COTIDIANO

Peão roda o Brasil sustentado pelo artesanato que produz usando latinhas de alumínio reciclável

Juracy Xangai
Jéferson utiliza poucas
ferramentas, mas muita criatividade
para produzir seu artesanato


Juracy Xangai

Mochila nas costas, o ex-agricultor Jéferson Wuilian de Souza, 30, natural de Joinville (SC), resolveu correr trecho trabalhando nas fazendas do Paraná e Mato Grosso quando o gosto pela aventura acabou por trazê-lo até o Acre.

Há três dias aqui, está sobrevivendo das panelas, paliteiros e outros objetos artesanais que fabrica com latas de cerveja para vender a quem passa pela praça Thomas Edson, ao lado da Biblioteca Pública.

“Sempre fui curioso e desde menino tive muita facilidade para aprender a fazer coisas. Continuei trabalhando nas fazendas como fazia desde criança, até que um dia, lá em Barra Mansa, conheci um hippie que fazia estas panelas que eu passei a vender para ele. Vendi muito, mas aproveitei para prestar atenção no serviço e logo peguei o jeito para fazer as minhas sem depender mais dele. Com isso garanto comida e pousada onde passo em minhas viagens”, explica.

Sentado na calçada do Kupixawa entre latinhas, tesoura e alicates, ele contou que, além de viajar, um dos motivos de ter vindo para Rio Branco é que, como trabalhador rural, busca fugir para as grandes cidades durante o inverno amazônico porque assim, embora não tenha um emprego, consegue ganhar algum dinheiro nesse período.

“Até chegar a Rondônia, nunca tinha ouvido falar muita coisa do Acre, mas gostei, me animei a ir visitar Brasiléia e, quem sabe, chegar até a fronteira do Peru. Gostei mesmo daqui”, disse.

Ele explicou que com a venda das latinhas para reciclagem a concorrência é tão intensa que às vezes se vê obrigado a comprar o material para trabalhar. “Aqui a gente não acha latinhas na rua, por isso tive de pagar R$ 2,50 num quilo em que vem uma média de 63 latinhas. Com duas delas faço esta panelinha de pressão que vendo a R$ 4. Se tiver bastante freguês, compensa mesmo.”

Além das panelinhas, ele ainda faz canecas, paliteiros, paineiras (samaúma), coqueiro e outros enfeites usando apenas latinhas e a criatividade. “Também sei fazer sabão, sabonete para limpeza de pele, detergente, água sanitária e mais uma porção de coisas para sobreviver.”

 

 
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Rio Branco-AC, 19 de outubro de 2006
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Da Redação
 
 
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