OPINIÃO
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George Sampaio Pires *

 

 

O curso de Medicina no Acre: legado
histórico do senador Tião Viana

A história está sempre a apontar os precursores e idealizadores das ciências em todo o mundo. No campo da medicina não acontece de forma diferente. Há aqueles que fazem mais do que outros, há povos que ganham mais destaque, há personalidades de maior brilho, iluminadas pelo amor da arte a qual se dedicam.

A medicina é uma ciência que nasceu no século V a.C. no Egito Antigo. Essa gente possuía técnicas avançadas de mumificação, realizava operações complexas e conhecia profundamente a anatomia humana porque abria os corpos dos faraós para retirar-lhes as entranhas e proceder à famosa mumificação. Também os gregos antigos demonstraram fervor pela medicina e foram pioneiros no estudo do sintoma das doenças. Tiveram em Hipócritas o grande mestre, considerado o pai da medicina. Em Roma, a medicina também alcançou apogeu com Galeno, um grego que ali residia.

Conforme ressaltou Bullough, em seu livro The development of medicine as profession, a medicina só foi institucionalizada a partir da Idade Média, após a fundação da escola de Salermo e das primeiras universidades européias. Dentre elas teve atuação destacada a de Pádua, onde se formaram e ensinaram grandes personagens que revolucionaram a medicina, como Vesalius, Morgagni, Harvey e outros.

Segundo os tratados médicos, após Hipócrates e Galeno, a medicina teve poucos avanços.E eles vieram mais por força do processo tecnológico. Foi assim que no século XIX todo o conhecimento ficou mais apurado após a invenção do microscópio acromático. Com esta invenção, Louis Pasteur conseguiu descobrir que as bactérias são as responsáveis pela causa de grande parte das doenças.

A medicina atual dispõe de inúmeras drogas capazes de curar, controlar e até mesmo de evitar inúmeras doenças. Aparelhos eletrônicos sofisticados são capazes de fazer um diagnóstico apurado, passando informações importantes sobre o paciente. Os avanços nesta área são rápidos e possibilitam uma vida cada vez melhor para as pessoas.

No Brasil, o ato médico, tal como se entende hoje, só se tornou realidade no século XIX. Lycurgo Santos Filho, em sua História Geral da Medicina Brasileira, faz um retrato fiel do que foi a medicina no período colonial. Os poucos médicos que aqui aportavam eram chamados físicos e tidos, em sua maioria, como cristãos-novos, ou seja, judeus recém-convertidos ao catolicismo para fugir à Inquisição. Em maior número vieram os cirurgiões, dos quais havia três categorias: os “cirurgiões-barbeiros”, os “cirurgiões aprovados” e os “cirurgiões diplomados”. Predominavam os “cirurgiões-barbeiros”, que praticamente monopolizavam a prática da medicina nos séculos XVI e XVII. Logo os nativos, quase sempre mestiços ou mulatos, aprenderam o ofício e se tornaram também “cirurgiões-barbeiros”.

Esta situação só começou a se modificar com a vinda de D. João VI para o Brasil, quando foram criadas, em 1808, as duas escolas médico-cirúrgicas, uma na Bahia e outra no Rio de Janeiro. Na realidade, somente a partir de 1832, quando as duas escolas foram transformadas em Faculdades de Medicina, começaram a se formar médicos brasileiros, os quais, aos poucos, foram assumindo o exercício da medicina, em concorrência com os “cirurgiões-barbeiros” e os curandeiros. As famílias mais abastadas mandavam seus filhos estudar na Europa e muitos médicos brasileiros formaram-se em Coimbra, Salamanca, Montpelier e Edinburgh.

No Acre a história da medicina começa no ano de 2002 e tem como precursor o médico Tião Viana que, apoiado pelo governador Jorge Viana e todo o arcabouço pedagógico e técnico-científico da Universidade Federal do Acre, consegue sensibilizar o MEC para autorizar o funcionamento do Curso de Medicina. E foi assim que o curso de graduação em medicina, bem como a residência médica e o mestrado, que compõe parte do plano do governo do Estado de transformar o Acre num centro de excelência de saúde pública, começou a funcionar. Volenti nihil difficile, ou seja, a quem quer, nada é difícil.

Em face do quadro que acima se retrata, impossível desconhecer que o senador Tião Viana, médico de reconhecida sensibilidade e seriedade profissional, tem feito a diferença na área de saúde no Estado. Quando de sua eleição para o Senado, em 98, houve quem dissesse que o Acre, com Tião no Senado, sofreria enormes prejuízos, porque perderia um médico de qualidade. É necessário se fazer justiça: o Acre ganhou muito com o médico Tião senador da República.

Não fosse sua luta, o Acre não seria agraciado com a implantação de uma Faculdade de Medicina e não teria essa enorme perspectiva de que, daqui por diante, as coisas estão menos difíceis, haja vista os cursos de pós-graduação realizados no Estado, oportunizando as especializações médicas.

Por isso tudo o Senador não esconde o desejo em fazer do Acre, na região amazônica, uma referência em ensino na área de saúde. Há, aqui, em meio à natureza, muitas endemias a serem catalogadas, estudadas, tratadas. Assim, ele está harmonizado com o pensamento de Paracelso: ”A medicina se fundamenta na natureza, a natureza é a medicina, e somente naquela devem os homens buscá-la. A natureza é o mestre do médico, já que ela é mais antiga do que ele e ela existe dentro e fora do homem”.

E por todas as ações que se vê, res, non verba -- coisas (atos), não palavras -- a atuação de Tião Viana, na área de saúde, sem prejuízo das demais atribuições de um senador, elas orgulham os acreanos e apontam qual a natureza de políticos que doravante o povo deve eleger.

* Médico no Acre

 

 
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Rio Branco-AC, 19 de março de 2006
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