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Restauração trará nova vida ao primeiro mercado da capital Revitalização do complexo do Mercado Municipal vai oferecer segurança e conforto para a população |
![]() Passarela ligando o Centro ao Segundo Distrito está em fase final de conclusão |
Símbolo de uma época em que a borracha ainda era o ouro negro e os navios que faziam banzeiro no rio Acre num sobre e desce quase sem fim a trazer mercadorias e levar produtos da floresta, o primeiro Mercado Municipal de Rio Branco está recuperando sua beleza e imponência. O conjunto de obras será inaugurado no final deste mês de março. Ao mesmo tempo em que ele ganha novos acessórios como a passarela metálica que está sendo construída entre as duas pontes para tornar mais segura à passagem de pedestres e ciclistas por sobre o rio Acre. Ao passar por ali, eles revitalizarão sua praça de comércio que um dia já foi a mais importante área de negócios do 1º Distrito da Capital. Também as fachadas das lojas construídas ao longo da rua Epaminondas Jácome estão sendo restauradas pelo governo do Estado que assim vai oferecendo mais um espaço de lazer e bem estar para a população, além de embelezar o lugar onde até há pouco só se via um verdadeiro pardieiro. A restauração do complexo do mercado vai beneficiar um total de 66 pontos comerciais. Dezesseis deles dentro do prédio mais antigo, 12 no segundo prédio, 24 na rua Epaminondas Jácome e 14 pontos voltados para a beira do rio Acre. Mas a reforma e as melhorias não se limitam apenas aos prédios, praças, pontes e ruas, mas também às pessoas que por décadas trabalham ali. A Secretaria de Obras Públicas (Seop) firmou parceria com o Sebrae para realizar treinamentos de empreendedorismo com os mais de 30 comerciantes, donos de pensão, erveiros e outros profissionais que ali trabalham há muitos anos sem ter tido a oportunidade de modernizar seus conhecimentos sobre negócios num mundo cada vez mais globalizado. De segunda a quarta-feira desta semana eles receberam treinamentos no salão do Teatro Hélio Melo. Os cursos foram de empreendedorismo, atendimento ao cliente, técnicas de negociação e controle financeiro. “Nosso objetivo é fazer com que as pessoas passem a ter uma visão mais empreendedora de seus negócios melhorando o atendimento. Inclusive, assistiram palestra feita pelo historiador Marcus Vinicius para que conheçam melhor a história do mercado e possam falar sobre isso com seus clientes”, explicou Socorro Figueiredo gerente de Educação do Sebrae. Três gerações no mercado Elita Silva Maia tem 47 anos e cinco filhos, para ela percorrer os estreitos e sujos corredores do velho Mercado Municipal convivendo na vizinhança de ratos e marginais tornou-se rotina desde a infância porque foi praticamente criada ali dentro. “O Café Nossa Senhora de Nazaré que hoje eu tomo conta foi criado pela minha avó que depois de muitos anos passou para minha mãe, a Pelegrina e dela para mim. Nossa vida toda está ligada ao mercado trabalhando naquela pensão. Para nós ter um mercado limpo e arrumado era um sonho que até agora parecia ser promessa de político em tempo de eleição, mas que nunca acontecia. Sonho que agora o Jorge Viana fez virar realidade”. Reaprendendo a trabalhar A Casa das Ervas e Banca do Tempero surgiu em 1958 quando Manoel Gentil Brilhante, hoje com 65 anos e pai de cinco filhos, começou a trabalhar no Mercado Municipal. De lá para cá ele assistiu sua deterioração causada pelo abandono por parte da prefeitura e a invasão de sua praça para a construção de bancas de madeira que com o tempo impediam as pessoas de ver aquele que já foi um dos mais belos prédios de Rio Branco. “Eu estou gostando demais dessa reforma que o governo está fazendo, até me lembro que o Jorge Viana prometeu fazer isso quando era prefeito, mas o governo da época não deixou. Ainda me lembro do Jorge e o Tião ainda meninos vindo na minha banca para comprar pião, peteca e linha para soltar pipa, pois eu continuo lá vendendo as mesmas coisas. Passei minha vida toda enfiado neste mercado e só agora que estou fazendo esse curso do Sebrae percebi que preciso mudar meu jeito de trabalhar. Gostei bastante do treinamento sobre como atender os clientes, do que jeito que estava fazendo