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Exemplo de superação

Estudantes do Acre participam pela primeira vez dos Jogos Escolares Paraolímpicos

Regiclay Saady
Atletas acreanos competirão nas modalidades corrida e salto em distância


Daniele Albuquerque

Eles têm limitações, mas agora se acham capazes de enfrentar qualquer obstáculo. Prova disso é que estão partindo para a capital federal este fim de semana para participar dos Jogos Escolares Paraolímpicos, que acontece de 21 a 25 deste mês.

É a primeira vez que a delegação do Acre participa dos jogos e leva para a competição sete estudantes com deficiência visual que competirão nas modalidades corrida e salto em distância.

O treino é intenso e exaustivo, mas o treinador Alcides Bento, também portador de deficiência visual, não cansa de incentivar e cobrar resultados cada vez melhores dos alunos.

“Às vezes eles me chamam de enjoado, mas na verdade faço isso para o bem deles. Sou legal, compreensivo, mas tenho de ser exigente também, senão eles se acomodam”, explica Alcides.

O mais significante, no entanto, é acompanhar não apenas a evolução no esporte, mas também na vida social desses jovens. A maioria deles apresentava quadro de depressão e incapacidade. E foi no esporte que descobriram que é possível correr, saltar ou jogar bola como qualquer outra pessoa.

Luan Silva, 12 anos, tem apenas 20% da visão e pratica atletismo há três anos. Já participou de quatro competições, ganhou três medalhas e está confiante de que trará mais uma medalha para Rio Branco.

“Eu treino por duas horas todos os dias porque quero me tornar um grande atleta no futuro”, diz Luan.

Assim como ele, outros atletas buscam no esporte a chance de ter um futuro melhor. E todos são unânimes em afirmar que foi a partir do atletismo que mudaram a forma de se relacionar com o mundo.

“A mudança de comportamento deles é notada por todos. Na escola o desempenho melhorou e os pais afirmam que eles agora são mais alegres e comunicativos”, explica Alcides.

Um grande exemplo de superação é a atleta Gerusa Santos, 25 anos. Ela perdeu a visão aos 18 anos e a partir daí entrou em depressão e não saía mais de casa. Aos 19 anos conheceu Alcides, que a apresentou o atletismo. Gerusa começou a treinar, gostou e hoje mora em Cuiabá (MT), onde treina na Associação Matogrossense para Cegos.

Recentemente Gerusa participou da competição Loterias Caixa, em São Paulo, e ficou em segundo lugar nos 100 metros. Junto com ela participaram atletas do mundo inteiro.

“Eu adoro o que faço e aproveitei a folga dos treinos para visitar minha família e dar força aos meus amigos que irão competir semana que vem em Brasília”, disse.

 

 
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Rio Branco-AC, 18 de outubro de 2007