COLUNA
   SAÚDE

Com Val Sales

 

O que você precisa saber sobre a enxaqueca

A enxaqueca é um problema de saúde que atinge um número considerável de pessoas na sociedade. Para cada dez indivíduos na população adulta, aproximadamente três mulheres e um homem são portadores da doença. Chegou a hora de tirar as dúvidas, conhecer melhor as causas e efeitos e parar de ter dor de cabeça com a enxaqueca.

Marcos VicenttiO neurocirurgião Renato Moreira Fonseca (foto), membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, dá dicas de como se prevenir da doença adotando mudanças simples nos hábitos alimentares. Em média, 70% dos pacientes tratados não precisam de medicação, sendo que a promoção de mudanças na alimentação já inibe de forma expressiva os sintomas.

“A enxaqueca é uma manifestação sintomática, que na maioria das vezes, se apresenta com dor de cabeça, náusea, tontura, aversão a barulho, luz e odores fortes”, lembra o médico. Nem sempre a pessoa precisa apresentar todos esses sintomas para que seja feito um diagnóstico de enxaqueca. Renato explica ainda que a doença não se transmite de pessoa para pessoa. O sujeito já nasce com essa tendência. É uma predisposição genética e que depende de fatores externos do organismo para que possa se manifestar.

Existem mais de 300 doenças que podem gerar dor de cabeça. Porém, a enxaqueca é uma dor pura e não necessita, para que ela exista, que o sujeito tenha alguma doença no cérebro ou em outro local do corpo. Alguns pacientes realizam exames de ressonância magnética, tomografia, eletroencefalograma e sangue, mas nada é detectado, já que a doença não é conseqüência de outra. Aproveite a oportunidade e faça uma consulta gratuita sobre o assunto, sem precisar sair de casa ou contar minutos em uma sala de espera.

Que fatores influem na manifestação dos sintomas?

A enxaqueca está relacionada com a depressão, ansiedade, estresse, e principalmente ao hábito alimentar e hábitos do dia a dia. Podemos citar como exemplo a insônia, e o fato de pessoas que dormem muito tempo por causa de um determinado horário de serviço. Quem não se alimenta no horário adequado ou tem o período de jejum prolongado também acaba manifestando esse quadro sintomático em função da sua predisposição natural.

Que alimentos e que substâncias estimulam o aparecimento dos sintomas?

Podemos citar a Tiramina – um aminoácido; o Glutamatomonossódico – usado em tempero industrial e o Aspartato – usado no adoçante dietético. Outra substância é a Cafeína - presente no chá-mate, café e refrigerantes, além do álcool, amplamente consumido na sociedade.

O que fazer quando a dor de cabeça chega?

Já tive casos de pacientes que tomavam dez comprimidos de Dipirona por dia. É importante que a pessoa procure em primeiro lugar um médico para que seja orientada quanto à maneira correta de se tratar. Em segundo, evitar ao máximo consumir medicação por conta própria.

O que o senhor diz dos analgésicos efetivos de cabeceira do paciente?

As pessoas acabam ficando dependentes do analgésico, e num determinado momento a enxaqueca acaba se transformando em um problema mais sério. Esses analgésicos levam a uma série de efeitos colaterais de reações adversas, principalmente na parte do rim e do fígado, que pode comprometer o sujeito em um espaço relativamente curto de tempo.

E quando a dor de cabeça interfere das atividades diárias?

As pessoas que apresentam dor de cabeça com uma freqüência razoável podem apresentar outros sintomas. A união desses acaba interferindo na capacidade de o indivíduo manter uma vida independente. Ele acaba tendo que faltar ao trabalho e fica impossibilitado de realizar outras atividades inerentes à vida pessoal, o que acaba gerando um custo social alto.

O que ocorre no cérebro que desencadeia os sintomas?

Uma disfunção na troca de hormônios e neuro-transmissores. O sujeito pode apresentar essa disfunção, em primeiro lugar, por um fator genético ou hereditário envolvido. É comum encontrar vários portadores de enxaqueca em uma mesma família. (Renato Moreira Fonseca possui formação em Neurologia no Hospital Miguel Couto/RJ, Hospital do Lago/RJ, Faculdade de Medicina Fundação da Serra dos Órgãos/RJ e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia.

 

 
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Rio Branco-AC, 19 de maio de 2007
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Da Redação
 
 
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