passagem pela escola Menino Jesus?
R: As rodas de contação de histórias. As professoras contavam e liam histórias do repertório dos contos de fadas e as Fábulas de Isopo e de La Fontaine.

3 – Quais atividades que você mais gostava de participar na Escola?
R: As brincadeiras em que contávamos histórias e dançávamos com as professoras e também os jogos em que íamos criando quadrinhas poéticas. Uma outra atividade que agradava muito era a do contato com as imagens em movimento por meio do cinema.

4 – Quais brincadeiras eram realizadas nessa época?
R: Rodas de contação de histórias, rodas de ciranda, criação de poemas e atividades de criação com as mãos.

5 – Qual o momento mais atrativo durante as aulas?
R: Os momentos em que apresentávamos as criações e apreciávamos as criações de outras turmas. A expressão formatadora dos discursos e a escuta eram ali promovidos.
Os espaços de contemplação de obras artísticas que nos eram apresentadas, por meio de fotos impressas nos livros.

6 – Como você analisa a educação infantil nos dias de hoje?
R: Nos países desenvolvidos a educação infantil é tratada como prioridade pelos governos. Nos países em desenvolvimento ainda são lentas as ações que promovem preferencialmente a Educação Infantil. Muitos governos estão priorizando a etapa do ensino fundamental com suas decisões, excluindo as medidas necessárias para melhor qualificação do Ensino Infantil. Parece que no Brasil as atenções para esse assunto têm tido alguma repercussão mas são apresentadas de forma tímida e acanhada. Precisamos reforçar a qualidade de formação dos professores desse segmento do ensino. As crianças necessitam de poesia e do incentivo para aguçar a imaginação.

OBS.: As lembranças mais tristes que eu tenho da escola Menino Jesus são de algumas posturas preconceituosas de alguns professores e a demonstração de privilégios para alguns em detrimento dos outros, por conceitos e valores do senso comum arraigados na sociedade. Não sei se essas questões permanecem até hoje. Acredito que não.

*Contador de História

Infância
[Do lat. infantia.]
Substantivo feminino

1.Período de crescimento, no ser humano, que vai do nascimento até a puberdade; meninice, puerícia.
2.As crianças.
3.Fig. O primeiro período de existência duma instituição, sociedade, arte, etc.
4.Psicol. Período de vida que vai do nascimento à adolescência, extremamente dinâmico e rico, no qual o crescimento se faz, concomitantemente, em todos os domínios, e que, segundo os caracteres anatômicos, fisiológicos e psíquicos, se divide em três estágios: primeira infância, de zero a três anos; segunda infância, de três a sete anos; e terceira infância, de sete anos até a puberdade.

5.Bras. Pop. Ingenuidade, simplicidade:
Aquele senhor é de uma infância!

 

 
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Rio Branco-AC, 18 de setembro de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
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