OPINIÃO
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José Cláudio Mota Porfiro *

 

Quem é Raimundo Barros

Nas atitudes do dia-a-dia dos homens comprovadamente simples e probos é que temos notado a construção da nossa verdadeira humanidade. A simplicidade dos gestos e das palavras é que antecedem as ações verdadeiramente voltadas para o bem de todos. Assim é o Raimundo Barros, um amigo meu, quase parente, como tantos deste meu rincão acreano.

Nada ou ninguém é tão nosso como o Raimundão, pura e simplesmente pelo fato de ele ser daqui. É genuinamente xapuriense, nascido e brotado nos rios e barrancos do vale do Acre, nos varadouros dos velhos seringais, na beira dos caminhos das colônias e nos roçados cheios de macaxeira da minha grande aldeia amazônica. Tratamos, sim, de um produto humano cheio das melhores qualidades, dentre as quais uma salta aos olhos dos críticos: é a acreanidade em estado puro que brota dos olhos e da alma desse cidadão eminentemente amazônico, principalmente, pela defesa das causas ecológicas que dizem respeito a esta região do Brasil.

E é verdade aquela história antiga segundo a qual aquele que puxa aos seus não degenera, principalmente, quando temos notado que os ideais que impregnaram as cabeças e os corações dos rapazes do PT nunca fugiram dos propósitos maiores do Raimundo Barros. E eu pergunto: por que hoje o Acre progride, inclusive aos olhos do mundo que aqui vem investir com o pensamento no desenvolvimento sustentável? Assim pregava Chico Mendes. Assim acreditamos todos nós. E as coisas findaram por dar certo, exceto em alguns casos raros onde a incompetência preponderou.

Dentre todos os candidatos a deputado estadual, ninguém é mais original, ninguém é mais legitimamente acreano que ele. E não é só pela fala franca e calma, pela pisada em ritmo ou pelas passadas largas, ou por aquele jeitão de gente boa. Não! É por tudo isso e por muito mais. É aquela alma cabocla que ainda cheira a látex novo ou a borracha defumada.

O Raimundão é amigo de Luiz Inácio Lula da Silva de longa data. Primo do grande irmão Chico Mendes, esteve presente, com ele, em todos os momentos da história recente do Vale do Acre. É também amigo de Marina Silva, de Jorge e Tião Viana, assim como de Binho Marques, desde os tempos dos empates nos arredores de Xapuri e Brasiléia. Por isto, ninguém como ele, dentre todos os candidatos que apareceram em Xapuri, está tão credenciado a uma vaga na nossa Assembléia Legislativa.

Está claro que cada município elegerá um ou dois deputados. Entretanto, segundo observei pelo número de eleitores, os xapurienses tendem a dividir os votos e não ter sequer um representante no Legislativo acreano. Sem xenofobia ou bairrismo, eu não acredito que seja benéfico para Xapuri um candidato que não tenha nascido na terra. Alguns dirão que estou exagerando. Outros dirão que estaria a buscar um cargo qualquer. Mas não é assim. Conheço a minha tribo e sei quem é o forasteiro que a ama e trabalha em acordo com os nossos. Sei quem são os interesseiros. Tenho dois empregos e ainda estou longe de me aposentar. Por isto afirmo que um cidadão que não preencha esse requisito básico, que não tenha o cordão umbilical fincado no seio da floresta densa, esse, realmente, terá compromisso, sim, com os interesses particulares, com a conta bancária, com o ego inflado, faltará com a verdade na campanha e não estará concretamente comprometido com as causas dos seringueiros, dos ribeirinhos e muito menos com as reivindicações dos que vivem na zona urbana do município.

Ficou claro que o povo de Xapuri perdeu a grande oportunidade de ter o Raimundão como prefeito e um corpo de assessores formado por profissionais da Ufac que teriam como ponte para aquela cidade a competência do Prof. Angelim, um dos melhores prefeitos de Rio Branco de todos os tempos.

Por estas e por outras razões é que, em primeiro de outubro, estarei entre os eleitores que preferem como representante na Aleac o Raimundo Barros, um dos mais autênticos acreanos do meu tempo.

* Cronista.

 

 
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Rio Branco-AC, 19 de setembro de 2006
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