| COTIDIANO | |
Vitória na gestão ambiental do Acre: ZEE é aprovado Documento agora é norma a ser seguida no Estado |
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Um longo trabalho chegou a mais um importante resultado que possibilita o avanço para a próxima etapa. É o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do Acre, que na semana passada foi aprovado pela Assembléia Legislativa (Aleac), tornando-se legítimo como instrumento norteador da política ambiental do Estado. Um documento síntese, 16 mapas cartográficos que compõem o mapa de gestão e mais 14 mapas temáticos que subsidiaram o mapa de gestão foram apresentados aos parlamentares, mostrando os novos resultados do trabalho feito desde 2000, quando a primeira fase do ZEE foi lançada. De 2000 a 2003, as ações da Fase I foram implantadas e a partir daí se iniciou o planejamento e elaboração da Fase II. Agora um outro passo é preciso ser dado para a construção e fortalecimento da política ambiental no Estado, segundo o secretário de Meio Ambiente e Recursos Naturais, Carlos Edegard de Deus, que é a elaboração do ZEE em cada município, com o Ordenamento Territorial Local (OTL). “Já estamos fazendo experiência piloto nos municípios de Brasiléia e Rio Branco. Esse trabalho precisa alcançar todos os municípios do Estado porque permite quatro vezes mais detalhes que na primeira fase. É um diagnóstico detalhado, relatos das potencialidades e restrições para o uso da terra e das nossas florestas. É um instrumento importante para o planejamento e para a tomada de decisões em relação aos investimentos”, diz Edegard. O ZEE foi financiado pela Cooperação Alemã, por meio do Banco KFW e a GTZ, pelo subprograma de Política de Recursos Naturais/PPG7, por meio do Ministério do Meio Ambiente, e pelo Programa de Desenvolvimento Sustentável do Acre (PDSA), através do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele é executado pela Sema, por meio da coordenação executiva, dirigida por Magaly Medeiros. Ela conta que a realização do Zoneamento teve o apoio de diversas instituições como o IBGE, o IBAMA, a Embrapa, as Universidades Federais de Viçosa e do Acre, INCRA, Secretarias Estaduais, Prefeituras e Ongs. No Acre, Magaly diz que o ZEE teve como importante inovação o fator participativo, por ter sido construído e discutido em parceria com a sociedade. O governador Jorge Viana diz que ele é uma importante ferramenta para nortear as ações que servirão de modelo para o processo de construção do desenvolvimento sustentável que o Estado almeja, voltado para o combate à pobreza e à exclusão social, o respeito à diversidade social, a eficiência e atividades econômicas com a geração de emprego e renda; e a conservação e o uso inteligente do patrimônio natural. O que é e para que serve o ZEE - O Zoneamento Ecológico-Econômico é um instrumento de negociação entre o governo e a sociedade, no qual, através de estudos, são definidas as potencialidades e vulnerabilidades dos locais analisados. Durante a elaboração dessa segunda fase do Zoneamento foram analisados no eixo recursos naturais, a geografia e a morfologia do Estado, o solo, a vegetação, a biodiversidade, os recursos hídricos. Além de serem identificados os fatores capazes de impulsionar ou limitar o desenvolvimento de cada uma das regiões do Acre. Olhar mais próximo Diferentemente da primeira fase, a segunda fase do ZEE no Acre utilizou imagens quatro vezes mais aproximadas que na anterior para a elaboração do planejamento dos estudos de diagnósticos e prognósticos. A escala utilizada foi a de 1 para 250 mil, que permitiu estudos ainda mais específicos para cada área do Estado. Um outro aspecto relevante da segunda fase do ZEE foi a abordagem geográfica do novo território acreano, a partir da linha Cunha Gomes, na divisa do Estado do Amazonas, que agrega ao Acre mais de 1,2 milhão de hectares, e da nova configuração dos limites municipais, definidos em março de 2003. O Estado mapeado O plano de desenvolvimento do Acre tem como