PÁGINA DO EMPREENDEDOR

Aprendendo a criar peixe

Futuros piscicultores acreanos visitam municípios de Rondônia para melhorar técnicas de produção de pescado


Juracy Xangai

Um grupo de 27 produtores rurais e técnicos realizou de 13 a 16 (sábado) deste mês uma visita aos criadores e empresas que se dedicam a atividades ligadas à criação e comercialização de peixes nos municípios de Vilhena, Pimenta Bueno, Rolim de Moura e Ariquemes, no Estado de Rondônia.

“Sabendo trabalhar com peixe a gente consegue uma renda muito boa para tocar a colônia. Mesmo sem ter quase conhecimento nenhum, eu tirei mais de dois mil quilos de peixe dando maxaceira e mais dois sacos de ração. Só dei uma parada porque não agüentava mais tanto ladrão. Ajeitei a segurança e agora vamos começar de novo”, declarou o produtor Raimundo Parente Pinto, o “Mundico”, que há 18 anos trabalha em sua colônia junto ao ramal do pólo agroflorestal do Benfica, onde tem três propriedades.


Produtores durante a viagem aos municípios rondonienses

Ele é um dos produtores que voltam a Rio Branco neste domingo depois da visita aos piscicultores de Rondônia. No momento da partida, declarou: “Espero conhecer como é uma aqüicultura de verdade, onde o peixe é tratado como um negócio de produção de renda para a gente, que precisa saber fazer as coisas certas para ter ganho e poder continuar vivendo dentro da colônia de um jeito cada vez melhor”, destacou.

A coordenadora do programa de piscicultura do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC), que também participou da visita, explicou: “Nos quatro municípios estaremos conhecendo a experiência dos pequenos produtores familiares e produtores industriais de peixe, empresas que produzem alevinos de pirarucu, tilápia e outras espécies”.

Um dos momentos importantes da viagem será o acompanhamento de despescas com tratamento de choque térmico para que seja conservada a carne do peixe com suas melhores características de consumo. “Além das fábricas de ração, pois a produção de rações alternativas vem sendo um de nossos principais gargalos para o crescimento de nossa piscicultura”.

Segundo Rina, além de poder ver outras experiências bem sucedidas na produção de pescado, essas visitas apresentam outras vantagens para o setor. “As conversas de produtor para produtor acontecem com muito mais facilidade, ou seja, eles falam a mesma língua, perguntam e respondem dúvidas ali na hora em que as coisas estão sendo feitas. Isso traz um aprendizado muito valioso para o sucesso da atividade.”

“Maria Patoá”, como é mais conhecida a produtora Maria Queiroz, participa da visita representando as 36 famílias filiadas à Associação dos Produtores Rurais do Espinhara II, que desde 2005 começaram a ser treinados numa parceria entre a prefeitura do Bujari, governo do Estado (Seater e Seap), Sebrae e Fundação Banco do Brasil para iniciar suas criações de peixe.

“Crio peixe desde 1996, mas sempre foi assim, sem qualquer critério, porque a gente teve pouca orientação. Mas depois que recebemos o treinamento do Sebrae e Seater nossa produção aumentou muito mesmo e é por isso que a gente está tão interessado nesse negócio. Agora mesmo estou engordando uma quantidade de tambaqui, curimatã, jatuarana e piau-açu”, explicou. “Estou muito animada com essa visita porque assim a gente vai poder conhecer como funcionam as criações de lá e corrigir alguns erros que estejamos cometendo por aqui. Nossa renda vem da produção, a gente já não pode desmatar, então o jeito é encontrar outros meios de produzir e ganhar dinheiro. Nesse momento, o peixe está sendo o meio mais rápido para fazer isso.”

Quem também estava animada era Nazira Rachid Amin, da Associação dos Produtores do Ramal Abib Coury. “Os filiados de nossa associação têm áreas de terra pequenas e trabalham com agricultura ou criação de pequenos animais, por isso precisamos melhorar a nossa renda. Eu mesma estou criando dois mil curimatãs, tambaqui e piau-açu nos dois açudes da minha colônia, mas vou para Rondônia porque quero saber se estou fazendo as coisas do jeito certo, porque a gente tem que aprender sempre mais”, declarou Amin.

Conhecimento: a chave do sucesso

Quem já tem ou está pensando em abrir um negócio está buscando cada vez mais informação para evitar dores de cabeça

Juracy Xangai

Entre os princípios fundamentais para o sucesso das atividades empreendedoras está o planejamento, controle sobre todas as atividades e ouvir seus clientes para saber se estão gostando ou sugerem alguma melhoria aos serviços que estão recebendo.

É por isso que a partir do segundo semestre de 2005 a gerência de desenvolvimento empresarial do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac) realiza a cada três meses, por meio serviço de contatos (Call Center) uma pesquisa de avaliação da influência exercida pelos cursos e treinamentos sobre a vida pessoal e os negócios dos empreendedores acreanos.

