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| Romerito Aquino | ||
O ápice do preço A saída forçada do ministro José Dirceu da Casa Civil da Presidência da República foi o ápice do preço que o presidente Lula pagou pela ampla aliança política que tentou fazer para consolidar as reformas constitucionais que o Brasil está precisando. O preço foi caro não pela aliança em si, mas pela qualidade de alguns partidos que nela entraram e que não mereciam credibilidade e nem importância para exercer tanta responsabilidade. Partidos de aluguel Partidos como o PTB, o PL, o PP e outros, pelo menos em suas versões modernas, nunca passaram de siglas de aluguel e de trampolim para políticos que trocam de agremiação como que trocam de camisas, sempre levados por interesses meramente fisiológicos. O mesmo ocorreu no governo passado com partidos como o PFL, o PMDB e o PSDB, que em 1997, liderados por parlamentares do Acre, também se envolveram com venda de votos dentro do Congresso Nacional para aprovar a emenda de reeleição do então presidente Fernando Henrique. O mesmo filme A crise do governo Lula ocorreu a partir do mensalão de R$ 30 mil, que teria sido pago até janeiro a parlamentares do PP e do PL. E a crise do governo Fernando Henrique se deu com a compra de votos por R$ 200 mil, que teriam sido pagos também a aliados meramente fisiológicos. Ou seja, mudaram alguns dos personagens, mas o filme parece o mesmo. Reforma política Esse fisiologismo partidário, que teria envolvido agora até a cúpula do PT, enseja cada vez mais a sempre desejada reforma política do Brasil, que precisa definir regras claras e cristalinas para a sua organização partidária. Ou seja, é preciso moralizar de uma vez por todas a estrutura partidária no país antes que a já baixa credibilidade que o Congresso Nacional desfruta perante a população brasileira desabe a níveis letais para a jovem democracia brasileira. Propostas dos acreanos I A saída do ministro José Dirceu, que quis ser o gerentão do governo, mas andou em más companhias, dá vazão a duas propostas feitas por lideranças políticas do Acre. A primeira foi o governador Jorge Viana, que pregou a aliança do governo Lula com o Congresso em torno de uma agenda de muito trabalho em favor da população, particularmente neste ano de véspera de eleições. A segunda foi o senador Tião Viana, que pregou a saída de todos os ministros para deixar o presidente Lula à vontade para compor uma reforma que lhe ajude a sair da crise deflagrada pelas acusações do ex-aliado Roberto Jefferson, presidente do PTB. Propostas dos acreanos II As propostas das duas lideranças acreanas elevaram ainda mais o bom conceito que ambas já desfrutam junto à opinião pública nacional. O governador por estar demonstrando ser o conselheiro certo para a hora certa do presidente Lula. E o senador por estar se revelando numa das lideranças mais sóbrias e inteligentes do Congresso Nacional, onde já alcançou o cargo de vice-presidente do Senado da República. Acre bombeiro I Epicentro do inferno que causou uma grave crise política durante o governo de Fernando Henrique, quando alguns de seus parlamentares foram flagrados vendendo votos por R$ 200 mil, o Acre entra agora, com Jorge Viana, Tião Viana, Marina Silva e outras lideranças, como bombeiro da maior crise política ocorrida no governo Lula. Acre bombeiro II Se o governador Jorge Viana vier a assumir a Casa Civil no lugar de José Dirceu, como foi amplamente especulado pela imprensa nacional nos últimos dias, o Acre passaria de bombeiro para colaborador direto para o governo Lula sair da forte crise em que se encontra. Expectativas Depois da saída do ministro José Dirceu, a semana começa em Brasília com apostas sobre o alcance da reforma ministerial que o presidente Lula deve fazer nos próximos dias para iniciar um novo ciclo de seu governo. Uma coisa já se tem como quase certa: a maioria dos atuais ministros que possuem mandato devem voltar para o Congresso para fortalecer os partidos do governo nos grandes embates que se travarão na CPI que vai investigar a corrupção nos Correios, onde se originou toda a atual crise política do país. Desta forma, até a ministra Marina Silva pode retornar ao Senado. |
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