COTIDIANO

Museu de Paleontologia

Antigo sonho de professores e estudantes da Universidade Federal do Acre se transforma em realidade

 


O Convênio entre a Prefeitura da Capital e a UFAC, celebrado em 30 de junho, passou quase despercebido neste período político agitado, apesar da aparente calmaria, pela proximidade das eleições de caráter quase plebiscitárias sobre a reeleição do governo Lula. Através de emenda parlamentar, o deputado Nilson Mourão (PT-AC) destinou R$ 300.000, recursos hoje empenhados pelo Ministério da Cultura, para a construção do Memorial e Museu de Paleontologia na capital acreana, atendendo solicitação do prefeito Raimundo Angelim, porta-voz de um antigo sonho de estudantes e professores da Universidade Federal do Acre.

Trata-se do reconhecimento político de um trabalho valioso e silencioso de pesquisadores como Alceu Ranzi, em 1977, ainda estudante de geografia e que em 1979, com bolsa da UFAC, fez mestrado em Porto Alegre-RS, já estudando os fósseis encontrados no Juruá. Em 1981 voltou ao Acre e começou a formar a equipe de paleontologia da Ufac.

Professor de biologia, Alceu iniciou a formação do grupo com seus alunos como Jonas Pereira de Souza Filho, hoje doutor e reitor da Ufac um dos especialistas brasileiros em Jacarés, com José Carlos Rodrigues dos Santos, Fátima Sarkis, e outros como: Ricardo Negri. Depois a convite de Alceu, também entrou no grupo Dr. Jean Bocquetin um renomado pesquisador francês. O resultado deste esforço imenso, se considerarrmos, naqueles anos as dificuldades inúmeras para a pesquisa ao longo dos rios e estradas, até em locais mais distantes do Estado, é a existência de um valioso acervo, patrimônio hoje localizado no laboratório da UFAC, unindo mais de cinco mil peças de uma coleção de jacarés, tartarugas, aves e peixes fósseis, além de 24 tipos de mamíferos de grande porte, que constituem prova irrefutável da presença de animais pré-históricos que habitavam o Acre e a Amazônia Ocidental. Além dos gigantescos jacarés, tatus, preguiças, tipos semelhantes aos elefantes, hipopótamos e lhamas extintas, entre outros como dentes e mandíbulas de tubarões, foram encontradas no Estado, nos rios Acre, Purus, Juruá, Caeté, além de outros fósseis em trechos da BR-364. Alguns desses fósseis têm de 15 a 20 milhões de anos de idade.

O Museu de Paleontologia de Rio Branco, a exemplo também da emenda do mesmo deputado que destina verbas para a construção do Memorial do Purussauro em Assis Brasil, onde em 1985, fora localizado o crânio completo desse gigantesco jacaré, além de reconhecimento histórico desse valioso patrimônio cultural do Estado, constitui também importante fonte de divisas para o turismo no Acre, impedindo a depredação desses nossos tesouros que em anos passados foram levados a outros Estados e até mesmo para fora do país.

 

 
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Rio Branco-AC, 19 de agosto de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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