Para isso, no final de março, foram ouvidas 296 dentre as 1.419 pessoas que haviam concluído treinamentos oferecidos desde janeiro deste ano.

A partir de uma série de perguntas sobre o conteúdo do curso, a aplicabilidade prática do que foi ensinada e do quanto isso vem sendo usado no seu dia a dia, 94% dos clientes ouvidos disseram que tinham interesse em participar de outros cursos oferecidos pelo Sebrae com o objetivo de abrir seu próprio negócio ou melhorar o que já tem.

“A importância de pesquisas como esta que realizamos regularmente, é identificar as reais necessidades de nossos clientes para poder atendê-los melhor. A informação de que 94% deles gostariam de fazer outros cursos, é muito satisfatória, além do dado de que 54% deles gostaria que os treinamentos tivessem uma maior carga horária demonstrar que eles estão dispostos a dedicar mais tempo à busca de conhecimentos que aumentem as chances de sucesso do seu negócio”, explicou o administrador de empresas Lauro Santos que comanda a equipe de 60 operadores de Telemarketing do serviço de comunicação (Call Center).

Atuando em todos os 22 municípios do Acre através dos Espaços Sebrae, os facilitadores levam treinamentos a todas as localidade, sempre atendendo as necessidades dos empreendedores locais.

“Nosso público vai de estudantes, pessoas que já tem ou está pensando em montar seu próprio negócio, a funcionários públicos. A maioria deles está interessado em melhorar seus conhecimentos sobre como iniciar e administrar bem seu negócio, por isso buscam treinamentos nas áreas de gestão financeira e de pessoal, controle de entradas e saídas de caixa, capital de giro, relacionamento com funcionários e clientes”. Explica Lauro para então esclarecer que: “Com a aprovação da lei geral cresceu muito o interesse pelos treinamentos na área de licitações e contratos, buscam conhecimento para poder aproveitar as oportunidades que estarão se abrindo, a partir de primeiro de julho, para as compras das micro e pequenas empresas pela União, governo do Estado e prefeituras”.

Mas os resultados práticos do treinamento não acontecem, de uma vez. O brasileiro é campeão mundial na abertura de negócios por necessidade, mas o desenvolvimento da cultura empreendedora é construída a partir de conhecimentos que dão consciência às pessoas do que é, como é e qual é a finalidade de um negócio.

Conforme explica Socorro Figueiredo a gerente de Desenvolvimento Empresarial do Sebrae do Acre:“Não é de uma hora para outra que as pessoas mudam seus costumes, a educação e formação desta cultura empresarial que vai sendo assimilado passo a passo pelas pessoas, tanto que dentre os que já tem seu próprio negócio, 40% respondeu ter aplicado totalmente o que aprendeu e 48% apenas parte dos novos conhecimentos, isto porque os costumes vão sendo mudados pouco a pouco conforme sentem-se pressionados pelos fornecedores ou clientes”.

A melhor maneira de dar resposta a essa situação é realizar mais e mais treinamentos que sejam cada vez mais aceitos e atendam as necessidades mais urgentes dos empreendedores. “A maioria dos comerciantes não tem a menor noção de gestão financeira nem controle de estoques, compras e outros itens fundamentais para a sobrevivência e sucesso do negócio, como por exemplo, o preço justo para aquela mercadoria, sua disposição nas prateleiras e o atendimento ao cliente. As associações comerciais tem sido nossas grandes aliadas para ajudar a mudar essa cultura e melhorar os negócios que impulsionam o desenvolvimento do Estado”.

Busca de melhorias - Dos 296 entrevistados, 52 já tinham seu próprio negócio antes de participar do curso, sendo 35 deles empresas formais e 15 informais e 12 em processo de formalização. Acontece que 44 deles disse ter aplicado total ou parcialmente os novos conhecimentos, o que fez com que 40 notassem que seus negócios ficaram melhor ou muito melhor.

A melhor notícia vêm mesmo pela resposta dos clientes, já que de acordo com os próprios comerciantes nove em cada dez fregueses perceberam as mudanças. Destacando que sete em cada dez deles elogiou a melhoria no atendimento, quatro a melhoria na qualidade dos produtos vendidos e quatro a melhor negociação (diálogo) com quem freqüenta o estabelecimento.

Mais da metade dos participantes (52%) destacaram que o curso foi importante para adquirir conhecimentos, outros 42% para desenvolver sua capacidade gerencial do negócio. “Um dado interessante é que dos 52 comerciantes, 32 mantêm seus negócios de dois a cinco anos, ou mais, mas sentiram a necessidade de se preparar melhor para poder adaptar-se aos novos tempos, às novas necessidades dos clientes e assim enfrentar a concorrência que é cada vez maior ameaçando sua sobrevivência!”

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Vanessa França (Registro Profissional: 3280 L-14F-89 DRT/PE) vanessa@ac.sebrae.com.br - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 3 de junho de 2007
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