OPINIÃO
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Maria Regina Canhos Vicentin *

 

O que é compromisso?

Estamos enfrentando uma série de mudanças em nossos hábitos e costumes. Muitas coisas que eram comuns e corriqueiras antigamente mostram-se ultrapassadas e em desuso. Uma delas é o compromisso. Como o nome já diz, compromissar-se diz respeito a comprometer-se. Liga-se à promessa, àquilo que já foi combinado e tratado anteriormente. Atualmente, quebram-se compromissos facilmente, mesmo aqueles que são celebrados através de contratos assinados. Tal situação faz com que a palavra empenhada passe a não ter valor algum. Assim, muitos acordos verbais acabam simplesmente não sendo implementados, porque uma das partes resolve a qualquer momento mudar de idéia. Isso aconteceu comigo esta semana, e confesso que fiquei muito aborrecida.

Por uma questão familiar que desejo preservar, havia sido feito um combinado. Cada qual cuidava de uma questão quando, de repente, alguém resolveu deixar de fazer a sua parte. Lógico que essas coisas acontecem. Como enfatizado acima, cada vez mais as pessoas deixam de honrar seus compromissos, parece até que é a “moda do momento”. Só que essa pessoa que abandonou o barco se esqueceu de avisar que estava “batendo em retirada”, e acabou deixando a “nau à deriva”. Só tomei conhecimento de que já não podia contar com o seu compromisso assumido através de terceiros. Ouvir pela boca de outros algo importante numa situação como essa é realmente lamentável. Assemelha-se aos casos de traição onde o marido ou a mulher envolvidos são sempre os últimos a ficarem sabendo da história toda. Obviamente ficamos chateados. Primeiro, porque muitos de nós não costumam fazer isso com quem quer que seja. Segundo, porque se o imprevisto nos visitar e impedir de honrar um compromisso, sensatamente procuramos avisar com antecedência acerca da nossa impossibilidade. Deixar de lado tais observações é extrema falta de educação.

A coisa toma uma proporção maior, sem dúvida alguma, quando resta pouco tempo para tomar as providências necessárias ao encaminhamento da situação, após o abandono do dissidente. O trabalho dobra e a correria toma conta dos preparativos para que tudo saia a contento apesar dos contratempos. Graças a Deus, nem tudo está perdido, embora eu acredite que nem todos contam com a mesma sorte. Sei que existem projetos que realmente naufragam pela falta de tato, educação, compromisso e disciplina dos envolvidos. Acho importante a pessoa que deixou de honrar o ajuste perceber o mal que causou, afinal, isso propicia uma reflexão acerca de suas próximas atitudes, evitando que tome decisões precipitadas.

Penso que uma coisa interessante a se fazer ao estabelecer parcerias é avaliar calmamente a conveniência ou não de determinada ação. Meditar sobre os prós e contras. Analisar os recursos emocionais e, muitas vezes, os financeiros. Podemos fazer isso com o casamento, quando buscamos alguém com quem dividir a vida e constituir uma família. Com a compra de algum imóvel, buscando nos certificar de que não seremos logrados ou explorados. Com a formalização de uma sociedade, averiguando se o sócio é pessoa com a qual realmente desejamos somar esforços e dividir nossos sonhos, lucros e, tomara que nunca, prejuízos. Realmente são muitos os casos onde a prudência não faz mal. As aparências enganam. Melhor ficar sempre atento.

* É psicóloga e escritora. Conheça o site da autora: www.meguia.net/buscandoafelicidade

 
 
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Rio Branco-AC, 19 de agosto de 2007
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