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Religião na política A responsabilidade das igrejas na formação de cidadãos capazes de trabalhar por um mundo melhor para todos |
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Qual é papel da religião na política? Essa questão fundamental foi tema do seminário realizado a partir das 19 horas de segunda-feira, no auditório do Tribunal da Contas do Estado do Acre (TCE), promovido pela Faculdade de Teologia Batista Betel (FTBB). Dele participaram o ex-padre e ex-deputado estadual Manoel Pacífico, tradicional militante das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o pastor Ely Souza, da Missão Batista Para os Povos, Ocildo Júnior, representando o senador Tião Viana, que não pôde comparecer por conta da agenda como presidente do Senado da República, e jornalista Juracy Xangai, com os debates mediados pelo pastor Sabino. Mais de cem pessoas que professam as mais variadas tendências religiosas, além de estudantes da FTBB, participaram do seminário, que, do início ao fim, foi marcado pela participação ativa da platéia com questionamentos que levam a reflexões sobre o papel das religiões tanto no ponto individual quanto coletivo no mundo de hoje. Passando também por temas polêmicos como o Projeto de Lei 122, que reconhece os direitos civis dos homossexuais e combate toda forma de preconceito, quanto ao direito fundamental à vida quando se debate a legalização do aborto. Liberdade é fundamental - Impossibilitado de participar das discussões, o senador Tião Viana elaborou mensagem lida por seu assessor Ocildo Júnior durante a abertura dos debates. Nela agradeceu pelo convite e elogiou a iniciativa de mobilizar a sociedade para refletir sobre temas dessa natureza. Lembrou que a partir do século XVI, mais notadamente com a invenção da imprensa de Gutemberg, que facilitou a divulgação do conhecimento, consolidaram-se as novas formas de cristianismo que quebraram a hegemonia secular da Igreja Católica, além do surgimento do Estado como identidade nacional, fatos que abriram as portas para que se construísse o mundo moderno. Cinco séculos foram necessários para que religião e política, embora separadas, caminhassem lado a lado, com cada um amadurecendo seus papéis que devem interagir para o bem-estar espiritual e material do indivíduo por uma sociedade mais justa e fraterna. “A política e a religião cumprem seu papel maior quando fundamentadas em princípios éticos, morais e de justiça que contribuem para a construção de um mundo em que haja cidadãos cada vez melhores”, sintetizou o senador Tião Viana. O ex-padre Pacífico declarou não ser possível conceber uma religião que tolere as desigualdades e injustiças em nome do conforto e segurança de alguns, enquanto a grande maioria das pessoas é escrava da opressão. “Cristo veio estabelecer uma nova ordem religiosa pautada no amor que se expressa pelo respeito às diferenças, na tolerância para o convencimento e cura do pecador. Isso sempre focado no objetivo maior que deve ser a libertação espiritual e material do indivíduo para a construção de uma sociedade onde haja fartura, saúde e justiça para todos.” Já o pastor Ely lembrou que, desde o princípio de sua chegada ao Brasil, o movimento evangélico pautou-se pelo isolamento da política a fim de evitar influências indesejáveis. “Isso deu tempo pra que a Igreja se fortalecesse e amadurecesse a ponto de agora poder participar dela propondo melhorias fundamentadas nos ensinamentos religiosos. Contudo, ainda há os que temem esse contato entre a religião e a política, tendo em vista o mau exemplo daqueles que, seduzidos pelos encantamentos desse poder, afastam-se dos princípios cristãos voltando-se a interesses inaceitáveis.” Essa influência negativa tem se expressado claramente nas três esferas do parlamento municipal, estadual e federal brasileiros, reconhece o pastor, que vê na divulgação dos escândalos mais que motivo de vergonha, mas a expressão de que a sociedade está mais vigilante e não concorda com isso. “Na legislatura passada tínhamos mais de 90 parlamentares federais compondo a bancada evangélica. Nesta temos pouco mais de 70. Perdemos em número, mas ganhamos em qualidade porque os desonestos foram punidos e isso ajuda a melhorar a política favorecendo nossa sociedade como um todo.” Homofobia versus religião - Lembrando que em toda a Bíblia, mais específicamente no livro de Romanos, há uma proibição ao homossexualismo masculino e feminino de maneira clara e indubitável, o pastor Ely expressou sua preocupação quando aos debates para a aprovação do Projeto de Lei 122 que trata como crime punível, em alguns casos, com pena de dois a cinco anos de prisão, toda forma de discriminação ao relacionamento homossexual. “Em nome da liberdade de expressão, ameaçam com prisão o pastor, padre ou qualquer outro líder religioso que em sua pregação se expressarem contra as práticas da sodomia. Argumentam que isso caracteriza assédio e tortura moral ou psicológica. Não discriminamos o homossexual, pelo contrário, nós o amamos e desejamos sua cura espiritual, mas não podemos também ser coibidos na liberdade de expressar nossa opinião dentro de nossas igrejas”, justificou. Diante disso, convocou os evangélicos e demais cristãos a enviarem e-mails com recomendações a seus senadores para que votem contra a aprovação do projeto, que já foi aprovado pela Câmara Federal. Já Pacífico lembrou que a sociedade judaica impunha a submissão e a servidão da mulher ao homem, o que foi abolido pela nova ordem defendida por Cristo, que se manteve fiel ao Gêneses no que se refere à formação de casais. “O homem e a mulher deixam a casa de seus pais para tornarem-se um só pelo casamento. Cristo expressou seu amor pelo filho pródigo que se afasta da verdade e que volta à casa ao ser tratado com respeito e pelo exemplo de uma prática ética libertadora dos pontos de vista físico e espiritual.” Pacífico reconheceu que o movimento de defesa da diversidade tem feito da defesa da opção homossexual uma verdadeira cruzada na qual também acontecem exageros que redundam em erros e intolerâncias por parte daqueles que exigem respeito e tolerância. “O que se discute não é o homossexualismo em si, mas os direitos civis de pessoas que dentro de seu livre-arbítrio optaram por outra forma de convivência. Esse debate deve ser pautado no respeito mútuo.” “Somos frutos da união de dois seres diferentes e nisso se resume o que posso dizer. Quanto ao que vemos de errado em nossa sociedade, precisamos assumir a responsabilidade que são frutos de nossas próprias escolas na hora de decidir entre fazer o que é certo e o que é errado” lembrou Ocildo Júnior. O pastor Ely lembrou que a mobilização e orações da comunidade cristã da Colômbia levaram ao arquivamento do projeto de lei que estava aprovado e apenas aguardava a sanção presidencial para legalizar o aborto naquele país. E convidou todos para que se mobilizem de igual maneira no Brasil, tendo em vista o princípio fundamental do cristianismo que é o respeito à vida. |
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