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Comemorando Zumbi na Terra de Chico Culturas afro-descendentes mostram sua força no Acre e organizam ampla programação para o Dia da Consciência Negra |
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GISELLE LUCENA * “Zumbi e Chico. Palmares e Xapuri. Seus quilombos, seus empates. Suas guerras de mascates...” O reggae, estilo musical de origem afro, foi o ritmo escolhido pela banda acreana Los Porongas para fazer referência a dois importantes ícones da história brasileira. O primeiro, líder dos quilombos de Palmares, representou a maior e mais importante comunidade de escravos fugidos nas Américas. O segundo, acreano, seringueiro e líder sindical, participou ativamente das lutas dos seringueiros contra o desmatamento e em defesa da terra. Aparentemente, há pouca coisa em comum. Mas o fato é que, 20 de novembro, data da morte de Zumbi, é o dia da consciência negra. E neste dia, as manifestações culturais afro-descendentes do Acre irão comprovar a multiplicidade de memórias e histórias identificadas na formação de Rio Branco, em uma tarde onde a capoeira, samba, hip hop, candomblé, umbanda, quadrilhas juninas e carimbó estarão juntas expondo claramente a importância e a diversidade de homens e mulheres de cor negra na construção da sociedade acreana. O local do encontro será a Rua 1º de Maio, espaço recém-inaugurado na extremidade da Passarela Joaquim Macedo no 2º Distrito. Lugar que, no princípio do século XX, era conhecido como a Rua da África, traçada ao longo da margem do Rio Acre, onde moravam muitas famílias negras do povoado nascente. Programação Oficinas de capoeira; de confecção de bonecas de pano agregadas à contação de mitos e lendas dos orixás; mostra de grafite e break; além de barracas com comidas tradicionais da cultura afro-brasileira estarão acontecendo a partir das 14horas. Às 18horas, representantes do poder público municipal e estadual e da sociedade civil se pronunciarão abordando os significados do Dia da Consciência Negra. Show - O Show da Consciência Negra começa às 19horas com apresentação do grupo Roda de Samba. Na seqüência, será realizada uma Mostra de Danças Afro e de Toques do Candomblé de alunos que participam dos projetos “Oficina de Danças Afro-brasileiras” e “Magia dos Atabaques”, financiados pela Lei Municipal de Incentivo a Cultura. O show também conta com um esquete teatral da Liga de Quadrilhas; apresentação da Orquestra de Berimbaus, de Dança do Carimbó e, para finalizar, de Rap. “O objetivo maior do evento é dar visibilidade às manifestações da cultura negra presentes em Rio Branco além de fortalecer as políticas de Igualdade Racial, referendando a unidade de luta pela liberdade de informação, manifestação religiosa e cultural”, explica Eurilinda Figueiredo, assessora de ação cultural da Fundação Garibaldi Brasil. A realização é fruto de uma parceria entra as Fundações Culturais Garibaldi Brasil e Elias Mansour, Núcleo de Estudos da Cultura Afro-brasileira da UFAC, Liga Acreana de Capoeira, Centro Acreano de Hip Hop e Núcleo Mocambo, Liga de Quadrilhas Juninas, Movimento do Samba de Rio Branco, CERNEGRO e comunidades de terreiros. Uma história que tem cor Manifestações culturais e históricas de características afro-brasileiras exerceram importante influência no processo histórico acreano. De acordo com o historiador Marcos Vinicius Simplício Neves, exemplos não faltam para ilustrar essa afirmação. A história tem início com o caboclo negro Manoel Urbano, que não só descobriu o Acre, mas foi seu primeiro civilizador, explorando a região e estabelecendo amistosas relações com os grupos indígenas. “A mistura de brasileiros que vieram de todas as partes durante a febre da borracha com os povos de diversas nacionalidades que aqui existiam, como bolivianos, espanhóis, barbadianos, portugueses e peruanos, fez o Acre se transformar em um verdadeiro resumo do mundo”, afirma o historiador. São identificados ainda importantes combatentes negros que lutaram na Revolução Acreana, como Capitão Ciríaco e Pio Nazário. “Ainda podemos levantar a hipótese de escravos quilombolas fugitivos terem chegado ao Acre descendo o rio Madeira ou subindo o Purus e o Juruá, ou também a vinda de fugitivos de Canudos em busca de uma vida mais digna com a sociedade da borracha”, explica o Simplício. Além disso, segundo ele, a criação da doutrina do Santo Daime, religião tipicamente acreana, também teve participação direta e decisiva de negros oriundos da baixada maranhense, Irineu Serra e Daniel Matos. Quanto ao campo das artes e da cultura, o historiador afirma que sempre foi terreno pródigo de atuação dos negros acreanos, como Da Costa, que além de ajudar a construir o Palácio Rio Branco, marcou uma época da vida musical acreana através de seus sambas. “Basta um olhar mais atento para identificar a participação de afro-descendentes em todas as etapas da formação da sociedade acreana, bem como nos usos e costumes mais comuns de seu povo”. |
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