COTIDIANO

Cai índice de trabalho infantil no Acre

Levantamento feito pela DRT aponta redução do número de crianças trabalhando na capital e Vale do Juruá

 


Renata Brasileiro

Em 2000, uma ação desencadeada pela Delegacia Regional do Trabalho identificou 217 crianças trabalhando em Cruzeiro do Sul, todas com idades entre 5 e 13 anos. Este ano a mesma ação foi realizada no período de duas semanas naquele município - como parte de uma operação alusiva ao Dia da Criança - e apenas 14 menores foram flagrados trabalhando em sorveterias, padarias e até mesmo para os pais. Nenhum caso de trabalho escravo foi registrado.

Os dados são considerados positivos para a delegacia, que estipula como meta zerar os índices de trabalho infantil no Estado em pouco tempo, segundo informou o delegado em exercício, Manoel Neto.

Ele disse que uma equipe composta por auditores do órgão fiscalizou vários bairros de Rio Branco e municípios do Vale do Juruá, mais especificamente Tarauacá, Feijó e Cruzeiro do Sul.

Em Rio Branco, três menores foram flagrados em situação irregular durante a realização da operação. No interior, um total de 24 trabalhava para ajudar no sustento da família.

As condições em que os menores foram encontrados eram muito parecidas umas com as outras, segundo o delegado. A maioria trabalhava em feiras livres, vendendo verdura e até mesmo cuidando sozinhos das barracas.

A operação, que começou dia 2 e terminou no dia 14, registrou no dia 6 uma criança cuidando de uma barraca no Mercado Municipal de Rio Branco. O menor informou à equipe que trabalha três vezes por semana, até o meio-dia, e eventualmente à tarde também. Foi constatado que ele não era beneficiado do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e no mesmo instante foi cadastrado para que comece a receber a bolsa.

Comunidades são orientadas pela Delegacia Regional do Trabalho

“Acredito que essa queda no índice já seja um fruto do trabalho que vem sendo realizado há alguns anos. Além de fiscalizar, a gente orienta as comunidades, focando as conseqüências que sofre uma criança que começa a trabalhar cedo demais. A maioria acaba tendo um baixo nível de escolaridade e recebe um, no máximo dois, salários mínimos quando atinge a fase adulta”, destacou.

Quatro escolas no interior do Estado receberam a palestra, ministrada pela equipe da DRT. Ao todo, cerca de trezentas pessoas foram beneficiadas, inclusive as famílias dos menores que foram encontrados no trabalho.

Após a confirmação do trabalho infantil, a DRT agiu de forma rápida, em todos os casos, encaminhando-os para o Conselho Tutelar, Ministério Público Estadual, e ainda, realizando cadastramento no Peti.

Ação permanente visa erradicar o trabalho infantil no Acre

Segundo o delegado em exercício, a DRT trabalha continuamente a fim de coibir o trabalho infantil no Estado. Essa é uma articulação nacional, que se intensifica em algumas datas do ano - como o Dia da Criança - em operações especiais.
“É preciso que os responsáveis pelas crianças entendam que o trabalho infantil retarda o desenvolvimento delas. Os danos que trazem são enormes. A criança que trabalha está constantemente exposta a riscos sociais e tem um agravante: a perda dos sonhos. Elas aprendem que é preciso trabalhar para ter alguma coisa e adotam o argumento de que ‘é melhor trabalhar do que roubar’, como se essa fosse a única opção. No entanto, existe a opção estudar, que elas precisam conhecer”, argumentou o delegado.

Ele acredita que o Peti tem melhorado bastante a situação dos menores, uma vez que o benefício dispensa que eles comecem a trabalhar cedo, e assim, dediquem-se mais aos estudos. Entretanto, ainda se faz necessário adotar outras estratégias que supram o trabalho infantil para que a meta de erradicação seja alcançada.

 

 
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Rio Branco-AC, 19 de outubro de 2006
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