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Sandra Starling * |
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A segurança pública no Brasil Os que me honram, lendo meus artigos, hão de lembrar os elogios que fiz ao Prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e ao Governador Aécio Neves, por terem trabalhado, em cooperação, para enfrentar, em 2004, momento de tensão no campo da segurança pública na Capital de Minas Gerais. É que sempre acreditei que segurança pública não pode e não deve ser atribuição apenas dos Estados Federados, mas sim atribuição a ser exercida, com eficiência, pelas três esferas de governo, além de ser responsabilidade de todos, como determina a Constituição. Logo, o Prefeito precisa se mover, como também tem de se mover o Presidente da República, além do próprio Governador. Se os três trabalhassem em conjunto, em todo o País, certamente teríamos mais sossego. Criei meus filhos na pacata BH da década de setenta. Sozinha, morando em uma casa que nem grades nas janelas possuía – aliás, imóvel de um único pavimento, tinha, na frente, porta e janelas de vidro. Portanto, alvo fácil para meliantes, se estes fossem tão numerosos e tão atrevidos quanto hoje em dia. Lembro-me que à noite, quando saia com amigos, voltava sozinha, dirigindo meu carro. Meu portão tinha de ser aberto manualmente. Eu descia do carro, deixando a porta dele aberta e com minha bolsa lá dentro, e só então estacionava o carro. Nunca passei susto algum. Aliás, passei sim, uma única vez, quando notei que um carro cheio de rapazes estava me seguindo. Olhei o tanque, que estava cheio. Aí, toquei em direção ao bairro Santa Efigênia, onde fica um quartel da Polícia Militar. Ao perceberem para onde eu seguia, deram meia-volta, de modo que pude, tranqüilamente, voltar para casa. Aos doze anos de idade, todos os meus filhos recebiam a chave da porta e não me lembro de ter ficado sem dormir uma noite sequer, enquanto eles eram adolescentes. Já na década de noventa, quando retornei a Minas, depois que encerrei minha vida pública, meu filho mais novo ainda não havia se casado e eu fiquei muito mal impressionada com a insegurança reinante por todo lado. Cheguei a passar noites em claro esperando por ele. E olhe só que ele já estava com mais de 25 anos de idade!! O mesmo se passou quando uma sobrinha foi morar comigo, para estudar na PUC-Minas. Tivemos uma briga muito séria na primeira vez em que saiu com as colegas, porque não tive sossego, enquanto ela não chegou da festinha... Mas nada disso pode se comparar ao que vem acontecendo, principalmente em São Paulo, mas não só lá. De repente, o crime organizado toma conta das cidades, realizando atentados e apavorando seus moradores. Fiquei chocada com as cenas de violência, com as mortes mas, também, com a declaração do Governador do Estado, Cláudio Lembo, dizendo, malgrado dezenas de cadáveres de policiais, que “a situação estava sob controle.” Como, “sob controle”, se quem dita o ritmo dos eventos é o PCC? Não sou especialista em assuntos de segurança pública. Agora mesmo, tenho procurado conhecer o que têm pensado os que participam do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, cujo site é www.crisp.ufmg.br. Sobretudo quero checar se estou certa, quando penso que a violência não é apenas fruto da miséria ou da desigualdade social, mas, sim, de uma existência sem prazer, sem horizonte de realização pessoal. Caso contrário, como entender que os filhos de nossa classe média e jovens em sociedades abastadas, também cometam crimes, como os que temos tido notícia? Essa é uma seara em que a soberba não ajuda absolutamente em nada. * Bacharel em Direito, mestre em Ciência Política, ex-deputada federal (PT-MG) e assessora do senador Tião Viana (PT-AC) |
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