COTIDIANO

Passageiros da agonia

Pássaro atinge turbina de avião da Vasp, que cancela vôo para Manaus e deixa clientes insatisfeitos

Marcos Vicentti
Avião está estacionado no aeroporto à espera de liberação para decolar


Renata Brasileiro

Eles foram obrigados a descer da aeronave para cedê-la a passageiros enfermos que teriam de seguir viagem para Goiânia. Essa foi a única explicação dada pela Viação Aérea São Paulo (Vasp) aos 78 passageiros retidos em Rio Branco na madrugada de segunda-feira, segundo a passageira Isis Queiroga.

“Quando uma comissária pediu que todos descessem do avião, não entendi nada, pois já haviam me informado que faríamos somente uma escala em Rio Branco e o vôo seguiria para Manaus”, reclama ela.

Mas de acordo com o gerente da empresa, Roberto Ferraz, a medida foi tomada por motivo de necessidade.

Ele explica que cerca de 20 passageiros enfermos viajavam em uma aeronave da Vasp de Manaus com destino a Goiânia quando, ao fazer escala em Rio Branco, um pássaro foi sugado por uma das turbinas do avião, o que causou de imediato o cancelamento do vôo.

“Já que o avião não poderia continuar seu percurso, achamos por bem priorizar a viagem dos enfermos, por isso os colocamos na aeronave que havia acabado de chegar de Porto Velho. Os passageiros que tiveram de ceder o espaço embarcarão ainda hoje para Manaus”, declara.

O gerente ressaltou que a Vasp bancou hospedagem, alimentação e transporte para os passageiros que ficaram retidos por um dia em Rio Branco.

Pane já foi resolvida

Quanto à aeronave que apresentou problemas em uma das turbinas, o gerente disse que já está apta para voar novamente. “Pelo posicionamento do mecânico, o pássaro não afetou o funcionamento da turbina. Dessa forma, ela já está liberada para decolar”, completou.

Passageiros se irritam com medida

Isis disse que se sente lesada com a decisão “incorreta” tomada pela Vasp. Conta que estava indo a Manaus para participar de uma oficina do Programa DST/Aids, do Ministério da Saúde.

“Sei que era importante àqueles passageiros enfermos seguirem viagem, mas a nossa não era menos importante que a deles. Já que o avião não estava em condições de voar, a Vasp deveria ter providenciado outro e não ter cancelado o nosso vôo”, contesta a passageira.

O espanhol José Luiz García também não ficou satisfeito com a medida. Ele conta que está no Brasil a passeio. Visitou o Rio de Janeiro e veio para o Norte do país exclusivamente para conhecer a capital amazonense.

Ele teme perder a reserva que havia feito em um hotel daquela cidade, já que chegará no local um dia após o previsto. “Espero que o meu passeio não se prejudique por conta do cancelamento desse vôo, que já me causou grandes transtornos”, reclama.

 

 
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Rio Branco-AC, 19 de outubro de 2004
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