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Conferencistas estrangeiros visitam seringal Cachoeira

Áreas de pojetos madeireiros e não-madeireiros chamaram a atenção dos visitantes pelas peculiaridades amazônicas


Acre detém grande potencial madeireiro apto para o manejo florestal

RENATA BRASILEIRO

Com olhares atentos e impressionados com tamanha biodiversidade, o seringal Cachoeira, localizado em Xapuri, foi observado durante todo o dia de ontem por gestores de 41 países que estão no Acre participando da Conferência Internacional de Manejo Comunitário.

O seringal foi o lugar escolhido pelos organizadores do evento para o dia de campo em razão dos diversos projetos sustentáveis desenvolvidos pelas 80 famílias que residem na área de aproximadamente 24 mil hectares.

Como o grupo de conferencistas estrangeiros ultrapassa 200 pessoas, várias equipes foram montadas para adentrarem as trilhas que levam às atividades madeireiras e não-madeireiras, de forma que a divisão pudesse proporcionar um melhor entendimento das apresentações feitas pelo presidente da Associação de Moradores e Produtores do Projeto Agroextrativista Chico Mendes, Nilson Teixeira Mendes.

O presidente já foi uma atração à parte. Por ser primo do seringalista Chico Mendes, Nilson já ganhou a simpatia dos visitantes logo de início e passou a ser fotografado a cada parada feita na trilha para uma explicação sobre os recursos lá encontrados.

“Estamos muito satisfeitos com esta atividade que a conferência está nos proporcionando, pois nos mostra as diversas maneiras de se desenvolver projetos que envolvem a comunidade e promovem o desenvolvimento sustentável. No meu país, a floresta também é tropical, portanto, não muito diferente do que eu estou vendo aqui. Mas a Amazônia possui, sem dúvidas, diferenciais que merecem ser observados”, comentou o representante do governo da Tanzânia, Charles Meschack.

A norte-americana Carina Bracer trabalha nos Estados Unidos em uma ong que capacita organizações com conhecimentos adquiridos a partir de experiências realizadas dentro e fora de seu país.

Do Acre ela afirma que está levando um conhecimento muito amplo. “Aqui há espécies de árvores que eu não vi em lugar nenhum do mundo e que me parecem ter uma grande valor para quem trabalha em projetos comunitários. Mas o que mais me chamou a atenção - e é o que eu pretendo levar para os Estados Unidos - é o aspecto social, a maneira como se trabalha aqui, como esses movimentos surgiram e o meio de organização adotado pelas associações”, ressaltou.

Desburocratização brasileira faz projetos caminharem com sucesso - Esta semana, a Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO) divulgou relatório que afirma que empreendimentos florestais do Nepal a Camarões esbarram na burocracia, colocando em risco tanto as florestas tropicais quanto os ganhos de comunidades locais.

É justamente pela falta de burocracias com relação aos projetos ambientais que o Acre, assim como outros Estados brasileiros, colhe grandes sucessos hoje, segundo Nilson Mendes.

“Nosso tripé de sutentação para que tudo isso dê certo é o incentivo que recebemos dos governos. Se não fôssemos incentivados, as comunidades não existiriam ou talvez não estivessem desempenhando hoje todas essas atividades com um resultado tão produtivo”, reforçou.

No Cachoeira, a renda anual das famílias é de R$ 6 mil. O montante é o suficiente para que cada uma sobreviva com dignidade dentro da floresta, já que de lá mesmo elas retiram os recursos necessários para seu sustento, segundo o presidente.

Por se tratar de uma área com potencial agroextrativista, diversas atividades são desenvolvidas. Entre as mais importantes estão as atividades não-madeireiras, que consistem na extração de matérias-primas como o látex, a castanha e a copaíba.

“Todas essas matérias-primas têm mercado e são vendidas para cooperativas próximas de Xapuri, que beneficiam o material até chegar ao produto final para, enfim, ser comercializado”, completou.

Das espécies de árvores não-madeireiras são produzidas medicamentos naturais, por exemplo. O óleo da copaíba é uma das matérias-primas mais utilizadas para a fabricação desse tipo de produto.

 

 

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Rio Branco-AC, 19 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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