| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
Florentina Esteves |
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Festas juninas “São Pedro disse ... assim se passava fogueira, naquele tempo em que Rio Branco não era mais que um vilarejo, onde todos se conheciam. Não havia asfalto nem carros, muito menos ponte, e a vida transcorria tão mansa quanto as águas do rio Acre. As fogueiras eram armadas no meio da rua, em frente às casas, e lá se brincava, se comiam comidas típicas e ... se arranjava namoro, como mandava a tradição de Santo Antônio, o santo casamenteiro. Se o namoro não se iniciava no Santo Antônio, havia a esperança do são João ou de são Pedro, além daquela festa longamente ansiada da Tentamen, festejando os santos. Por fim, esgotadas as esperanças, à donzela restava enfiar uma faca no tronco da bananeira, à meia noite, decifrando depois o nome de pretendente, ou qualquer outro sinal que o identificasse. Funcionava? Sei não. Sei que muitos noivados e casamentos aconteciam depois disso. Mas tudo vem mudando, com a cidade se dando ares de metrópole. Até o clima. Aquela friagem infalível no Santo Antônio, cadê? Com o desmatamento abrindo as portas do buraco negro e quente, padecemos a inclemência do calor de quase 40 graus, que só a tecnologia do ar condicionado vem amainar. Também mudaram as relações humanas. Não há mais “passar fogueira”, que nem fogueira se faz mais! Em um ou outro evento, quando se festejam os santos juninos, são outras as comemorações, agora permeadas pelo estilo country. E os guapos mancebos, chapéu de boiadeiro, botas cano alto, cinto largo, paqueram as moçoilas com quem apenas pretendem “ficar” um tempo, por desfastio. E as brincadeiras em redor da fogueira? Havia o pau-de-sebo e o prêmio, lá em cima, para quem o escalasse. E as adivinhações. Isso sem falar de “casamento”. Armava-se o evento com todas as semelhanças: havia o padre, os padrinhos e os noivos. A noiva, vestida como noiva, mesmo, só que ... grávida. Tudo na maior inocência, brincava-se até a hora de a luz apagar. Hoje, hoje quem se arriscaria a expor-se, no meio da rua, à sanha dos marginais? Já não se pode, sequer, deixar o portão sem chave. Sentar à calçada? Costume que a violência e a televisão expulsaram. E nem é assim prudente ficar ao alcance dos olhos de quem passa: a ocasião faz o ladrão. Além disso, no mínimo, algum bêbado, noiado, pé-inchado ou drogado, pode querer nos arrancar algum trocado para alimentar o vício. E são insistentes. Como um que encontrei na ponte velha, plena luz do dia. Primeiro ele se fez de conhecido, íntimo “como vai? e a família?” Depois começou a contar uma história interminável de um filho doente, precisado de medicação que ele não podia comprar. E o pedido veio, inevitável: uma ajuda. Só que o bafo de cachaça desmentia qualquer relato piedoso. É. Os tempos mudaram em nossa Rio Branco. Agora temos muitos carros, pontes, estradas, avião e tudo o que não falta em uma grande cidade. Só que com o progresso, vieram as mazelas. E a nós nos pedir a Deus e às autoridades que essas mazelas não tornem nossas vidas um inferno. * Cronista |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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