| OPINIÃO | ||
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Ricardo Noblat * |
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Largada para 2010 A mais nefasta derrota política que o governo amargou nos últimos cinco anos pouco teve a ver com imposto justo ou não, carga tributária descabida ou razoável. Teve a ver com a vaga de Lula. Quando o Senado mandou pelo ralo a prorrogação até 2011 da cobrança da CPMF, o governo assistiu contrafeito a largada da próxima eleição presidencial. É claro que o PSDB e o DEM negarão de pés juntos que votaram para tomar de Lula R$ 40 bilhões por ano, dinheiro suficiente para tocar quantos Programas de Aceleração do Crescimento (PACs) ele quisesse. Mas foi para isso que votaram, sim, os dois partidos e os dissidentes do governo. Esgrimiram a desculpa de que a CPMF pesava no bolso do contribuinte e perdera seu propósito original de socorrer a Saúde. A desculpa até que faz sentido. Mas ao fim e ao cabo não passa de desculpa. Quer outra? O governo negociou mal. Foi arrogante. E ao perceber o desastre que se avizinhava, interessado em impingir à oposição uma derrota humilhante, sacou de propostas que antes recusara – como a aplicação na Saúde de todo o dinheiro coletado pela CPMF. Confiava na vocação do PSDB de agir como linha auxiliar do PT. É verdade que o governo se comportou assim. Mas como no exemplo anterior, essa também não passa de uma desculpa para fácil consumo externo. Em 1994, o Plano Real acabou com a inflação e se credenciou para eleger um poste. Fernando Henrique Cardoso, o dono da assinatura estampada nas cédulas da nova moeda, ganhou com folga a eleição presidencial daquele ano. Derrotou Lula no primeiro turno. Sem o Real, ele corria o risco de sequer se eleger deputado por São Paulo. Senador? Esqueça. Pois bem: reelegeu-se presidente quatro anos depois com as sobras de um plano àquela altura combalido. Na semana em que foi derrotado no Senado, Lula celebrou mais alguns pontinhos acrescentados à sua elevada popularidade. Se em nada derrapar nos próximos dois anos, imagine como chegará forte às vésperas da escolha do seu sucessor. Imagine então como chegaria na companhia da CPMF. Acabou a farra. Lula será obrigado a cortar despesas e a reduzir as ambições do PAC. De quebra, o fim da CPMF atingiu a candidatura a presidente da gerente do PAC e queridinha de Lula, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Quer se goste ou não, a política é assim. E se faz assim. Quem está no poder quer se manter nele. Quem está na oposição quer ser governo. Haverá sempre discursos para se justificar qualquer coisa. Alguns discursos são bem convincentes. * Jornalista |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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