COTIDIANO

Preço da castanha deve ser menor em 2005

Apesar do aumento da produção, valor deve ficar menor devido à adequação à realidade do mercado consumidor

Marcos Vicentti
Fadel: há boas perspectivas de compra da produção no próximo ano


Juracy Xangai

A nova safra de castanha que começa a cair em dezembro deverá ser de 10 a 20% maior que a coletada no início deste ano, cujos preços variaram entre 13 e 20 reais a lata, um recorde histórico no Estado.

A alta foi provocada por vários fatores, um deles é o de que o consumo mundial de castanha aumentou pelo menos 40% nos últimos cinco anos, o segundo as notícias que as fábricas de Brasiléia e Xapuri entrariam em funcionamento para beneficiar a produção aqui mesmo no Estado. Isso obrigou os compradores tradicionais a se apressarem oferecendo melhores preços pela mataria-prima a fim de garantirem o cumprimento de seus contratos de exportação.

Por fim, a liberação de R$ 2.887.00,00 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para três cooperativas e uma associação agroextrativista acreana garantiu a compra da produção de 1,1 mil famílias, o que equivale a pelo menos 30% de todos os produtores acreanos e a metade da produção do Estado, estimada em 5 mil toneladas.

O aumento no consumo, as novas fábricas e a garantia de compra foram fatores decisivos para o aumento do preço, fenômeno que pode não repetir com a mesma intensidade neste ano. A advertência é feita pelo gerente de extrativismo da Secretaria de Extrativismo e Produção Familiar (Seprof) Mário Jorge Silva Fadel.

“A produção do ano passado foi uma das baixas dos últimos anos, a deste vai ser bem maior, a alta no preço fez com que parte dos consumidores buscassem amêndoas alternativas mais baratas o que diminui o consumo da nossa, já as fábricas de Brasiléia e Xapuri ainda não entraram em funcionamento”. Explica ele para então argumentar que: “Os mesmos fatores que fizeram o preço da castanha aumentar no ano passado estão invertidos e trabalhando contra neste ano, por isso é difícil que atinja os mesmos patamares. O que teremos, na verdade, não será uma queda, mas um preço mais condizente com a realidade”.

Dinheiro para a produção

Os R$ 2.887.000,00 liberados pela Conab foram partilhados entre a Cooperativa Agro Extrativista de Xapuri (Caex) que recebeu R$ 715 mil com os quais comprou 80 mil latas de castanha o que equivale a 800 toneladas. A Cooperativa dos Produtores Agroextrativisas de Epitaciolândia e Brasiléia recebeu R$ 1.265.000,00 com o que comprou 110 mil latas num total de 1,1 mil toneladas. A Cooperacre de Rio Branco teve R$ 715 mil com os quais comprou 81 mil latas que correspondem a 810 toneladas. Por fim a Associação dos Produtores Agoextrativistas de Boca do Acre, que embora pertença ao Amazonas sempre esteve mais ligada ao Acre, recebeu R$ 192 mil usados para compra 14 mil latas que somam 140 toneladas.

Compra reguladora

Diante dessa perspectiva, Fadel e sua equipe apressam a prestação de contas do dinheiro tomado emprestado da Conab para que obter mais dinheiro para a compra da nova safra que começa no final deste ano.

“As cooperativas e associações já devolveram metade do dinheiro emprestado e a outra metade deve ser devolvida até o final deste mês. Assim nós poderemos tomar novo empréstimo e acreditamos que ao comprarmos boa parte da produção estaremos ajudando a manter os preços mais altos porque a castanha ficará estocada e será liberada aos poucos já beneficiada”, esclareceu Fadel lembrando que neste ano outras associações e cooperativas deverão ser incluídas no plano de compra da castanha.

Prevendo situações como essa, os técnicos da Seprof vem treinando seringueiros e associações através de suas cooperativas e associações para garantirem a qualidade das amêndoas desde a colheita na mata. Além disso, tem sido apoiada a construção de armazéns tanto nas cidades quanto nos próprios seringais, o que acaba retardando seu escoamento o que evita o excesso de oferta no mercado.

 

 
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