POLÍTICA

Sinteac elege nova diretoria amanhã

Manoel Lima surge como o nome cotado para assumir a presidência do maior sindicato do Estado

Marcos Vicentti
Manoel Lima conta com o
apoio da maioria dos servidores


Val Sales

A eleição para a escolha da nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Estado do Acre (Sinteac) vai acontecer amanhã, das 8 às 20 horas, devendo mobilizar nove mil servidores que estão aptos a votar no pleito. A disputa pela diretoria da entidade envolve três chapas - a primeira é liderada pelo professor João Lima, a segunda pela atual presidente da entidade, Alcilene Gurgel, e a terceira encabeçada pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Manoel Lima.

Como ocorreu no ano passado, quando as três chapas em questão também disputaram a preferência da categoria, o pleito deverá ser movimentado. A chapa 3, “Oposição - É nessa que eu vou”, liderada por Manoel Lima, recebe o apoio da direção nacional da CUT e de grande parte dos trabalhadores da área de ensino, que vêem nele uma esperança de conquista dos anseios da categoria.

O próprio Lima se diz preparado para assumir o desafio, diante de sua história de luta frente à CUT e da defesa dos direitos das minorias. “Hoje estou presidente da CUT por ter aceitado um grande desafio, que é lutar por aqueles que não têm quase nada. Enfrentar latifúndio conservador ou algumas posições judiciais conservadoras, assim como a disputa de classes, perseguições e ameaças de morte, para defender as minorias foram escolhas minhas”, ressaltou.

Segundo ele, na compreensão de muitas pessoas, não seria correto deixar a presidência da CUT para assumir um sindicato que é filiado a ela. “Mas o Sinteac é uma das entidades que têm uma das biografias mais bonitas da história do movimento sindical acreano. Ele tem uma história de luta invejável”, observou.

Lima fez questão de lembrar que já passaram pela presidência do Sinteac várias pessoas valiosas, que hoje são expressões dentro da proposta de mudança da aceleração da inclusão social. “O sindicato tem uma história que não pode ser deixada de lado de uma hora para outra por direções ou gestores cooperativistas que não trabalham a igualdade para todos. Eu tinha dúvidas se seria candidato, mas, ao passar nas escolas e ver os gestos e olhares dos trabalhadores, senti que fiz a escolha correta.”

“Vamos corrigir injustiças e resgatar credibilidade”, diz candidato

Em seu discurso de campanha, Manoel Lima ressalta a estrutura do Sinteac e os seus de 42 anos de luta. Assegura que os servidores não têm culpa das denúncias de irregularidades envolvendo os gestores nos últimos dois anos. Segundo ele, por meio da unidade e da igualdade, vai ser possível a categoria ter tantas conquistas quanto as que já tive.

Um dos pontos que ele trata na conversa com os trabalhadores, especialmente com o pessoal de apoio, está relacionado ao fato de as pessoas estarem dobrando as horas de serviço sem que tenham o salário dobrado. Nesse sentido, Manoel Lima disse que a situação pode ser revertida, desde que seja tratada com autoridade e com competência, baseada na legislação e seguindo os exemplos inclusive no próprio Estado.

De acordo com o sindicalista, é possível fazer correção na jornada de trabalho de 30 para 40 horas do contrato, pois os servidores já trabalham – sem que tenham registro em carteira. Para ele, as pessoas têm sido maldosas quando lhe acusam de ser contra a “dobra”, sendo que apenas defende o pagamento das horas trabalhadas.

“E nós vamos corrigir isso, porque inclusive já consultamos a legislação e verificamos que é possível. O que mais me revoltou nessa campanha é que eu passei nos 22 municípios e verifiquei que todos os professores que fizeram o nível superior, que também é o meu caso e de mais de cinco mil servidores, além de atuar há mais de 15 a 20 anos, termina a faculdade e volta para a Letra “A”.

“Os municípios não fizeram isso, e porque o Estado fez? É porque nós temos um sindicato inoperante. Que não defende os interesses dos trabalhadores. Temos mais de cinco mil professores que deveriam estar na letra “F” ou acima dela. Temos exemplo de servidores que terminaram a faculdade e tiveram que se aposentar na letra “A””, frisou.

A proposta é fazer com que os professores que sofreram o prejuízo, assim como os que fizeram faculdade recentemente, não tenham que regredir na classificação das letras. “Se os municípios juridicamente puderam mudar esse cenário porque o Estado não?”.

Principais bandeiras de defesa

O candidato da chapa “Oposição - é nessa que eu vou” sintetiza os principais pontos de defesa frente ao sindicato dos trabalhadores da educação do Estado. Em primeiro lugar está a organização e o pagamento integral das horas trabalhadas.

Em segundo lugar, Manoel Lima diz que não se pode aceitar que mais seis mil professores, que terminarão a faculdade tenham que voltar para a letra “A”,sendo que elas devem permanecer em sua letra de origem.

O terceiro ponto diz respeito à aposentadoria no final de carreira para todos, tanto para o professor quanto para o pessoal de apoio. Fazendo isso, segundo ele, será corrigido um prejuízo em relação à dos professores e do pessoal de apoio.

“Não poderíamos ficar de braços cruzados. Formamos um time com mais de cinco pessoas de apoio na nossa chapa. Essas pessoas fazem o debate da igualdade, não olham somente para o seu umbigo e irão para a direção do sindicato mostrar que é possível fazer um bom trabalho. Mostrar que o sindicato pode ser atuante, porque o prefeito passa, o governador passa e o presidente da república passa, mas a gente continua”.

Manoel Lima recebe apoio da direção nacional da CUT

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Rondônia, Itamar Ferreira, está em Rio Branco para dar apoio ao trabalho de mobilização que o candidato Manoel Lima vem realizando no setor da educação. Ele veio ao Estado a pedido da direção nacional da CUT, que reconhece a atuação do sindicalista acreano frente às lutas de classe.

“Temos atuado em parceria e unidade, seja na questão relacionada a campanhas salariais ou nas grandes campanhas de luta. O Manoel tem essa característica de estar unindo o movimento sindical nos dois Estados. Esse apoio tem vistas no avanço e na luta dos trabalhadores da educação, assim como de outras categorias.”

 
 
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Rio Branco-AC, 19 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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