COTIDIANO

Kits levam alegria a deficientes visuais

 


Juracy Xangai

Cegos e deficientes visuais receberam ontem dez kits contendo uma bengala, reglete, punção e papel especial para a escrita em braile, além de uma calculadora manual do tipo japonês mais conhecida como soroban.

Trinta kits foram doados pelo MEC à Secretaria de Estado da Educação, que distribuiu 20 deles através da Gerência de Educação Especial e repassou outros dez para que fossem distribuídos pelo Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAPVD-Acre), que começou a entregá-los na manhã de ontem.

“Esses kits trazem ferramentas básicas que ajudam a oferecer uma melhor qualidade de vida aos deficientes. As bengalas permitem que eles se tornem mais independentes, caminhando sem precisar de ajuda. O reglete e os punções possibilitam que escrevam em braile para que possam ler e estudar. Pode parecer pouco, mas esses instrumentos são muito significativos para todos nós. Sem contar com o fato de que a maioria dos deficientes não tem condições financeiras para comprá-los”, explica o professor Luiz Augusto Braz, coordenador do Centro de Atendimento aos Deficientes Visuais, sendo ele mesmo deficiente, o que não impediu que fizesse um curso universitário e agora está concluindo outro.

Segundo ele, os últimos 20 kits haviam sido distribuídos em 2004, quando o governo do Estado, através do Departamento de Ensino Especial, distribuiu bengalas e outros instrumentos necessários para o uso dos deficientes visuais. “O importante nesse caso é que os kits são completos para apoiar sua locomoção e estudos”, explica Luiz.

No centro de apoio, ele e sua equipe atendem 300 deficientes, dos quais apenas 120 são cegos - os demais têm baixa visão. “Boa parte desses deficientes que atendemos vem do interior do Estado. O número de deficientes visuais existentes no Acre é muito maior, mas infelizmente a família de muitos deles ainda não sabe que estamos aqui para ajudá-los, por causa disso muitos continuam totalmente dependentes de seus parentes”, acrescenta.

Cada kit é composto por um reglete, dois punções para escrever em braile, 100 folhas de papel 40 quilos para escrever em braile, uma bengala dobrável e uma ponteira sobressalente para bengala.

Um novo amanhecer - Wemerson Gomes da Rocha, 25, e a mulher Celestina, 27, moram no Conjunto Montanhês. Os dois são cegos e, embora ele trabalhe como vendedor, as despesas da casa não permitiam comprar o kit de que tanto necessitam.

“Freqüento o centro desde 1996, já fiz todos os treinamentos, mas não tinha dinheiro para comprar os instrumentos. Agora ganhamos dois kits e com isso vamos poder viver melhor”, diz Wemerson.

Outro que ganhou seu kit foi o estudantes Daniel Souza da Silva, 28, morador do bairro Boa União e que está fazendo as provas de 5ª a 8ª série no Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos. “Meu sonho é ser advogado e depois juiz, mas não podia comprar o kit. Agora, que ganhei este, vou poder estudar melhor. Sem estudo a vida fica muito mais difícil”, admite.

 

 
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