acabava espantando eles”. Carlos Alberto Medeiros de Almeida, 42 anos, pai de dois filhos e proprietário da Casa Paraíba, trabalha no local há 20 anos. “Na verdade eu sou a segunda geração de minha família a trabalhar ali, pois meu pai foi quem começou esse nosso negócio de material de caça e pesca, eu gostei e estou continuando. Nossa expectativa com essa reforma é a melhor possível, até porque, aquela passarela vai voltar a jogar gente dentro do mercado e isso com certeza vai fazer melhorar muito o movimento de dinheiro”. Limpeza à vista Há 23 anos Janete da Silva Alves, agora com 52 anos e cinco filhos, começou a trabalhar no mercado como ajudante de cozinheira numa pensão e nunca mais saiu de lá. Cinco anos depois apareceu a tão sonhada oportunidade de montar seu próprio negócio alugando um ponto vago. “Eu não tinha condição, mas tomei coragem, juntei as forças e meti a cara, logo o ponto já era meu. Comigo trabalham uma nora e uma filha que estão desempregadas. Estou muito alegre porque agora as coisas estão acontecendo, neste curso do Sebrae aprendi coisas que eu nunca imaginava, já com a reforma vou poder trabalhar num lugar limpo, porque antes por mais que me esforçasse, o lugar não permitia”. No dia primeiro de fevereiro de 1964 nascia o Bazar Almeida sob a direção de Antônio Viana de Almeida, que aos 67 anos e pai de sete filhos recorda com saudade os 41 anos de uma vida dentro do mercado onde criou seus filhos. “Fiquei preocupado quando o doutor Eduardo disse pra mim que quem estava dentro do mercado não ia ser indenizado porque era prédio público, mas tinha que sair para voltar depois da reforma. Acalmei porque ele é muito educado e garantiu que a gente ia continuar lá dentro. Fui o primeiro a apoiar a reforma que sempre foi nosso sonho, até o Jorge Viana tinha prometido e agora eu sei que a coisa vai”. Empolgado com o treinamento que recebeu durante quatro dias pelo Sebrae, ele esclareceu: “Trabalho com comércio há mais de 40 anos e todo dia a gente aprende alguma coisa, mas estes quatro dias serviram por muitos anos. Da primeira vez que me convidaram não quis participar, perdi meu tempo, mas a partir de agora quando eu souber de um curso do Sebrae pode saber que estou lá dentro”. Desafio de melhorar ambientes e pessoas Mais do que uma obra de restauração de um dos centros comerciais mais tradicionais de Rio Branco, ela trabalhar o caráter humano, pois está voltado para melhorar o bem estar da população que já não terá de correr riscos cruzando as estreitas passagens que as colocam em risco nas pontes Vanderley Dantas e JK. Construído em 1929 o primeiro Mercado Municipal de Rio branco foi também a primeira obra construída em alvenaria na Capital. A seu lado seria construído outro já no final dos anos 50 e de lá para cá a área foi enfrentando a decadência que se destacou no final dos anos 70 quando muitos comerciantes se afastaram do local. “As construções de madeira acabaram encobrindo os arcos e detalhes que davam beleza e harmonia ao prédio do mercado. Eles agora reapareceram, nós restauramos o lanternim do telhado e outros detalhes que davam graça ao edifício mais antigo de nossa cidade”, explica o secretário de Obras Públicas, Eduardo Vieira. O segundo mercado, mais novo, além de restaurado recebeu diversas melhorias para que se combine mais com o antigo e assim componham um conjunto arquitetônico mais harmonioso. “A passarela está sendo construída para que as pessoas não tenham mais de correr risco de vida passando pelas pontes. Do lado do 2º Distrito as pessoas terão acesso à passarela por três passagens. A primeira por entre a ponte nova e a Agro-boi, a segunda pelo terreno onde ficava a antiga Federação Espírita e a terceira fica entre a ponte velha e o Posto São Francisco”, esclarece Eduardo. O secretário fez questão de destacar que: “Mais do que restaurar edifícios nós estamos fazendo uma obra para pessoas e nisso, um dos maiores desafios e para o qual buscamos a ajuda do Sebrae, foi para transformar também o modo de agir dos antigos comerciantes que sempre trabalharam e queremos que continuem ali, mas com seus negócios reorganizados para atender melhor aos clientes que hoje estão muito mais exigentes”. |
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