base o ZEE, que estabelece limites para que o respeito à vida seja garantido, define cada área para que a floresta permaneça inteira e torna prática a idéia da sustentabilidade. O Mapa de Gestão divide o Acre em quatro Zonas de uso: Zona 1 (Consolidação de sistemas de produção sustentáveis), Zona 2 (Uso sustentável dos recursos naturais), Zona 3 (Áreas protegidas para o ordenamento territorial) e Zona 4 (Cidades do Acre) Zona 1 – Ocupando 24,4% do território, a Zona 1 é a de maior ocupação antrópica, onde estão as propriedades produtivas, sejam elas pequenas, médias e grandes, e ainda os projetos de assentamentos e pólos agroflorestais, reservas legais e Área de Proteção Permanente (APP), sendo que suas diretrizes gerais estão estabelecidas de forma setorizada por perfil de uso do solo e ocupação. Zona 2 – Composta por áreas já destinadas no âmbito do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), de Unidades de Conservação Estaduais e de Terras Indígenas, bem como por projetos de assentamento diferenciados de base florestal, tais como Projeto de Assentamento Extrativista (PAE), Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) e Projeto de Assentamento Florestal (PAF), a Zona 2 abrange a área de 49,5%. Zona 3 – Abrangendo 25,9% do território, a Zona 3 é composta por áreas ainda não ordenadas, em processo de definição de uso, prioritárias para o ordenamento territorial com indicação ao uso sustentável dos recursos naturais e, ainda, por áreas de produção ribeirinha já estabelecidas. A Zona 3 foi construída pelo ZEE, dividida em duas zubzonas. Primeira – As áreas da primeira zubzona são com ordenamento territorial definido, após a realização de estudos e levantamento, poderão ser destinadas à criação de novas Unidades de Conservação, criação de novas Terras Indígenas, criação de novos Projetos de Assentamentos Diferenciados, e reconhecimento de áreas privadas. Segunda – A segunda subzona é caracterizada por ambientes de várzea e áreas adjacentes de terra firme das bacias dos principais rios do Estado: Juruá, Tarauacá, Envira, Purus, Iaco, e Acre e de seus afluentes, com baixa densidade demográfica, já ocupadas por populações ribeirinhas em colocações e comunidades, com potencial para manejo de recursos pesqueiros, manejo florestal de uso múltiplo, sistemas de produção agrícola, agroflorestais e criação de animais, em locais restritos. Zona 4 – Com apenas 0,2% de área, a Zona 4 é composta por áreas urbanas dos municípios do Estado, circundados por diferentes paisagens rurais e florestais. Ela também é dividida por subzonas - ao total, são quatro. Resultados fortalecidos O projeto do ZEE do Acre apresenta entre seus principais resultados uma inovação na Zona 1, em que os estudos realizados indicam nela a redução da reserva legal para fins de recomposição para 50%, inserida no inciso 5º do artigo 16, do Código Florestal. Após as definições e indicações específicas nas zonas e subzonas, o ZEE define a forma de coordenação, monitoramento, avaliação e difusão, com base em um sistema de coordenação no modelo estabelecido na lei de organização administrativa do Estado, que tem como coordenadora a Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico-Sustentável (Seplands). O secretário da Seplands, Gilberto Siqueira, diz que este artigo é de fundamental importância, uma vez que os dados gerados serão necessariamente difundidos, após o processo de avaliação e monitoramento das zonas e subzonas do ZEE em consonância com o que determinam as respectivas diretrizes, gerais e específicas. No projeto aprovado pela Aleac, são anunciados três grandes instrumentos que auxiliarão a implementação do ZEE. O primeiro deles é o Indicador de Sustentabilidade do Acre (ISMAC), que está sendo criado. Os demais são programas de fomento florestal e recuperação de áreas degradadas ou alteradas e o licenciamento e regularização do passivo ambiental. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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