COTIDIANO

O cotidiano da vida na concepção do poeta

Professor prepara lançamento do livro “As Curvas dos Rios da Minha Vida”, com coletâneas de poesias

Marcos Vicentti
Raimundo Nonato é
professor e auxiliar judiciário


Val Sales

Raimundo Nonato foi professor de escola pública e atualmente trabalha como auxiliar judiciário, mas entre uma folga e outra deixa fluir o sangue de poeta que lhe corre nas veias desde os 13 anos de idade.

Na expectativa de ter a publicação de sua obra aprovada pela Lei Estadual de Incentivo a Cultura de 2006, ele selecionou uma coletânea de poesias e trata dos preparativos do primeiro livro de sua carreira.

A obra intitulada “As Curvas dos Rios da Minha Vida” nasce com 90 poesias que retratam a vida e o cotidiano na concepção do poeta. Raimundo não se considera um autor romântico, apesar de debulhar uma parte significativa de sua obra ao amor das almas pares.

Ele já participou dos festivais de música como compositor e tem poesias de sua autoria publicadas em livros de outros acreanos. Sua tendência para esse tipo de literatura surgiu aos treze anos quando escreveu o primeiro poema. Apesar disso, somente no ano passado resolveu tirar o trabalho da gaveta e transforma-lo em projeto.

Ao longo dos anos, Raimundo recebeu o incentivo de amigos para publicar sua obra, mas foi no ano passado que uma colega lhe convenceu de que havia chegado a hora de tornar seus poemas conhecidos. “Eu que escrevia de três em três meses passei a me dedicar ao trabalho diariamente”, ressaltou.

O livro fala de temas que variam entre o romantismo, a política, sociedade e meio ambiente entre outros. Destaque para as poesias de cunho social, onde Raimundo lembra a problemática da gravidez na adolescência, uso de drogas.

“A poesia é uma forma de expressão e o poeta é um fotógrafo literário”, concluiu. Ele pretende levar o livro ao conhecimento dos alunos das escolas e demais instituições educacionais. Otimista, ele espera que seu projeto aprovado pela lei de incentivo.

DIANTE DE DEUS

Diante de Deus
Eu calo
Eu emudeço
Não tem argumentos
Eu desfaleço
Como argumentar, se de antemão
Ele conhece os meus tormentos
Os meus tropeços

Diante de Deus
Eu falo
Não, eu não falo
Eu titubeio
Eu cacarejo
É assim que eu me vejo
Diante de Deus

Diante de Deus,
É só soluços
Eu ajoelho
Eu me debruço
E nada peço
Eu não mereço
Só agradeço
Diante de Deus

Diante de Deus
A majestade
Quem ousaria, balbuciar
Qualquer asneira
Qualquer bobagem
Olho o presente
Miro o futuro
E me transporto
Ao meu passado
E, absorto, inebriado
Vejo só Deus
Ao meu lado
Diante de Deus
Eu me transponho
Às alturas
Eu sublimizo as agruras
E deslizo, suave
Num doce sonho, alado
Junto com Deus
Lado a lado
(Raimundo Nonato)

 

 
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Rio Branco-AC, 19 de março de 2006
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