| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA | ||
José Cláudio Mota Porfiro * |
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A educação enquanto prática humana e social é construção contínua que nunca se esgota em vista do progresso da ciência. O processo de construção de novos conhecimentos deve levar o indivíduo a refletir sobre o seu papel na transformação social com competência e responsabilidade. Esta é uma das bases da ação educativa das Irmãs da Ordem das Servas de Maria Reparadoras, chegadas ao Acre há oitenta e cinco anos. A velocidade com a qual as transformações se processam, nos dias de hoje, nos colocam neste novo século com uma outra necessidade, qual seja, a de atentar para as diferenças entre o que o passado ofereceu como garantia ou tradição em termos de valores e heranças culturais, e o que o avanço da ciência nos coloca ao dispor quase que diariamente. Desde o tempo das pioneiras, as atividades escolares sempre tiveram seus conteúdos e práticas, basicamente, voltados para o aspecto civismo, com saberes associados à noção de progresso, para que os alunos cultivem o respeito e o amor pela Pátria, o que tem servido para forjar uma nova consciência cívica permeada pela cultura nacional. A escola não é somente um lugar de aprendizagem de saberes, mas tem sido, ao mesmo tempo, um lugar de exercício de comportamentos e hábitos, principalmente religiosos. Esta ênfase na formação cristã tem como base o ensino do Catecismo, dentre outras atividades ligadas ao fator religião. Segundo a Irmã Maria Cláudia Barbosa, pedagoga, um dos princípios que norteiam o projeto educacional das Servas de Maria é a valorização da pessoa na busca por contribuir para a construção de uma sociedade mais justa. Para a educadora, “é preciso auxiliar o educando a tornar-se consciente, a fim de que seja capaz de exercer seus direitos e deveres de cidadão”. Há que dar ênfase ao fato de que a História, hoje, opera com novos sujeitos, novos objetos e novas abordagens. Quem faz as revoluções são as pessoas comuns rebeladas contra fatores que lhes prejudicam. Por isto mesmo, é necessário salientar que, desde os tempos iniciais, tem-se primado, com rigor, pelo aprendizado, principalmente, das quatro operações matemáticas, dos tempos dos verbos, das informações sobre geografia e história, e assim por diante. E tudo ainda leva à valorização das noções de moral e civismo, além de demonstrar grande preocupação com a identidade nacional. O currículo escolar, enquanto instrumento da cidadania democrática, contempla conteúdos e estratégias de aprendizagem que capacitam o ser humano para a realização de atividades nos três domínios da ação humana: a vida em sociedade, a atividade produtiva e a experiência subjetiva, visando a integração de homens e mulheres no universo das relações políticas do trabalho e da simbolização subjetiva. Nessa perspectiva, incorporam-se como diretrizes gerais da proposta das Servas de Maria, hoje, os seguintes eixos estruturais da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser. Para a construção de competências e aprimoramento da cidadania, é necessário o conhecimento e a compreensão da realidade social de forma global e contextualizada, e o desenvolvimento de uma prática educacional que esteja voltada para a conscientização dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal, coletiva e ambiental. Mas é preciso buscar na História algumas das razões primeiras. É oportuno reafirmar que a educação se tornou importante instrumento para a divulgação da Reforma Protestante. Seriam iguais as condições para a interpretação da Bíblia. Nos séculos XV e XVI, ao contrário da tendência predominante, Lutero (1483-1546) e Melanchthon (1497-1560) trabalharam para a implantação da escola primária para todos. È bem verdade que nessa proposta há uma nítida distinção: para as camadas trabalhadoras, uma educação primária elementar; enquanto para as privilegiadas, reservado o ensino médio e superior. Apesar disso, Lutero defende a educação universal e pública, e solicita às autoridades oficiais que assumam essa tarefa, por considerá-la competência do Estado. De acordo com as concepções humanistas, Lutou repudiava os castigos e criticou o verbalismo da Escolástica (tendência filosófico-teológica básica do Catolicismo). Propôs jogos, exercícios físicos, música (seus corais se tornam famosos) valorizou os conteúdos literários e o estudo da história e da matemática. Assim, para combater a expansão do protestantismo, a Igreja Católica passou a incentivar a criação das ordens religiosas. No Brasil Colônia, os colégios jesuítas começam a ser fundados sob a influência da concepção da escola tradicional européia, e exerceram influência altamente significativa na formação do homem brasileiro. A obra da Igreja Católica em termos educacionais adentrou o Brasil até chegar, com as Servas de Maria, aos rincões mais distantes da Amazônia onde, no Acre do início do Século XX, foram criados colégios como o Divina Providência, de Xapuri, o Imaculada Conceição e o São José, de Rio Branco, e o Santa Juliana, de Sena Madureira. A trajetória das freiras da Ordem, no decorrer dos últimos oitenta e cinco anos, tem tudo a ver com a travessia de um campo de batalha ao fim do qual se chega ileso e com vontade de muito mais luta, principalmente, quando a guerra é contra a escuridão da caverna e a favor da busca das luzes do conhecimento que existem para apontar rumos que levam aos melhores dias tão almejados por todos, numa alusão ao Livro VII, de Platão. Como as grandes conquistas estão sempre amparadas em esforços árduos, em força de vontade, em pertinácia, em lágrimas, assim chega glorioso e triunfante o grande projeto de Madre Eliza Andreolli ao terceiro milênio, agora, já pronto para enfrentar uma era de boas novas ditadas pela modernidade de um mundo globalizado cujo movimento de translação, hoje, parece ter-se acelerado, e muito, em vista dos processos de transmissão de informações que nos levam a tantos lugares, em tão pouco tempo. Por tudo isso, fica atestada, para a contemporaneidade e para as futuras gerações, a importância de uma Organização que, desde seus inícios, aqui foi implantada com o objetivo maior de tornar esta uma terra digna do orgulho dos seus. ____________
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