| OPINIÃO | ||
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| Glaucinei Rodrigues Corrêa * |
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Viva o artesanato acreano! O artesanato acreano tem sua base na grande biodiversidade das florestas locais - revelada na utilização das matérias-primas naturais, como as sementes, madeiras, fibras, raízes e cocos - e na cultura material e imaterial do povo acreano. A origem do artesanato, no Acre, vem dos povos indígenas, através dos objetos de uso doméstico, festivo e religioso: o jamaxi, o remo, o cesto, o cachimbo e a canoa são alguns desses objetos que marcaram a história do artesanato e fazem parte da cultura do estado. Ao longo das últimas décadas, o artesanato no Acre passou por diversas fases, desde a desvalorização dos valores culturais locais, da história - marcada por preconceito social em relação à sua origem - passando por tentativas de valorização, com ações de política pública compensatória, até os anos mais recentes, onde houve uma grande valorização da floresta, da história, dos povos indígenas, das raízes, dos heróis do estado e conseqüentemente do artesanato. O Programa do Sebrae de Artesanato vem sendo desenvolvido desde 1998 e tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida, auto-estima e renda dos artesãos. A partir de 2005, o programa agregou uma série de ações integradas: uma metodologia específica para o artesanato, a integração das instituições de fomento, a aproximação com o mercado atacadista (lojistas e empresas), o desenvolvimento de um website e a sustentabilidade comercial do artesanato no Acre. Todas essas ações fazem parte de um ciclo de atividades que tem como premissas a valorização do artesanato acreano e a transformação do artesanato em atividade econômica. Há um acréscimo de conhecimento e amadurecimento do Programa de Artesanato a cada ano. Além das experiências acumuladas e aprendidas durante as capacitações, há outros resultados expressivos, como por exemplo, o crescente número de artesãos atendidos pelo projeto. Em 2006 o evento para comercialização dos produtos, o Projeto Comprador, contou com 12 artesãos apresentando 40 produtos e no último evento, dezembro de 2007, 23 artesãos apresentaram aproximadamente 100 produtos, um crescimento de 250% em relação à quantidade de produtos expostos. A criação dos produtos, linhas e coleções têm como foco a exploração da regionalidade, da história acreana, da cultura e da identidade do produto e dos grupos utilizando conceitos de design — pesquisa, observação, atributos de valor, processo criativo, desenvolvimento de produtos e mercado — para atender o mercado varejista e atacadista. O ciclo das ações do projeto consiste, basicamente, nas seguintes etapas: diagnóstico (mapeamento das necessidades); capacitação 1 (comportamental, técnicas artesanais e identidade cultural); capacitação 2 (design e tecnologia); capacitação 3 (gestão e comercialização); acompanhamento (em gestão e design); inserção dos produtos no mercado (feiras, rodadas e eventos); avaliação dos resultados (volume de vendas, postos de trabalhos gerados, média de preço dos produtos, qualidade de vida e auto-estima dos artesãos); e acompanhamento pós-venda (suporte dado aos artesãos para garantir a produção e entrega das encomendas). Um dos tipos de inserção dos produtos no mercado é o Projeto Comprador, evento que reúne os artesãos e os lojistas/compradores com o objetivo de comercializar os produtos no atacado. O Projeto Comprador é organizado para que o artesão possa expor e negociar o produto, com lojistas de todas as regiões do Brasil — previamente selecionados de acordo com o perfil da loja e dos produtos desenvolvidos pelos artesãos do projeto — são convidados a participar do evento, que acontece na região onde os produtos são desenvolvidos. As outras possibilidades de inserção dos produtos no mercado são através do site — desenvolvido especificamente para o artesanato acreano, no qual os artesãos e lojistas podem se cadastrar e comercializar os produtos — e do catálogo, que no último ano, 2007, contou com a apresentação de 100 produtos. O website recebe em média 30 visitas por dia e já comercializou quatro lotes de produtos, com vendas inclusive para os Estados Unidos. Como referência para o desenvolvimento das atividades com os artesãos, durante as capacitações de design e tecnologia, utiliza-se os conceitos, métodos e metodologias do design industrial adaptados ao produto/processo artesanal, o objetivo é fazer com que o artesão perceba os valores que podem ser inseridos no produto que ele está desenvolvendo/criando. A capacitação em design e tecnologia acontece em dois módulos distintos: o primeiro tem como ênfase os conceitos gerais, é a base para que o artesão entenda o processo de desenvolvimento de produtos aplicado ao artesanato. O segundo é mais objetivo, trata diretamente das questões relativas ao produto, aos aspectos relacionados à produção e à comercialização. Ambos têm duração de aproximadamente uma semana, o tempo depende do perfil do grupo. Os resultados do Projeto Comprador — no último evento o volume de vendas total foi de R$104.576,98, cada artesão vendeu em média R$5.228,85 e o preço médio de cada produto artesanal foi de R$17,17, aumento de 52% em relação ao ano anterior, que foi de R$11,26 — nos mostram que os objetivos estão sendo atingidos: a valorização do artesanato; Além disso, as estatísticas nos mostram também que a metodologia empregada está correta e que a intervenção do design no produto de artesanato está acontecendo de forma adequada. Para os artesãos os resultados representam a esperança de que as coisas podem ser diferentes, melhores, e que há um processo de mudança do qual estão fazendo parte. Pelo dia do artesão e pelos resultados do projeto, Parabéns aos artesãos! * Professor de Design de Produtos da Universidade do Estado de Minas Gerais |
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