| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
Francisco Gregório Filho * |
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Repertório e acervo Somos aquilo que vamos adquirindo ao longo da vida. Os primeiros jogos, as brincadeiras, as cantigas, os cantos vão imprimindo em nós um pouco daquilo que vamos ser quando adultos. Não somos passivos às experiências e, a cada uma aprendida, incorporamos informações , transformamos, acrescentamos parte de nossa própria “herança” e vamos construindo nosso jeito de nos olhar e de olhar o mundo. Produzimos saber, saberes. Comprometidos com nossa época e lugar. Criando um processo para desnaturalizar o olhar. As muitas histórias ouvidas na infância passam a constituir pequenos acervos que, interagindo com nossas vivências, vão construindo significativamente para o exercício da crítica acerca das coisas que presenciamos, permitindo apurar nosso papel de cidadão. Não se trata de entender “a moral da história”, mas de perceber que o contar e o ouvir histórias podem ser fortes componentes para formar o sentido da responsabilidade social de cada um de nós. Mesmo antes da escrita, o homem lia. Lia o mundo com seu olhar, com suas experiências sensoriais e, utilizando-se da linguagem oral e das imagens, trocava idéias, refletindo sobre tudo o que o cercava. E, mesmo com a escrita, continua se utilizando da palavra oral e das imagens para fazer suas observações e, principalmente, argumentar. Escrevendo e dando voz. Não só falando ou contando histórias, mas ouvindo o outro contar também outras histórias, ouvindo a voz do outro, o homem partilha suas impressões sobre a vida e discute as questões que ocorrem a sua volta. Ouvi muitas histórias contadas por meu avô, minha avó, meu pai e minha mãe. Isso em casa. Na comunidade ouvi as histórias contadas pelo vigia do mercado popular, o leiteiro, o botequeiro e ainda pelo meu tio Manezinho. Claro que fui ler os folcloristas por sugestão de meus avós: Luis da Câmara Cascudo, Alberto Figueiredo Pimentel e tantos outros. Minha paixão pelas narrativas populares surgiu daí, dessas escutas e dessas leituras. Uma outra paixão é por incentivar as pessoas para que elas também contem suas histórias ou melhor, as histórias que guardam em seus acervos. Por isso o meu trabalho com as oficinas de contadores de histórias que desenvolvo ininterruptamente desde 1992. Gosto muito de promover essas ambiências de histórias (contar e ouvir) com professores e profissionais das diversas áreas. Outros contadores especiais são caros para mim como: Eliana Yunes, Maria Dolores Coni Campos, Maria Clara Cavalcanti, Karla Martins, Augusto Pessoa e José Mauro Brandt. E sinto muita saudade de Fernando Lébeis. Vamo-nos tornando cidadãos à medida que, conhecendo a realidade que nos cerca, por meio de troca de notícias e de argumentos, adquirimos não só a sensibilidade necessária para perceber nossos acertos, nossos erros, os erros e acertos do outro, mas principalmente a capacidade de intervir e transformar essa realidade. Assim procuramos qualificar nosso exercício diário de discernimento: lançando múltiplos olhares sobre as mesmas imagens e questões que nos são postas na relação com o outro e com a natureza e, desse jeito, participando da gestação de um mundo que desejamos justo e, portanto, melhor na escolha e formação de nosso repertório e de nosso acervo. Em uma sociedade letrada, também é necessário ler e escrever para produzir uma escritura, mostrar seu sotaque. E é assim que, como um ser aprendente, leio, escrevo, ouço, conto, vejo, desenho e desenvolvo as oficinas de multiplicação do que sei e do que preciso aprender. * Contador de Histórias |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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